Retatrutida supera Ozempic em estudo: quais as diferenças e por que ela ainda não está disponível no Brasil?

Retatrutida, nova molécula da Eli Lilly, supera Ozempic em perda de peso e controle glicêmico em testes clínicos. Entenda

Por Maraísa Bueno 4 nov 2026, 16h00
Pessoa aplicando uma injeção subcutânea na barriga, segurando uma seringa com a mão esquerda e pinçando a pele com a direita. Veste top branco e calça jeans clara.
Retatrutida supera Ozempic em estudo: quais as diferenças e por que ela ainda não está disponível no Brasil? (pikisuperstar/Magnific)
Continua após publicidade
Retatrutida supera Ozempic em estudo: quais as diferenças e por que ela ainda não está disponível no Brasil? Priorizar nos meus resultados Google

Um novo capítulo para quem busca medicamento no tratamento da obesidade: no último 28 de outubro, a Eli Lilly divulgou resultados de um estudo clínico de fase 3, que comparou a retatrutida, medicamento experimental desenvolvido pela empresa, com o Ozempic.

Na pesquisa, realizada com pessoas com diabetes tipo 2, a nova molécula apresentou resultados superiores tanto na redução do peso corporal quanto na diminuição da hemoglobina glicada, indicador utilizado para avaliar o controle da glicose no sangue.

 

 

O resultado também chama a atenção em um momento em as canetas emagrecedoras seguem em evidência nas redes sociais e despertam dúvidas sobre novas possibilidades de tratamento da obesidade.

Continua após a publicidade

Mas, afinal, o que é a retatrutida? Por que ela apresentou resultados diferentes dos observados com o Ozempic? E será que já é possível encontrá-la no Brasil?

Apesar dos números promissores, é importante destacar que a retatrutida está em fase experimental, sem nenhuma aprovação para uso em nenhum país, inclusive no Brasil. A seguir, você vai entender o que a ciência já descobriu e o que ainda precisa ser esclarecido.

Continua após a publicidade

O que é a retatrutida?

A retatrutida é uma molécula experimental desenvolvida pela farmacêutica Eli Lilly, para o tratamento de diversas condições, como a obesidade, sobrepeso e diabetes tipo 2.

Como a retatrutida age no organismo?

A atuação da retatrutida envolve três receptores hormonais, que participam de diferentes processos metabólicos, incluindo a regulação da glicose no sangue, do apetite e da saciedade. São eles:

Continua após a publicidade
  • GLP-1: participa da regulação do apetite, aumenta a sensação de saciedade, retarda o esvaziamento do estômago e contribui para o controle da glicemia.
  • GIP: atua na secreção de insulina em resposta à alimentação e participa da regulação do metabolismo.
  • Glucagon: está relacionado ao controle da glicose e ao metabolismo energético. Sua atuação também está sendo investigada por possíveis efeitos sobre o gasto energético.

A combinação desses mecanismos é uma das características que diferenciam a retatrutida de outros medicamentos utilizados no tratamento do diabetes e da obesidade.

Segundo Alessandra Rascovski, endocrinologista, PhD e diretora médica da Atma Soma, a principal diferença está justamente na quantidade de receptores hormonais ativados pela molécula.

Continua após a publicidade

“A semaglutida imita o hormônio GLP-1, que influencia nossa sensação de saciedade e está presente em todos esses medicamentos de controle de obesidade e diabetes. Mas a Retatrutida, no entanto, que é um agonista triplo, simula mais dois hormônios, o GIP, que melhora a secreção de insulina após uma refeição e o Glucagon, que aumenta o nível de glicose no sangue contrapondo-se aos efeitos da insulina”, explica a especialista.

Esse é um dos pontos que diferenciam a retatrutida do Ozempic (semaglutida), que atua sobre os receptores de GLP-1. Já o Mounjaro (tirzepatida) age sobre os receptores de GIP e GLP-1.

Continua após a publicidade

Isso significa que a retatrutida apresenta um mecanismo de ação diferente, mas não necessariamente que seja mais segura ou adequada para todas as pessoas. É preciso de mais pesquisas clínicas para avaliarem a eficácia e os possíveis riscos.

Retatrutida x Ozempic: quais as diferenças?

O estudo comparou duas doses de retatrutida (9 mg e 12 mg) com a dose de 2 mg de Ozempic em 1.298 adultos com diabetes tipo 2.

Após 80 semanas de acompanhamento, os pesquisadores observaram uma redução média de 20,9% do peso corporal entre os participantes que receberam a dose de 12 mg de retatrutida. No grupo que utilizou Ozempic 2 mg, a redução foi de 9,4%.

Houve também a análise de uma dose menor da medicação: 9 mg de retatrutida apresentou resultado expressivo, com perda média de 19,5% do peso corporal.

É importante lembrar que os números representam médias obtidas em um estudo clínico e não significam que todas as pessoas terão a mesma resposta ao tratamento.

Então, a retatrutida é mais eficaz do que o Ozempic?

Apesar dos resultados expressivos, trazendo uma maior eficácia da retatrutida em comparação ao Ozempic, é preciso interpretar os resultados com bastante cautela, pois a pesquisa foi realizada com um grupo específico: pessoas com diabetes tipo 2. 

Por isso, não é possível afirmar que a mesma diferença será observada em todas as pessoas com obesidade, especialmente naquelas que não têm diabetes.

Além disso, os números divulgados em outubro são resultados preliminares apresentados pela própria fabricante. A Lilly informou que os dados detalhados serão apresentados em um congresso médico e publicados posteriormente em uma revista científica revisada por pares.

Assim, embora os resultados sejam promissores, ainda é necessário acompanhar a publicação completa e as próximas pesquisas para compreender melhor a eficácia e a segurança do medicamento.

A retatrutida tem efeito colateral? 

Assim como qualquer medicamento, a retatrutida também apresentou efeitos adversos no estudo, entre eles foram os gastrointestinais, como diarreia, náuseas, constipação, vômitos e desconforto digestivo.

A interrupção do tratamento em razão de eventos adversos também foi observada: 4,8% entre os participantes que receberam 9 mg de retatrutida, 7,9% entre aqueles que receberam 12 mg e 2,7% no grupo do Ozempic.

Esses dados reforçam que uma maior perda de peso não deve ser interpretada automaticamente como sinônimo de maior segurança.

Como o medicamento ainda está em investigação, a avaliação de seus benefícios, riscos e possíveis efeitos a longo prazo continua sendo necessária.

A retatrutida ainda não foi aprovada pela Anvisa

De acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o medicamento continua em fase de pesquisa clínica. A empresa responsável pelo desenvolvimento ainda precisa concluir os estudos e solicitar o registro às autoridades regulatórias.

Isso significa que, apesar dos resultados divulgados, a retatrutida não pode ser comercializada legalmente como medicamento para uso humano.

A aprovação depende de uma avaliação criteriosa das evidências científicas, que considera não apenas a eficácia, mas também a segurança, a qualidade e os possíveis riscos do tratamento.

Por que é arriscado comprar retatrutida pela internet?

Não é seguro comprar qualquer produto que não seja aprovado pela Anvisa pela internet.

Entre os riscos de adquirir essas substâncias estão:

  • Composição desconhecida: não há garantia de que o produto contenha realmente retatrutida ou a quantidade indicada no rótulo.
  • Dosagem inadequada: a concentração pode ser diferente daquela informada pelo vendedor.
  • Contaminação: produtos sem controle de qualidade podem apresentar impurezas e outras substâncias prejudiciais à saúde.
  • Armazenamento incorreto: não há garantia de que tenham sido transportados e conservados nas condições adequadas.
  • Ausência de acompanhamento e segurança: não existe avaliação regulatória que comprove a segurança desses produtos para utilização fora de pesquisas clínicas autorizadas.

A própria Anvisa alerta que a comercialização de produtos irregulares representa um risco sanitário para a população.

A retatrutida pode substituir o Ozempic e outras canetas emagrecedoras?

Não é possível afirmar essa possibilidade visto que o medicamento ainda não foi aprovado. Embora os resultados dos estudos indiquem um potencial importante para o tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2, ainda são necessárias mais pesquisas e também avaliações regulatórias antes que o medicamento possa ser disponibilizado à população.

Além disso, o tratamento da obesidade não deve ser reduzido à busca pela maior porcentagem de perda de peso. A escolha de uma abordagem terapêutica precisa considerar as condições clínicas, o histórico de saúde, os objetivos e as necessidades de cada pessoa.

Medicamentos podem fazer parte do tratamento, mas devem ser utilizados com indicação e acompanhamento médico.

Canetas emagrecedoras podem dar pancreatite?

Acompanhe o nosso WhatsApp

Quer receber as últimas dicas e matérias incríveis de Boa Forma direto no seu celular? É só se inscrever aqui,
no nosso canal no WhatsApp

 

Publicidade

Essa é uma matéria fechada para assinantes.
Se você já é assinante clique aqui para ter acesso a esse e outros conteúdos de jornalismo de qualidade.