Como a caneta emagrecedora age no corpo?
As “canetas emagrecedoras” são medicamentos da classe dos agonistas dos receptores de GLP-1 (como a liraglutida e a semaglutida) e, mais recentemente, agonistas duplos de GIP e GLP-1 (como a tirzepatida). O GLP-1 é um hormônio incretínico que o nosso próprio intestino produz quando nos alimentamos.
O que esses medicamentos fazem é imitar a ação desse hormônio natural, mas de uma forma muito mais potente e prolongada.
Eles atuam em duas frentes principais: primeiro, no sistema nervoso central, especificamente no hipotálamo, onde aumentam significativamente a sensação de saciedade e reduzem o apetite (aquela “fome constante” ou pensamento em comida). Segundo, no trato gastrointestinal, retardando o esvaziamento do estômago.
Isso significa que a comida “fica mais tempo” no estômago, o que contribui para que o paciente se sinta satisfeito por períodos mais longos com porções menores de alimento.
Como cirurgião bariátrico, costumo explicar aos meus pacientes que é um mecanismo fisiológico que ajuda muito no controle do peso, mas que, assim como a cirurgia, precisa estar associado a mudanças no estilo de vida.
Esses medicamentos foram criados para perda de peso?
Eles não foram criados inicialmente para a perda de peso. A história dessas medicações começou no tratamento do diabetes mellitus tipo 2.
O GLP-1 estimula o pâncreas a liberar insulina de forma dependente da glicose (ou seja, quando o açúcar no sangue sobe) e inibe a liberação de glucagon, melhorando o controle glicêmico.
Com o tempo e o uso clínico, observou-se o efeito secundário potente na perda de peso. Hoje, medicamentos como o Ozempic (semaglutida) têm indicação em bula no Brasil para o diabetes tipo 2, enquanto o Wegovy (também semaglutida, mas em doses diferentes) é aprovado especificamente para obesidade.
A tirzepatida (Mounjaro) teve sua indicação ampliada pela Anvisa em junho de 2025, passando a ser indicada não só para o diabetes tipo 2, mas também para o controle crônico de peso em pacientes com obesidade (IMC ≥ 30) ou sobrepeso (IMC ≥ 27) com comorbidades associadas, como hipertensão ou dislipidemia.
Além disso, estudos recentes têm mostrado benefícios cardiovasculares importantes, como a redução do risco de infarto.
Dr. Luiz Gustavo de Oliveira e Silva, especialista em cirurgia bariátrica e metabólica e em doenças do aparelho digestivo e da parede abdominal, à frente do Instituto Metabólica.





