Benefícios da creatina além da academia: o que a ciência tem investigado?
A creatina vai além da academia. Novos estudos revelam seu potencial para o cérebro, fadiga do sono e como adjuvante na depressão
Quando se trata de suplementação e prática de atividades físicas, a creatina se destaca como uma das substâncias mais estudadas e seguras que existem. Ela costuma contribuir positivamente para ganho de força, potência e construção de músculos, desde que combinada ao treinamento de força e à dieta adequada.
Entretanto, o que muitas pessoas não sabem é que, nos últimos anos, a ciência têm investigado outros potenciais benefícios da creatina que não se limitam apenas à questões fitness. Os resultados ainda são parciais e alguns efeitos são mais consistentes do que outros.
A seguir, descubra três frentes que vêm sendo estudadas por pesquisadores e que podem ampliar a compreensão a respeito dos impactos da molécula no organismo:
Benefícios da creatina além da academia: o que a ciência tem investigado?
1. Função cognitiva
O cérebro é um dos órgãos que mais consomem energia no nosso organismo. Ele depende de um suprimento constante de ATP, a principal “moeda energética das células”.
Ao que tudo indica, a creatina pode ter participação na reciclagem de ATP não apenas nas fibras musculares, mas também nos neurônicos. Com isso, pode colaborar positivamente para o desempenho cognitivo, como mostra uma meta-análise divulgada em 2024 na Frontiers in Nutrition.
A pesquisa reuniu 16 ensaios clínicos randomizados com quase 500 participantes, e concluiu que a suplementação da substância pode desempenhar um papel interessante na atenção, na memória e na velocidade de processamento de informações.
Contudo, ainda são necessários mais estudos para uma confirmação desses efeitos e determinar a influência de fatores como perfil dos participantes, duração da suplementação e a quantidade de creatina monohidratada utilizada.
2. Redução dos efeitos da fadiga por privação de sono
Um estudo publicado em 2024 na Scientific Reports apresentou resultados que sugerem que a creatina pode auxiliar na preservação do estado energético do cérebro, mesmo sob privação severa de sono.
3. Apoio no tratamento de depressão
“A creatina também vem sendo estudada por seu papel no metabolismo energético cerebral em pessoas com depressão”, afirma Ana Cristina Gutiérrez, nutricionista esportiva, Mestre em Nutrição e membro do conselho consultivo de nutrição da Herbalife.
Nesse contexto, o objetivo não é a substituição de antidepressivos, mas sim a suplementação de creatina como uma potencial estratégia complementar.
Um ensaio clínico randomizado publicado no American Journal of Psychiatry mostrou que mulheres com transtorno depressivo maior que receberam creatina associada a um antidepressivo da classe dos ISRS tiveram uma resposta mais rápida e mais intensa ao tratamento em comparação às que usaram apenas o antidepressivo com placebo.
Os resultados são promissores, mas ainda são requeridas pesquisas maiores para confirmar o efeito da creatina como adjuvante no tratamento de depressão.
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