Quer emagrecer? Cuide bem do seu intestino

O equilíbrio do intestino é fundamental para que seu organismo funcione bem e absorva os nutrientes que você precisa.

Por Olga Penteado (colaboradora) 17 ago 2014, 22h00 | Atualizado em 21 out 2024, 19h16
Olga Penteado - Edição: MdeMulher
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Não é só você que precisa de uma dieta saudável e diversificada. Os trilhões (sim, é isso mesmo) de micro-organismos que vivem no seu intestino também. Veja só a sua responsabilidade ao levar o garfo à boca! A relação entre o que comemos e o equilíbrio da saúde do organismo em geral foi um dos destaques do encontro GUT Microbiota for Health – um evento organizado pela Sociedade Europeia de Neurogastroenterologia e Mobilidade (ESNM) e Associação Americana de Gastroenterologia (AGA), que reuniu especialistas do mundo todo em Miami (EUA), em março deste ano. E, sem medo de exagerar, pode-se dizer que o intestino é a bola da vez da ciência. 

 
“O intestino deixou de ser reconhecido apenas como um órgão de digestão e absorção para assumir um importante papel imunológico. Afinal, ele tem grande participação na defesa contra as agressões do meio externo”, explica Bruno Barreto, especialista em alergia e professor adjunto da Universidade do Pará, em Belém. Quem está por trás desse sistema de defesa é a microbiota – palavra ainda pouco comum, mas que logo vai ser bastante usada. Ela substitui o tradicional termo “flora intestinal” com mais propriedade. “Isso porque as bactérias e os outros seres microscópicos que habitam o intestino não pertencem ao reino vegetal”, esclarece o médico paraense. 
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A importância desses micro-organismos, sobretudo das bactérias, pode ser medida na afirmação de um dos maiores especialistas mundiais sobre o tema, o professor Francisco Guarner, do Hospital Universitário Valld’Hebron, em Barcelona, Espanha: “Hoje sabemos que o ecossistema que habita nosso intestino é tão grande, importante e diversificado que ele está sendo considerado ‘um novo órgão’ em si mesmo”. Para conhecer melhor essa relação entre saúde, alimentação e probióticos (bactérias do bem que equilibram a microbiota), confira alguns dos pontos altos do congresso. 
 

Foco na alimentação 

Para que nossa saúde e nossa boa forma sejam garantidas, precisa haver um equilíbrio entre as bactérias do bem e as agressoras. “Quando há o aumento dos micro-organismos patogênicos e a diminuição das bactérias protetoras, surgem doenças inflamatórias do intestino, diarreia, intolerância e alergia a alimentos, como glúten e lactose – isso ficando apenas no campo das doenças gastrointestinais”, diz Flávio Quilici, professor titular de gastroenterologia e cirurgia digestiva da Faculdade de Medicina da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Campinas (SP).
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A dieta tem uma importância fundamental nessa história. “É comendo e digerindo a comida que alimentamos os micro-organismos protetores que vivem em nosso intestino”, diz Francisco Guarner. Não é só o sistema digestivo que sai ganhando.  “Estudos sugerem que obesidade, diabetes e até distúrbios comportamentais, como autismo e depressão, podem estar relacionados ao desequilíbrio da microbiota”, acrescenta o professor. 
 
Os alimentos mocinhos, você conhece: legumes, verduras, frutas e grãos. Neles são naturalmente encontrados os prebióticos que nutrem as bactérias do bem. Também os vilões são velhos conhecidos: fritura em excesso e gordura animal, que tem um potencial inflamatório. A pesquisadora norte-americana Suzanne Devkot, da Faculdade de Medicina da Universidade de Harvard, em Boston, Estados Unidos, citou um estudo que mostra a possível relação entre o alto consumo de leite de vaca gordo e inflamações no intestino.
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Mas que fique claro: nem todas as gorduras são prejudiciais – os ácidos graxos ômega 3, que têm o poder de controlar inflamações, ajudaram a reverter o quadro dos pacientes que participaram da pesquisa norte-americana. Cuidado ainda com o açúcar e os produtos muito processados. “Eles também prejudicam a microbiota, assim como a baixa diversidade de nutrientes disponíveis na dieta ocidental”, diz Guarner. 
 

Obesidade controlada 

Você não exagera à mesa, faz exercício quase todos os dias e, ainda assim, vive em guerra com a balança? A explicação pode estar no desequilíbrio das bactérias que vivem no seu intestino. “Estudos feitos com camundongos e seres humanos mostram a relação entre esses micro-organismos e o peso extra. A microbiota intestinal parece contribuir na extração, no estoque e no gasto de energia obtida dos nutrientes dos alimentos”, diz Dan Waitzberg, professor associado do Departamento de Gastroenterologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP). Traduzindo: você pode estocar mais ou menos calorias de acordo com os tipos de bactéria presentes em maior ou menor quantidade no intestino.
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Os antibióticos também podem fazer parte dessa equação, segundo um estudo em andamento. Não é difícil entender o elo. Eles salvam vidas, mas apresentam consequências não desejadas: matam as bactérias do bem. “A nossa microbiota se forma na infância e a exposição a medicamento nessa fase pode provocar um desequilíbrio considerável, alterando o metabolismo para sempre e causando obesidade”, explica a pesquisadora Laura Cox, da Universidade de Nova York, nos Estados Unidos. 
 

Aliados naturais 

Prebióticos: as fibras que passam intactas na digestão servem de alimento para as bactérias benéficas. Confira as principais delas e em que alimentos são encontradas: inulina (alho, cebola, aspargo, chicória, batata yacon), fruto-oligossacarídeos (alho, cebola, banana, tomate, aveia, trigo, mel), pectina (frutas cítricas, maçã, cenoura, aveia, soja, lentilha, ervilha) e ligninas (linhaça, gergelim, amêndoa, soja). 
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Probióticos: são micro-organismos que chegam vivos ao intestino e promovem benefícios à saúde. Os mais comuns são as bactérias Lactobacillus e Bifidobactererium, que podem ser acrescentadas aos alimentos (iogurtes, leite fermentados – confira no rótulo), suplementos e medicamentos. 
 
Bactérias transplantadas: retiradas das fezes de um doador saudável, as bactérias do bem são introduzidas no paciente. A técnica também é conhecida como transplante de fezes (as bactérias são separadas e apenas elas são utilizadas). “A técnica tem sido empregada para tratar uma doença grave, a colite pseudomembranosa”, informa Flávio Quilici. “A terapia, que vem sendo bastante estudada, poderá ser útil em breve para tratar os problemas relacionados à microbiota.” Entre eles, obesidade, diabetes, SII e doenças inflamatórias.
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