Home Office saudável, com Bianca Vilela A fisiologista do exercício Bianca Vilela dá dicas de exercícios para melhorar a saúde no trabalho ou durante o home office

3 pontos importantes que te ajudarão a evitar o descontrole por doces

Quem nunca usou a desculpa de ter um paladar infantil, para comer aquele docinho ou ‘’junk food’’ sem tanta culpa? 

Por Bianca Vilela Atualizado em 24 ago 2021, 13h18 - Publicado em 9 set 2021, 13h15

O fato é que não existe paladar infantil, afinal, se adultos devem evitar alimentos ultraprocessados em favor da saúde, por que na infância eles seriam o centro da alimentação, não é mesmo?

Tendemos a relacionar alimentos como doces, balas, pirulitos, cachorro-quente, pastel, pizza, hambúrguer e salgadinhos à infância, porque de alguma maneira, eles nos levam a uma memória afetiva, nos trazendo um prazer e bem-estar imediatos. Comemos bolinho de chuva lembrando de nossas avós, pizza recordando bons momentos na pizzaria com pais, irmãos e amigos, ou aquele pastel revivendo nostálgicos domingos de feira livre. É verdade, construímos nossas recordações através da comida e de momentos ao redor da mesa.

Para nos aprofundarmos neste tema, convidei a nutricionista que é expert em nutrição materno infantil Nathalia Escudeiro. “Entender esta relação é muito importante, já que na maioria das vezes, quando estamos ansiosos, tristes ou estressados, buscamos estes alimentos para nos consolar e trazer um sentimento agradável. Claro, fisiologicamente, a gordura e o açúcar causam reações químicas no cérebro, com liberação de neurotransmissores que nos trazem bem-estar quase que instantaneamente. Porém, se algum alimento te traz lembranças afetivas, estas liberações podem começar muito antes de colocá-lo na boca”, afirma a especialista.

Durante a jornada de trabalho, nos deparamos com situações que nos farão buscar consolo imediato. E, não à toa, mantemos a gaveta do escritório recheada com guloseimas. Há também os momentos em que buscamos, nesta gaveta, uma recompensa. A recompensa por um obstáculo superado, um reconhecimento profissional, ou pelo sucesso de uma reunião importante.

Segundo Nathalia, o sinal de alerta por esta busca, começa quando a única alternativa para alcançar o alívio e bem-estar, ocorre através da comida. Neste sentido, vale a pena se atentar a 3 pontos importantes:

  1. Dieta restritiva

A necessidade de comer um docinho pode estar relacionada à dietas restritivas. Nosso organismo, precisa de uma quantidade mínima de calorias por dia para manter atividades básicas como bombear sangue, respirar, digerir alimentos, piscar, manter temperatura corporal. Chamamos isto de metabolismo basal. Em caso de dietas muito restritivas em calorias – e sem acompanhamento – ao final do dia, nosso corpo exigirá mais energia, e nada mais rápido do que o carboidrato para nos fornecer estas calorias faltantes. A mesma coisa pode acontecer com dietas de restrição a carboidratos, pois ao final do dia precisaremos buscar uma maneira mais rápida de conseguir energia, e as guloseimas se encaixam perfeitamente neste quesito. Não façam dietas sem acompanhamento profissional.

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  1. Rotina alimentar desorganizada

Manter uma rotina alimentar organizada é fundamental para escapar das guloseimas, afinal, se você encaixá-las durante o seu dia, evitará o consumo em excesso, principalmente se você estiver em processo de reeducação alimentar. Se o seu dia não tem horários para as refeições, a fome e a vontade comer se confundirão, aumentando o risco de comer mais do que precisava, ou matar a fome com alimentos ultraprocessados. Organize seu dia e suas refeições, e inclua momentos para as guloseimas.

  1. Escolhas alimentares confusas

Precisamos refletir o motivo de nossas escolhas por determinado alimento, e em que momento o estou consumindo. Se busco conforto na comida, é preciso ficar atento se estou realmente aproveitando essa escolha, ou se como tão rápido que termino querendo mais. Comer com atenção plena é fundamental para não consumir em excesso. Lembram que neurotransmissores podem ser liberados ainda antes de consumir o alimento, devido às memórias afetivas? Pois bem, use isto a seu favor! Ao escolher um alimento que te remeta algum sentimento de conforto, aproveite, coma devagar, repasse histórias e momentos na sua cabeça, deguste… isso ajudará a diminuir a quantidade consumida, pois a sensação de bem-estar chegará mais cedo.

Vamos prestar atenção nas nossas emoções e então fazer as pazes com nossa saúde? O melhor caminho? Ir aos poucos e sem cobranças.

BIANCA VILELA é autora do livro Respire, mestre em fisiologia do exercício pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), palestrante e produtora de conteúdo. Desenvolve programas de saúde in ompany em grandes empresas por todo o país há mais de 15 anos. Aqui na Boa Forma fala sobre saúde no trabalho, produtividade e mudança de hábitos. 

Instagram: @biancavilelaoficial

 

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