Saúde no Trabalho, com Bianca Vilela A fisiologista do exercício Bianca Vilela dá dicas de exercícios e abordagens para melhorar a saúde no trabalho

Burnout é reconhecido como doença do trabalho. O que muda?

A síndrome passa a ser reconhecida pela OMS e empresas podem ser responsabilizadas juridicamente

Por Larissa Serpa Atualizado em 7 fev 2022, 18h01 - Publicado em 10 fev 2022, 12h55

Já está valendo a nova classificação, pela Organização Mundial da Saúde (OMS), da síndrome de burnout como doença ocupacional. Pela nova CID-11, em vigor desde 1º. de janeiro de 2022, o burnout passa a ser descrito oficialmente como “estresse crônico de trabalho que não foi administrado com sucesso”. A CID, ou Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde, consiste em um documento que funciona como base para identificar doenças e tendências de saúde no mundo todo, fornecendo uma linguagem comum para que profissionais de saúde compartilhem informações em nível global – é uma espécie de glossário de doenças.

De acordo com dados da International Stress Management Association (Isma-BR), mais de 30% da população brasileira sofre com burnout, que é caracterizado pelo esgotamento físico e mental ligado ao trabalho. Isso coloca o Brasil na segunda posição entre os países com maior índice de pessoas afetadas (atrás apenas do Japão). E o número de casos da doença explodiu desde o início da pandemia de covid-19, o que tem a ver com mais profissionais com dificuldades para se adaptar ao trabalho remoto e enfrentando sobrecarga de atividades (somada a falta de estrutura adequada), problemas na comunicação com chefe e colegas, conflitos e falta de autonomia, entre outras queixas comuns que os especialistas associam a causas da sensação de esgotamento profissional. 

Além de sintomas físicos e emocionais como exaustão persistente, problemas para dormir, pressão alta e dores de cabeça, o burnout gera prejuízos ao desempenho e à satisfação profissional – a pessoa fica sem energia, não vê sentido no que faz, sente-se incompetente. Com isso, perde produtividade, falta com frequência e, mesmo quando está presente, não entrega resultados. 

O QUE MUDA

Se, para as empresas, ter em seu time funcionários sofrendo estresse ocupacional já era preocupante por motivos de saúde e performance, agora há que se considerar, também, o risco jurídico e financeiro envolvido. Afinal, o reconhecimento como doença ocupacional obriga a responsabilização e até o pagamento de indenização a trabalhadores com diagnóstico de burnout que recorrerem à Justiça.

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Encontrar equilíbrio entre vida pessoal e profissional e estratégias de autocuidado para prevenir o adoecimento é uma responsabilidade de cada indivíduo. Mas as empresas, mais do que nunca, precisam apoiar seus colaboradores na busca por saúde e bem-estar. 

Estou há quase duas décadas inserida no mundo corporativo, desenvolvendo programas e ações para os colaboradores e acredito demais na harmonia entre contratante e contratado. Palestras, workshops, atividades interativas e muitos conteúdos sobre alimentação saudável, saúde mental e mindfulness, saúde preventiva e longevidade, ergonomia, gestão do tempo e outros temas que impactam o nosso dia a dia e bem-estar serão fundamentais para que a saúde de todos tenha protagonismo. 

Encontrar o equilíbrio torna-se fundamental. Que tal abrir esta comunicação dentro da sua empresa? Precisamos dar o primeiro passo!

 BIANCA VILELA é autora do livro Respire, mestre em fisiologia do exercício pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), palestrante e produtora de conteúdo. Desenvolve programas de saúde in company em grandes empresas por todo o país há mais de 15 anos. Na Boa Forma fala sobre saúde no trabalho, produtividade e mudança de hábitos. 

Instagram: @biancavilelaoficial

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