Espiritualidade prática, com Debora Pivotto Espiritualidade e autoconhecimento conectados com a nossa saúde física e mental, com o coletivo e com a vida prática

A vontade de terceirizar o autocuidado

Muitos esperam que o terapeuta resolva seus problemas emocionais, mas a autorresponsabilidade e a disposição para acolher sentimentos são fundamentais

Por Debora Pivotto 1 set 2021, 14h22

Muitas vezes, durante os atendimentos de Leitura de Aura ou de psicoterapia, depois de lidar com informações reveladoras como os motivos por trás de uma vitimização ou de uma angústia profunda, é comum o paciente ficar um pouco confuso e perguntar: mas o que eu faço com isso?

Acho essa pergunta bem sintomática dos tempos que vivemos por dois motivos. Primeiro porque mostra que muita gente não compreende como funcionam os processos de autoconhecimento e subestimam a importância de algumas informações – ou seja, elas não buscam compreensão e sim uma solução prática para seus problemas. Mas quando falamos de nosso mundo psíquico e emocional, o conhecimento é parte da “solução”. É através dele que vamos, aos poucos, elaborando melhor nossas emoções e voltando a um estado de mais equilíbrio e mais verdade dentro de nós. Compreender a causa de um sofrimento é um primeiro passo importante de uma transformação que acontece de forma gradual dentro de nós.

E o segundo motivo é que a pergunta revela a dificuldade que muitas pessoas têm em lidar e, principalmente, em se responsabilizar pelas suas próprias questões emocionais e pela busca por “soluções” de seus problemas. Existe uma vontade grande de terceirizar o autocuidado.

Sinto que, muitas vezes, as pessoas buscam terapia não porque querem de fato se conhecer mais profundamente, mas porque querem que o terapeuta resolva o problema delas e por elas. Elas esperam que a gente traga uma solução, ou pelo menos, lhe digam o que fazer, sem que cada um tenha que refletir sobre suas escolhas e se responsabilizar por elas. E isso é preocupante.

É evidente que, como todo especialista, um terapeuta pode dar um conselho ou uma opinião se assim lhe for demandado. A pessoa poderia perguntar, por exemplo, “existe alguma forma de amenizar esses sintomas que tenho sentido?” ou “existe algo que eu possa fazer para compreender isso melhor?”. É bem diferente de “o que eu faço com isso?”, percebe?

Além de não terceirizar as decisões, é importante lembrar que existem muitos momentos no processo terapêutico em que não há nada mesmo de prático a se fazer, precisamos apenas acolher todo tipo de sentimento que passa por nós a partir daquele insight ou revelação trazida na sessão. É sentir mais e agir menos. E encarar os sentimentos é algo que ninguém pode fazer por nós.

Então, minha sugestão hoje é que você possa refletir quando for procurar um terapeuta ou se já estiver em terapia: o que eu realmente espero deste processo? De que forma este profissional pode me ajudar? O que eu posso fazer para que a transformação que eu busco aconteça?

Até a próxima!

Sou Debora Pivotto, jornalista, escritora e terapeuta. Trabalhei por 13 anos em grandes redações do país até descobrir que os assuntos que mais me interessavam estavam dentro – e não fora – das pessoas. Apaixonada por autoconhecimento e comunicação, faço uma espécie de “reportagem da alma” com a terapia de Leitura de Aura, ajudo as pessoas a reconhecer e manifestar os seus dons e talentos facilitando um processo de autoconhecimento chamado Jornada do Propósito, e estou me especializando em Psicologia Análitica Junguiana. Adoro compartilhar meus aprendizados em textos, vídeos e workshops. Para saber mais, me acompanhe pelo instagram @deborapivotto.  

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