Regina Chamon: médica da Lapinha SPA, a @drasanguebom une a medicina com as práticas de bem-estar para te inspirar a cultivar corpo, mente e coração mais saudáveis todos os dias Saúde sem estresse, por Regina Chamon Regina Chamon une a medicina com as práticas de bem-estar para te inspirar a cultivar corpo, mente e coração mais saudáveis

A bicicleta, o cão de guarda e o estresse

Entender como funciona a nossa amígdala cerebral, responsável por liberar cortisol e adrenalina, pode nos ajudar a encontrar mais saúde e bem-estar

Por Reginha Chamon 29 nov 2021, 13h00

Eu morro de medo de andar de bicicleta. Quando tinha 11 anos, no meu primeiro dia de férias, levei um baita tombo. Ralei o joelho, as costas e quebrei a clavícula. Passei as férias engessada. Nunca mais andei de bicicleta.

Passadas algumas décadas fui viajar de férias com meu namorado, que é ciclista. Estávamos em uma ilha maravilhosa e queríamos ir a uma praia que disseram ser a mais bonita do local, mas para chegar lá, advinha? Tinha que ir de bicicleta. Quando eu ouvi isso imediatamente meu coração acelerou.

O namorado estava tão empolgado que não vi muita solução senão enfrentar o meu medo. Resolvemos alugar uma dessas bicicletas que tem dois bancos enfileirados. Ele ia na frente conduzindo e eu atrás, tinha apenas que me manter pedalando. Fomos fazer um teste antes de alugar que era apenas andar uns duzentos metros em uma ruazinha de terra.

Meu coração parecia que ia sair pela boca. A respiração ficou curta, pequenininha mesmo e a mão super gelada. Na minha cabeça a única coisa que passava era o tombo que eu tinha levado. Eu não conseguia enxergar nada ao redor, nem as pessoas caminhando, nem o porto da ilha, nem as árvores.

Eu gosto de contar essa história porque tudo o que eu senti é exatamente o que acontece quando nosso corpo liga a tal da resposta de estresse. Isso acontece porque a gente (não só os humanos, mas todos os animais) tem um mecanismo de proteção que é instintivo. Sempre que nosso cérebro percebe uma ameaça ou um desafio ele imediatamente manda uma mensagem para o corpo reagir.

A área que dispara essa mensagem é uma região do cérebro mais primitivo: a amígdala cerebral. Ela é como um cão de guarda, sai latindo e só depois o resto de cérebro se vira para saber se era uma ameaça de verdade ou alarme falso. Mas até isso acontecer, já reagimos. Essa resposta do corpo se chama Resposta de Luta ou Fuga.

Quando a amígdala dispara, uma parte do nosso sistema nervoso, chamada Simpático, se ativa e temos uma descarga muito grande de dois hormônios principais, cortisol e adrenalina. Tudo acontece para que o corpo tenha uma ação para a gente se proteger:

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  • o coração bate mais rápido,
  • a pressão sanguínea aumenta,
  • a respiração acelera.

Com isso o sangue circula melhor e há mais oxigênio chegando para as nossas células. O corpo também começa liberar mais açúcar na corrente sanguínea e com mais oxigênio e glicose, as células podem trabalhar melhor. Alguns músculos, como o das pernas e da região do pescoço e ombros, ficam tensos, a digestão e o processo reprodutivo são interrompidos. O cérebro fica bem alerta para tomarmos decisões rápidas.

Imagine que em situações pontuais, como ter um prazo para entregar um trabalho ou fugir de um assalto, essa resposta é maravilhosa! É isso mesmo, o estresse agudo nos ajuda a ter um bom desempenho, estarmos mais aptos a resolver problemas e sermos mais criativos.

O que acontece nos tempos modernos é que os fatores que nos ameaçam ou nos desafiam estão mais relacionados com os nossos próprios pensamentos e por isso mesmo eles não vão embora rapidamente. Ficam ali dentro da cabeça o dia (e a noite) todo com a gente.

Mesmo pequenos desafios da vida diária fazem com que o corpo precise se adaptar e promovem a resposta de estresse: acordar atrasado, não encontrar uma roupa que você se sinta bem, os compromissos e metas de trabalho, o acúmulo de funções entre trabalho e casa, e até coisas boas como aquela promoção no emprego.

Tudo isso vai fazendo com que a resposta de estresse fique ligada e ao final do dia passamos o dia todo com o corpo funcionando muito acelerado, sem nem um momento de recuperação.

Para lidar com os acúmulos dessas microdoses diárias de estresse e cultivar uma vida com mais saúde e bem-estar é preciso ter pequenos antídotos ao longo do dia que nos permitam uma recuperação breve.

Fazer uma lista com aquelas situações que você sente que recarregam a sua bateria pode ser extremamente útil para que você conheça melhor quais os antídotos que funcionam bem para você. Coisas simples como pausar para uma xícara de chá, fazer algumas respirações conscientes, assistir a um vídeo do seu filho fazendo gracinha podem quebrar o ciclo de acúmulo do estresse e trazer pequenos momentos de recuperação que, quando somados, são um potente caminho para cultivar a saúde e o equilíbrio!

Regina Chamon (@drasanguebom) é médica da Lapinha Spa. Une a medicina com as práticas de bem-estar para te inspirar a cultivar corpo, mente e coração mais saudáveis todos os dias.

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