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Mindfulness e sono: além da higiene do sono

Por Luiza Bittencourt
1 mar 2026, 18h00 •
Mindfulness e sono além da higiene do sono
Mindfulness e sono: além da higiene do sono | (freepik/Freepik)
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  • Dormir bem deixou de ser apenas uma questão de “ir para a cama cedo” ou desligar o celular tantas horas antes de dormir. A ciência tem mostrado que os processos que sustentam o sono envolvem uma complexa interação entre pensamento, regulação emocional e estados neurofisiológicos ao longo do dia.

    E aqui a prática de Mindfulness ( atenção plena) emerge com resultados promissores, com impacto real e mensurável sobre a qualidade do sono.

    Eu mesma passei a maior parte da minha vida sem dormir. Desde criança, tinha insônia. Ainda jovem, tive que começar a tomar remédio para dormir e isso me acompanhou durante pelo menos 10 anos. Mesmo assim não dormia direito e acordava exausta no dia seguinte, com vários efeitos colaterais.

    O que salvou minha saúde e meu sono foi a prática constante de Mindfulness. Comecei a praticar e também meditava antes de dormir para ajudar a acalmar a minha mente super agitada.

    Em poucos meses meu sono melhorou. E tive alta do remédio para insônia.

    Ao contrário da tradicional higiene do sono (que foca comportamentos como ambiente escuro, temperatura do quarto e rotinas), Mindfulness atua diretamente sobre a regulação da mente e do sistema nervoso, especialmente em contextos de estresse, ansiedade e ruminação mental: fatores que hoje sabemos serem algumas das causas mais prevalentes de distúrbios do sono.

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    Por que a prática regular de Mindfulness pode melhorar o sono?

    1. Redução de pensamentos repetitivos e preocupação pré-sono

    A insônia muitas vezes começa quando a mente entra em um ciclo de pensamentos sobre o dia que passou ou sobre tarefas do dia seguinte.

    Estudos que analisaram indivíduos com maior mindfulness mostram que eles relatam melhor qualidade subjetiva do sono e maior sensação de calma durante a noite, correlacionando pontuações de atenção plena com percepções mais profundas e tranquilas do descanso noturno.

    2. Regulação emocional e estresse fisiológico

    Diversas pesquisas apontam que a prática regular de Mindfulness melhora a capacidade de regulação emocional e reduz a ativação do eixo hipotalâmico-pituitário-adrenal, o mesmo sistema que, quando sob estresse crônico, atrapalha a transição para o sono profundo.

    Isso significa que, ao aprender a perceber pensamentos sem lutar contra eles, as pessoas experimentam menor ansiedade e maior facilidade para “desligar” a mente à noite.

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    3. Evidência clínica em transtornos de sono

    Meta-análises de estudos clínicos demonstram que programas formais baseados em Mindfulness (como o Mindfulness-Based Stress Reduction – MBSR) melhoram significativamente a qualidade do sono e reduzem sintomas de depressão e ansiedade em pessoas com insônia, quando comparados a grupos controle.

    Além disso, análises sistemáticas mostram efeitos positivos em adultos com distúrbios de sono, inclusive em idosos, sugerindo Mindfulness como uma intervenção útil para quem tem dificuldades crônicas com o sono.

    Mindfulness vai além da cama

    Uma das descobertas mais interessantes da literatura recente é que a pratica regular de Mindfulness não melhora o sono apenas por criar um ambiente físico favorável, mas atua no “hardware” e no “software” do cérebro:
    Mindfulness reduz a propensão à procrastinação antes de dormir, ajudando a manter rituais mais saudáveis.

    Ao promover aceitação dos estados internos, diminui a luta mental contra a insônia, que sozinha já mantém o cérebro em alerta.

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    Técnicas de atenção plena modificam os padrões de ativação neural relacionados à vigilância e ao medo, áreas que se ativam excessivamente quando não dormimos bem.

    Como aplicar essa ciência no dia a dia?

    Mindfulness não precisa ser complexo para ser eficaz. Incorporar práticas simples: como observar a respiração, escanear o corpo ou fazer uma curta meditação guiada antes de dormir ajuda a desacelerar a mente e preparar o sistema nervoso para o descanso.

    A consistência é a chave: a prática diária, mesmo que breve, constrói uma base neural que favorece a transição para o sono profundo.

    Em resumo: Para além de boas práticas comportamentais à noite, Mindfulness oferece uma abordagem neuropsicológica poderosa para dormir melhor.

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    Ele trabalha na fonte do problema, a mente agitada e emocionalmente reativa que muitas vezes nos mantém acordados. E isso é algo que nenhuma checklist de higiene do sono consegue abordar sozinha.

    Para aprender mais sobre Mindfulness: @luizabittencourtmindful

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