O que pode afetar a produção de testosterona?
Um dos principais fatores modificáveis relacionados ao comprometimento da produção de testosterona é o excesso de gordura corporal, que gera uma piora da saúde metabólica. Obesidade, resistência à insulina, sedentarismo e alimentação inadequada podem contribuir para redução da testosterona. Sono insuficiente, consumo excessivo de álcool, estresse crônico e restrição calórica exagerada também podem interferir no eixo hormonal.
Em quem treina muito, o problema geralmente não é simplesmente “treinar demais”. O contexto é mais importante. Atletas submetidos a grande volume de treinamento associado a baixa disponibilidade energética, ou seja, quando a ingestão de energia não é suficiente para sustentar exercício e funções fisiológicas, podem apresentar supressão do eixo hormonal e redução da testosterona. Esse fenômeno é descrito principalmente em atletas de resistência e está relacionado ao conceito de baixa disponibilidade energética.
Existe uma idade em que a testosterona começa a cair?
Não existe uma idade em que a testosterona simplesmente “despenca”. Após o início da vida adulta existe uma tendência de redução gradual ao longo dos anos, mas essa evolução varia muito entre os indivíduos.
Na prática, condições metabólicas podem ser tão ou mais importantes que a idade. Obesidade, resistência à insulina, diabetes e síndrome metabólica estão fortemente associadas a níveis mais baixos de testosterona.
Em homens com obesidade, existe inclusive um quadro conhecido como hipogonadismo secundário associado à obesidade masculina, ou MOSH.
Assim, dois homens de 50 anos podem ter perfis hormonais completamente diferentes dependendo de composição corporal, saúde metabólica, medicamentos, doenças associadas e estilo de vida.
E envelhecer não significa, por si só, ter indicação de reposição de testosterona.
Dr. Pedro Bastos, médico urologista e andrologista de Juiz de Fora





