A balança subiu? Calor pode aumentar retenção de líquidos e mascarar emagrecimento

Entenda por que o peso na balança pode variar de repente, desvendando o papel da retenção de líquidos e outros fatores

Por Redação Boa Forma Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 7 nov 2026, 20h00
Balança digital branca com tela retangular escura, posicionada sobre um fundo de madeira clara com tábuas horizontais
A balança subiu? Calor pode aumentar retenção de líquidos e mascarar emagrecimento | (Magnific/Magnific)
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A balança subiu? Calor pode aumentar retenção de líquidos e mascarar emagrecimento Priorizar nos meus resultados Google

Quem está tentando emagrecer provavelmente já passou por uma situação frustrante. Segue a alimentação, mantém a rotina de exercícios e, de repente, o peso na balança sobe.

Mas, antes de concluir que todo o esforço foi em vão, é preciso entender que o peso corporal não representa apenas gordura. A quantidade de água presente no organismo também pode variar e provocar alterações perceptíveis de um dia para o outro.

“Com o aumento das temperaturas, essas oscilações podem ficar mais evidentes. Isso porque o calor provoca alterações na circulação e dilata os vasos sanguíneos, o que favorece o acúmulo de líquido nos tecidos”, explica a médica nutróloga Dra. Marcella Garcez, diretora e professora da Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN).

“Uma variação rápida de peso não significa necessariamente que a pessoa ganhou gordura. Para acumular alguns quilos de gordura, seria preciso consumir muito mais calorias do que se gasta, enquanto a água do corpo pode variar de forma bem rápida. Por isso, uma subida na balança precisa ser interpretada dentro do contexto”, afirma a nutróloga.

Segundo a cirurgiã vascular Dra. Aline Lamaita, mestre em Ciências pela Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, durante o verão, é comum que os problemas de circulação piorem por causa da dilatação dos vasos das pernas, o que pode provocar dores, inchaço e câimbras.

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“Essa alteração na circulação pode fazer com que o líquido saia dos vasos e se acumule nos tecidos, especialmente nas pernas e nos pés, fazendo com que algumas pessoas terminem o dia com pernas, pés ou tornozelos mais inchados”, destaca a médica.

O efeito tende a ser mais perceptível quando a pessoa passa muito tempo na mesma posição.

Retenção de líquido e edema são a mesma coisa?

De acordo com a Dra. Marcella, termos como retenção de líquido e edema costumam ser usados como sinônimos no dia a dia, mas não são exatamente a mesma coisa.

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“A retenção de líquidos é uma expressão mais ampla, usada para descrever o aumento da quantidade de líquido no organismo ou a distribuição inadequada. Já o edema é um sinal clínico caracterizado pelo acúmulo de líquido no espaço entre as células, o que pode provocar aumento de volume em determinada região”, diz a nutróloga.

“Na prática, uma pessoa pode sentir inchaço, perceber aumento da circunferência de algumas partes do corpo e até notar uma diferença significativa na balança sem que isso signifique ganho de gordura”, acrescenta Garcez.

O fenômeno pode ser influenciado por diversos fatores do dia a dia, como maior consumo de sódio, alterações hormonais, ingestão de bebidas alcoólicas, mudanças na rotina alimentar, longos períodos sentado ou em pé e aumento da temperatura.

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“O peso também pode oscilar por causa do que está no estômago e no intestino e da quantidade de glicogênio, que é a reserva de energia dos carboidratos guardada principalmente nos músculos e no fígado e que fica associada à água no organismo”, fala a Dra. Marcella Garcez.

Quando alguém está emagrecendo, olhar apenas para o número da balança pode levar a uma interpretação equivocada. O peso corporal é dinâmico e pode variar por diferentes motivos. Uma oscilação pontual não deve ser automaticamente vista como recuperação de gordura.

E, enquanto a perda de gordura é relativamente gradual, o peso relacionado à água pode mudar em um intervalo de tempo muito menor. “O ideal é observar tendências e não transformar uma única pesagem em um diagnóstico sobre o resultado da dieta”, orienta a Dra. Marcella.

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Cuidados importantes

Manter uma boa hidratação, evitar o excesso de alimentos ricos em sódio, se movimentar com regularidade e não passar longos períodos na mesma posição são algumas medidas que podem ajudar no dia a dia. 

“A prática de exercício físico mantém a panturrilha funcionando bem. Precisamos lembrar que ela é o nosso coração nas pernas. E responsável por ajudar o sangue a voltar das pernas para o coração”, explica a Dra. Aline. 

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Quando se preocupar?

Embora a retenção de líquidos possa fazer parte das variações normais do organismo, aumentos rápidos e expressivos de peso acompanhados de inchaço não devem ser automaticamente atribuídos ao calor ou à alimentação. Nesses casos, é importante avaliar cada situação individualmente para identificar a causa.

“Na maioria das vezes, o corpo se reorganiza aos poucos em alguns dias ou semanas, à medida que a inflamação diminui e a circulação linfática volta a funcionar normalmente. Porém, quando há lesão nos vasos linfáticos, trombose, infecção associada ou predisposição a doenças circulatórias, o inchaço pode se prolongar e exigir acompanhamento”, fala Lamaita.

Fisioterapia vascular, drenagem linfática, controle do sal e voltar a se movimentar o quanto antes ajudam na recuperação e evitam que a retenção se torne crônica.

“Quando o ganho de peso é muito rápido, como 5 a 10 kg em poucos dias, é importante investigar outras causas, como problemas no coração, nos rins ou no fígado”, finaliza a Dra. Aline.

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