
Você tem se percebido completamente imerso em um fluxo infinito de conteúdo, pulando de vídeo em vídeo, rolando o feed sem perceber o tempo passar, ou até mesmo repetindo sem parar as mesmas ideias e informações na sua mente? Se sim, você pode estar experienciando o que muitos chamam de brainrot.
O termo brainrot (que pode ser traduzido como “apodrecimento cerebral”) surgiu como palavra eleita de 2024 pelo dicionário Oxford como uma maneira informal e exagerada de descrever o efeito de consumir compulsivamente conteúdos de baixo estímulo cognitivo, como memes, vídeos curtos e discussões superficiais.
Porém, ele foi se popularizando para descrever um estado mental caracterizado pela dificuldade de concentração, pensamentos fragmentados e uma sensação de exaustão mental devido ao excesso de estímulos pouco nutritivos para o cérebro.
E isso está relacionado ao uso excessivo das redes sociais, ao consumo desenfreado de conteúdos virais e à dificuldade de focar em atividades que exigem esforço intelectual contínuo.
Isso acontece porque nosso cérebro tem um viés para buscar recompensas rápidas e fáceis, entretanto, na era digital, nunca houve tantas formas de satisfazer essa necessidade de maneira instantânea.
E quanto mais consumimos esse tipo de conteúdo, mais nosso cérebro se adapta a ele e menos tolerância temos para atividades que exigem esforço mental prolongado, como ler um livro, estudar ou até mesmo ter uma conversa profunda.
Em um cenário em que estamos sempre correndo para consumir o próximo pedaço de entretenimento, fica difícil desacelerar e focar em atividades que realmente nutrem nossa mente e alma.
Embora o consumo de entretenimento rápido não seja um problema por si só, ele pode trazer impactos negativos quando excessivo. Prejudicando a concentração, reduzindo a capacidade de foco em atividades prolongadas, e diminui a tolerância ao tédio, tornando difícil encontrar prazer em momentos mais lentos.
O excesso de estímulos leva ao esgotamento mental, dificulta a criatividade e favorece pensamentos superficiais. Além disso, pode aumentar a ansiedade, gerar insatisfação constante e comprometer a qualidade do sono devido ao uso excessivo de telas antes de dormir.
Como lidar com o brainrot?
Se você sente que sua mente está constantemente sobrecarregada e dispersa, há maneiras de retomar o controle e cultivar uma vida mais presente e consciente. Aqui estão algumas dicas para lidar com o brainrot:
Pratique o consumo consciente, com intenção
Em vez de apenas rolar o feed sem propósito, pergunte-se: “Por que estou consumindo este conteúdo? Isso agrega algo positivo para mim?”
Reaprenda a se entediar
Permita-se momentos sem distração, como esperar na fila sem mexer no celular. O tédio pode ser um grande estímulo para a criatividade.
Invista em conteúdos mais profundos
Troque vídeos curtos e memes por livros, documentários e podcasts que expandam seu conhecimento.
Reduza a multitarefa
Tente se concentrar em uma atividade por vez, seja lendo um livro, assistindo a um filme sem mexer no celular ou escrevendo sem distrações.
Dê espaço para o silêncio
Permita-se momentos de reflexão sem música, vídeos ou notificações.
Pratique atividades criativas
Desenhar, escrever, tocar um instrumento ou cozinhar sem distrações podem ajudar a recuperar a profundidade do pensamento.
Valorize o mundo real
Conecte-se com pessoas cara a cara, observe o ambiente ao seu redor e resgate o prazer das interações humanas autênticas.
O brainrot pode ser um reflexo do mundo digital acelerado em que vivemos, mas isso não significa que estamos fadados a uma vida de distração constante.
Ao adotarmos hábitos mais conscientes, podemos recuperar nossa capacidade de foco, reflexão e criatividade. Nosso cérebro é plástico e adaptável e, com escolhas mais intencionais, podemos cultivá-lo para uma vida mais rica, equilibrada e presente.
Que tal começar hoje? Escolha uma das dicas e experimente aplicá-la na sua rotina. Pequenos passos podem trazer grandes mudanças na forma como sua mente se sente e responde ao mundo ao seu redor!