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Como prevenir escoliose em crianças e adolescentes?

Por Dr. Carlos Eduardo Barsotti 29 jan 2024, 08h00 | Atualizado em 4 jun 2026, 23h38
como prevenir escoliose em crianças e adolescentes
Saiba como prevenir escoliose em crianças e adolescentes | (cookie_studio/Freepik)
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Se engana quem acredita que a escoliose afeta apenas adultos. Diversas crianças e adolescentes são diagnosticados com este desvio da coluna vertebral todos os anos, correndo graves riscos de desenvolverem sérios problemas de saúde caso não seja diagnosticada precocemente e tratada da melhor forma possível.

Apesar de muito frequente, este ainda é um problema que precisa ser melhor difundido e compreendido, a fim de que os jovens não tenham que sofrer consequências severas em seu futuro.

Dentre todas as tipologias de escoliose conhecidas, a idiopática é, certamente, a mais frequente diagnosticada em crianças e adolescentes. De acordo com a OMS, esse tipo acomete mais de 50 milhões de pacientes nessa faixa estaria ao redor do mundo. Suas características e níveis de evolução costumam apresentar ampla variedade e, apesar de não existir um conhecimento concreto na medicina sobre suas causas, é possível observar alguns pontos em comum sobre seus sintomas.

Geralmente, as escolioses idiopáticas diagnosticadas antes dos oito ou dez anos costumam evoluir para casos mais graves, uma vez que o potencial de crescimento da curvatura da coluna é maior.

Já aquelas identificadas após essa idade, no período conhecido como o esporão de desenvolvimento do adolescente, tendem a desenvolver para um desvio do tronco para lateral ao longo do crescimento do paciente.

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Ambos podem acarretar diversos problemas de saúde quando não tratados corretamente, o que torna sua descoberta precoce um fator crucial para evitar estes cenários.

Para crianças menores, a recomendação mais comum é o uso do gesso corretivo para o desvio identificado, extremamente benéfico para a correção do problema. Mas, naquelas mais velhas e com uma curvatura superior à 35 graus, o colete é a medida mais vantajosa para evitar sua progressão.

Em 70% dos casos, pode até mesmo impedir a necessidade de cirurgia para os pequenos que se encontram na fase mais importante de desenvolvimento infantil, que geralmente ocorre dos 10 aos 17 anos.

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Apesar deste ser um problema tão frequente em jovens do mundo inteiro, pouco ainda é compreendido sobre o volume de diagnósticos e suas consequências quando não tratados devidamente e em tempo hábil.

Fora os perigos à própria saúde das crianças e dos adolescentes, não é incomum observar casos de depressão e bullying decorrentes da inevitável mudança física ocasionada por esta curvatura – principalmente, no público feminino, que são as que mais sofrem com a escoliose idiopática na adolescência.

Em um levantamento feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), como exemplo, cerca de 40% dos estudantes no país já foram vítimas de bullying na escola. Analisando esse comportamento referente à aparência física.

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Além disso, a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar- PeNSE identificou que as meninas são as que mais são discriminadas por esse aspecto, totalizando 26,5% em relação aos meninos, que representam 19,5%.

Uma realidade preocupante, mas que parece já estar demonstrando sinais de entendimento para sua mudança. Uma proposta recente divulgada pela Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara dos Deputados defende, justamente, o desenvolvimento de uma política nacional de diagnóstico e tratamento da escoliose em crianças e adolescentes.

A medida visa a efetivação de ações voltadas para a detecção precoce deste problema envolvendo a participação da família e da escola; e seu encaminhamento imediato para avaliação de médicos especialistas.

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Na prática, esse diagnóstico em ambiente escolar pode ser favorecido através do Teste de Adams, uma técnica reconhecida internacionalmente na qual, ao se curvar para frente, com os pés e mãos unidos e, sem dobrar os joelhos, se torna mais fácil notar a curvatura da escoliose e a necessidade ou não de ser investigada. Uma manobra simples e prática, que contribui muito para essa análise.

Quando não tratada, a escoliose certamente tenderá a se desenvolver constantemente ao longo da vida, podendo aumentar sua curvatura de um a dois graus por ano após a entrada na fase adulta.

Este é um tema delicado, mas, ao mesmo tempo, essencial de ser difundido cada vez mais em todo o mundo, contribuindo para que seja diagnosticada o mais breve possível e, assim, conduzida para o melhor direcionamento em prol da melhor qualidade de vida às crianças e adolescentes.

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Respondido por:

Dr. Carlos Eduardo Barsotti, cirurgião ortopedista especialista em cirurgias de coluna

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