Erika Januza: “Num concurso, disseram que me eliminaram por eu ser negra”

A atriz comemora que hoje há mais mulheres negras na TV e fala sobre determinação e carreira

Por Juliana Diniz 28 abr 2018, 07h30

Quando era pequena, Erika Januza quase não encontrava referências de beleza negra na TV. “Lembro da Isabel Fillardis e da Taís Araújo. Se eu quisesse ser parecida com a pessoa da vez, tinha que deixar de ser eu mesma”, afirma.

  • “A gente ainda sonha com mais representantes, mas hoje uma criança negra já pode ver alguém com o cabelo semelhante ao dela”, diz a atriz, que, nos concursos que disputou antes da fama, chegou a sofrer racismo. “Já veio jurado me dizer ‘Você tinha ganhado, mas mudaram o resultado porque você é negra’. Uma vez, a mãe de uma das concorrentes chegou até mim e falou ‘Horrorooosa’ na minha cara, com raiva, sabe?”

    É por isso que Erika enxerga Raquel, sua personagem em O Outro Lado do Paraíso, como uma oportunidade de dialogar com a sociedade. “A personagem quebra estereótipos. Quando ela se tornou juíza, usava os fios presos. Teve uma cobrança do público nas redes sociais. Diziam ‘Solta o cabelo dela!’ E soltamos. Isso é um empoderamento”, afirma.

  • Mulher estudiosa

    Quando alguém lhe propõe algo que ela quer muito, a mineira não deixa a ideia morrer. “A gente não pode parar de querer subir degraus, tem que galgar mais. Os degraus nunca podem ter fim, e você também nunca pode se esquecer do início deles”, diz.

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    Filha de uma empregada doméstica e de um serralheiro, ela aprendeu a correr atrás das oportunidades. “Não me lembro do meu pai de folga, de férias... Aprendi a cuidar de mim e a encarar o trabalho com muita dedicação”, conta a atriz, que, além de estudar o texto diariamente, faz sessões de fonoaudiologia e aprimora a técnica de interpretação em um curso.

  • “Não é porque estou numa novela que não vou estudar. Na próxima, vou estudar também. E na outra também. Em qualquer profissão, a gente tem que se atualizar. Eu, definitivamente, não pretendo ficar pra trás.”

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