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Carol Borba: movimento e propósito do ícone fitness

Capa da nossa primeira edição de 2026, a educadora física fala sobre a paixão pelos exercícios físicos e sua presença nas redes sociais

Por Juliany Rodrigues
12 jan 2026, 12h00 • Atualizado em 12 jan 2026, 12h35
carol borba capa de janeiro de 2026
Styling: Leca Amorim | Body Brazil Del Mar, Jaqueta Jeans Animale, Polaina Calzedonia, Tênis Fila | (Antonio Neto/BOA FORMA)
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  • Com perfis que somam milhões nas redes sociais e alcançam muito além dos amantes de academia, Carol Borba se tornou um dos nomes de referência do fitness digital no Brasil.

    Seu posicionamento, que se baseia no movimento como pilar indispensável para a saúde e a autonomia, está longe de defender um “corpo ideal” e “resultados rápidos”. Segundo ela, o caminho para preservar um corpo funcional e uma mente ativa ao longo dos anos deve ser construído com constância, informação e propósito — e a atividade física deve ocupar um lugar possível na rotina, sem culpa, sem punição e sem comparações.

    Para Carol, o corpo é a “máquina que nos leva aos nossos sonhos”, afinal, tudo o que queremos conquistar inevitavelmente envolve ele.

    A partir dessa premissa, a educadora física une conhecimento, autoridade e vivência prática para provar como os hábitos saudáveis podem transformar a relação das pessoas com a própria vida.

    E cuidar do bem-estar não inclui apenas exercícios, mas também descanso, gerenciamento do estresse e mais… “Por muito tempo, as pessoas viam essas coisas separadas: saúde mental, saúde espiritual, saúde física… mas a gente é um só. Tudo está conectado, misturado, então é preciso olhar para tudo isso”, relata Borba, que é a estrela da capa da edição de janeiro/2026 de Boa Forma.

    Leia a entrevista completa a seguir!

    Movimento que transforma

    Como surgiu a sua paixão pelo movimento?

    Eu sempre fui uma menina muito tímida e, na escola, tinha dificuldade até de fazer amizade, de me comunicar. Sou filha única, então esse estímulo de ter alguém por perto — até para facilitar o acesso a outras pessoas — sempre me faltou.

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    Nas aulas de educação física, eu tinha muita vergonha. Tinha vergonha de fazer vôlei, basquete, tudo isso na escola. Acabou que eu fui para uma academia praticar dança, fazer jazz, quando eu tinha 7 anos.

    Eu sempre fui apaixonada por música desde criança, e a dança me trouxe essa conexão da música com o movimento. Comecei a me soltar mais e fiz amizade com as pessoas da academia. Comecei a fazer muita amizade com as meninas da dança, que viraram minhas amigas.

    Também comecei a ver muitas mulheres fazendo exercício na academia. Era a época daquelas roupas supercoloridas, body por cima da calça ou da legging, faixa no cabelo. Eu achava lindo. Era criança e ficava observando.

    Então, acabava uma aula de ginástica localizada e começava a aulinha de jazz, e eu ficava admirando aquelas mulheres treinando. Eu achava demais.

    O movimento, o exercício, transformou a minha vida. Me fez ser mais extrovertida, mais confiante com o meu corpo. Passei a participar de apresentações, de eventos, de festivais de dança. Isso foi me deixando uma pessoa mais leve — uma criança e, depois, uma adolescente mais leve, mais confiante.

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    Quando eu precisei decidir qual carreira seguir, isso estava muito claro para mim, mas ao mesmo tempo não. Vivi um conflito, porque sempre fui muito caxias com a escola, muito dedicada, e pensava: “Vou fazer educação física… será que isso vai ser bom? Será que vai me dar retorno financeiro?”. Eu tinha muitas dúvidas.

    Então, em um primeiro momento, falei: “Vou estudar para fazer medicina”.

    Comecei a estudar muito e parei de frequentar a academia, porque com 13 anos eu já tinha começado a fazer aquelas aulas que eu via antes das minhas aulas de dança. Continuei na dança e passei a frequentar as aulas de ginástica localizada que tanto me encantavam.

    Eram aulas pré-coreografadas, cada uma com um objetivo, mas todas com muita música, e a gente fazia o exercício em cima da música. Como eu já era apaixonada por música e por exercícios, aquilo foi a combinação perfeita para mim. Aquilo me encantou.

    Só que, na hora de escolher a profissão, eu continuei no impasse: vou pela minha paixão ou vou pelo que todo mundo fala que é o certo, que dá retorno?

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    Eu passei em uma faculdade de medicina, mas, para isso, precisei estudar muito e parar de frequentar a academia, porque eu tinha que otimizar meu tempo para os estudos. Isso me fez muita falta, muita falta mesmo. Aí eu cheguei para conversar com a minha mãe e falei: “Mãe, acho que eu não quero fazer medicina. Acho que eu quero fazer educação física”.

    Ela respondeu: “Então vai, mete a cara e vai”. E eu falei: “Mas e o retorno financeiro? Será que isso vai ser bom para mim no futuro?”. Minha mãe disse: “Quando a gente faz aquilo que ama e se dedica, a gente tem sucesso. É só você fazer isso”.

    E foi dito e feito. Entrei na faculdade de educação física e foi aí que tudo deslanchou de verdade.

    É muito difícil identificar a nossa paixão. No momento da escolha da profissão, a gente é muito jovem. Com 17 anos, você tem que decidir o que vai fazer para o resto da vida. É complicado.

    Eu tive a sorte de descobrir a minha pelo movimento. Eu poderia até ter ficado confusa, pensando: “Mas eu não sou boa em nenhum esporte”. Porque eu sou péssima em esportes, nunca pratiquei nada. Se me colocarem uma bola de vôlei na mão, eu não sei nem o que fazer.

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    Mas, quando eu consegui identificar dentro de mim a paixão pelo exercício, pelo movimento junto com a música, eu entendi que era isso que eu queria fazer para o resto da minha vida. Hoje, eu faço do meu hobby a minha profissão — e o meu hobby me dá retorno financeiro.

    carol borba capa de janeiro de 2026
    Styling: Leca Amorim | Body Brazil Del Mar, Jaqueta Jeans Animale, Polaina Calzedonia, Tênis Fila | (Antonio Neto/BOA FORMA)

    Qual foi o momento mais desafiador da sua trajetória profissional?

    Eu nunca tive vontade de desistir da educação física, das aulas, porque logo no primeiro ano de faculdade — como eu já tinha vivido muito isso antes de entrar na graduação — eu já tinha muita experiência com aulas de ginástica, treinos e tudo mais.

    Eu nunca pensei em desistir. Na verdade, quando eu entrei, eu me encontrei. Mas acho que o momento mais desafiador foi quando eu estava muito cansada.

    Quando eu entendi que aquilo tudo me fazia muito bem, eu também percebi que estava extremamente cansada. A profissão de educador físico é muito difícil nesse sentido: a gente trabalha muito, trabalha com o corpo, com movimento, com atividades cansativas.

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    Era o dia inteiro, começando às seis da manhã, parando para almoçar e depois indo até dez da noite. Então, o momento mais desafiador foi quando o cansaço bateu de verdade.

    E quando o cansaço bateu, veio uma segunda virada de chave. Eu fiquei pensando: “E agora, o que eu faço?”. Porque, naquele momento, eu já era coordenadora de uma grande academia, já dava todas as aulas que eu queria, tinha muitos alunos de personal, mas eu não queria ser dona de academia. Aquilo não passava pela minha cabeça. Então eu pensei: “Para onde eu vou agora?”.

    Esse foi um desafio que acabou abrindo os meus olhos para outra possibilidade, que foi a carreira no digital.

    Quando a minha mentora falou para mim: “Bom, você quer mudar de profissão? Você está me dizendo que precisa ganhar mais e trabalhar menos, porque o cansaço bateu”, eu respondi: “Não, eu não quero mudar de profissão, é isso que eu amo”.

    Ela falou: “Então tá bom. Em vez de dar aula para 30 pessoas, você vai ter que dar aula para 30 mil”. E eu perguntei: “Mas como é que faz isso?”. Ela respondeu: “Pelo YouTube. Entra no YouTube”.

    Então, esse cansaço abriu os meus olhos para outra coisa. Mas, claro, vieram outros desafios, porque eu não podia abrir mão da minha fonte de renda daquele momento, que era o trabalho dentro da academia, no presencial, para simplesmente entrar no digital.

    Entrar no digital exigiu muito estudo, muita dedicação, investimento financeiro e investimento de tempo. Eu só tinha sábado, domingo e feriado para gravar, porque durante a semana eu estava trabalhando. Mas aquilo acabou sendo a minha grande oportunidade.

    Eu acreditei em algo que não existia, em algo que eu nunca tinha me visto fazendo e que nunca tinha sido um sonho meu, porque aquilo simplesmente não existia antes para mim.

    Eu acreditei, o cansaço ainda piorou por um tempo, mas depois ele reverteu. E aí eu pude deixar o trabalho físico e ficar somente no digital.

    carol borba capa de janeiro de 2026
    Styling: Leca Amorim | Body Brazil Del Mar, Jaqueta Jeans Animale, Polaina Calzedonia, Tênis Fila | (Antonio Neto/BOA FORMA)

    O que você descobriu sobre si mesma no processo de ensinar outras pessoas a se movimentarem?

    Eu acho que eu passei a ser muito mais empática, porque você entra em contato com muitas situações diferentes. As pessoas, quando se identificam e se conectam com você, mesmo que digitalmente, elas se abrem. Elas se sentem seguras para falar coisas que você nem imaginava que existiam.

    Na minha realidade, eu trabalhava dentro de uma academia e tinha pessoas ali para quem o exercício já fazia parte da vida. Mas, no digital, eu me deparei com pessoas que começaram a treinar comigo dentro de casa. Pessoas com muita vergonha do corpo me diziam: “Comecei a treinar em casa e, quando eu me sentir mais confiante, vou para a academia”.

    Quando eu entendi o tamanho do público que realmente não tinha tempo — pessoas que treinavam quatro horas da manhã, que se esforçavam muito para colocar o exercício na rotina — eu falei: “Esse é o meu nicho”.

    Isso me deixou muito segura da escolha que eu tinha feito. Antes eu pensava: “Vou fazer um pouco disso, um pouco daquilo”. E, naquele momento, eu entendi: “Não, é isso aqui que eu tenho que fazer”.

    Esse contato me tornou mais empática e abriu meus olhos para outras realidades. Foi extremamente relevante para a minha carreira, porque eu também passei a receber um carinho que eu nunca tinha recebido antes.

    Até agora, inclusive depois que eu tive filho, eu passei por um momento bem desafiador. A minha gestação foi de risco, então eu tive que ficar deitada. Eu pensei: “Nossa, e agora? Meu trabalho vai por água abaixo”. E aconteceu exatamente o contrário. As pessoas me devolveram carinho, me devolveram apoio. Foi um momento especial demais.

    Eu acho que essa troca é muito poderosa quando a gente constrói uma comunidade forte. Para mim, eu estava simplesmente fazendo o meu trabalho, mas, para outras pessoas, aquilo era muito importante: era motivação, era ganho de autoestima. E essas pessoas me devolviam tudo isso em forma de carinho.

    É uma troca poderosa demais.

    carol borba capa de janeiro de 2026
    Styling: Leca Amorim | Body Brazil Del Mar, Jaqueta Jeans Animale, Polaina Calzedonia, Tênis Fila | (Antonio Neto/BOA FORMA)

    A vida além dos feeds

    Quais os seus principais propósitos hoje como influenciadora fitness?

    Eu acho que é continuar influenciando bons hábitos e mostrando para as pessoas que é muito possível se amar mais. Não estou falando de padrão de corpo, porque as pessoas estão o tempo todo em contato, nas redes sociais e na internet, com padrões.

    Não é sobre estar dentro de um padrão, nem sobre seguir à risca o que todo mundo está fazendo. É sobre se olhar no espelho e se amar. Quando a gente não se ama, nada na nossa vida flui.

    Se você não se ama, acorda, olha no espelho, coloca qualquer roupa e nenhuma parece ficar boa. Você já sai de casa de mau humor, dá uma patada no filho, trata mal o marido, tudo sem querer. É porque o que está dentro da gente não está bem. Então se amar é muito importante.

    Por isso, eu acho que o meu maior objetivo é levar autoestima para as pessoas. Não levar um padrão, mas mostrar que, se elas se alimentarem melhor, vão ter mais disposição e melhorar o humor. Se elas se exercitarem, vão ter uma descarga de hormônios que faz a gente se sentir mais generosa, mais feliz.

    Meu objetivo é fazer com que o exercício entre na casa das pessoas, seja treinando em casa, seja na academia, seja praticando qualquer outra atividade. Mas, principalmente, motivar as pessoas a começarem.

    Agora, eu acabei de completar 40 anos e trabalho com isso desde a casa dos 30. Eu quero continuar sendo muito transparente com as pessoas, mostrando o que está acontecendo no meu corpo e tudo o que está diferente na minha vida.

    Eu quero ser sempre transparente e continuar influenciando, mostrando que, se as pessoas conseguirem dar o melhor delas, mesmo que seja um pouquinho, se conseguirem olhar para si, elas podem ter uma grande reviravolta na vida.

    Como você lida com a pressão de ser referência de muitas pessoas nas redes sociais?

    Quando você se coloca como uma pessoa muito perfeita e inalcançável, você não consegue viver a realidade. Desde que eu comecei a trabalhar com a internet, essa sempre foi uma premissa minha: nunca mostrar algo que não é verdade.

    Eu não uso filtro, não faço Photoshop nas minhas fotos, não faço nada disso. Mesmo que apareça uma imperfeição, mesmo que eu não esteja tão bem naquela foto.

    As cirurgias plásticas que eu fiz — fiz plástica no rosto, no nariz, no queixo — eu sempre fui super transparente. Mostrei tudo. Isso alivia um pouco a carga, porque eu simplesmente arco com as minhas decisões e mostro todas elas.

    Então, se alguém quiser falar mal, discordar ou dar hate, pode. Eu tenho os meus porquês. Eu sempre explico muito, sempre falo muito. Acho que, assim, o peso fica mais leve.

    É óbvio que eu trabalho com o meu corpo, ele é a minha vitrine, então as pessoas acabam reparando muito mais no meu corpo do que em influenciadores de outras áreas. Existe, sim, um certo peso no meu autocuidado, uma cobrança minha. Mas essa cobrança virou hábito, já faz parte da minha vida.

    A minha alimentação é muito saudável, muito regrada, e eu sou feliz com isso. A minha rotina de treinos também me deixa muito feliz, porque é algo que eu amo fazer. Então, existe um equilíbrio grande aí.

    Eu não invento nada, não conto nada que não seja verdade. Não quero parecer perfeita.

    Na minha casa tem discussão. Na minha casa, às vezes eu falo que estou de dieta e meu marido chega com um pote de sorvete para me agradar. Aí eu caio em tentação.

    Eu como pizza no fim de semana, às vezes abro mão de uma coisa ou de outra. Eu acho que essa transparência faz tudo ficar mais equilibrado.

    carol borba capa de janeiro de 2026
    Styling: Leca Amorim | Jaqueta Fila, Sutiã Intimissimi, Hot Pants Intimissimi, Bota Corello |
    sutian intimissimi
    hot pants intimissimi
    bota corello (Antonio Neto/BOA FORMA)

    O que você gostaria que os seus seguidores soubessem e que não aparece no feed?

    Que eu tenho uma vida em família muito real. As pessoas sempre falam: “Ai, que família linda, sua família é linda”. Mas, do lado de cá, tem muita coisa que eu não posso mostrar.

    De vez em quando, eu até mostro uma coisinha ou outra, mas tem coisas mais profundas, crises que a gente passa dentro do casamento. O casamento, como o meu e como o de todo mundo, é uma montanha-russa.

    Então, apesar de estar casada há muito tempo, existem situações que, por respeito às outras pessoas envolvidas, a gente não pode expor.

    Tem também coisas relacionadas ao trabalho. Muitas coisas que eu não posso contar em respeito às marcas com quem já trabalhei e às pessoas com quem trabalho.

    Existe uma vida real, com vários perrengues, tanto no lado pessoal quanto no profissional, que a gente não revela.

    O que diz respeito a mim, eu falo. O que é decisão minha, eu gosto de compartilhar. Mas, especialmente quando envolve outras pessoas, é diferente. São muitos perrengues, muitos tombos, situações difíceis no trabalho, posturas do marido com as quais a gente não fica contente…

    É lembrar que existe uma Carol Borba por trás do feed. Uma pessoa que tem as mesmas dificuldades, que passa pelos mesmos altos e baixos na vida pessoal e profissional, que tem dúvidas, que às vezes erra em uma escolha ou outra.

    carol borba capa de janeiro de 2026
    Styling: Leca Amorim | T-Shirt Fila, Jaqueta Fila, Hot Pants Intimissimi, Bota Corello | (Antonio Neto/BOA FORMA)

    Cuidado com o corpo por inteiro

    Hoje, como você define a sua relação com a comida? O que mudou ao longo dos anos?

    Eu venho de uma família, de uma casa, com uma alimentação totalmente desregrada. Era refrigerante no café da manhã, no almoço e no jantar.

    Mas, como eu desenvolvi essa paixão pelo exercício físico muito cedo, comecei a me interessar também por alimentação saudável desde cedo. Só que, quando veio a rotina muito corrida de trabalhar em academia em três períodos, isso dificultou bastante.

    Eu não conseguia preparar minhas refeições, não conseguia olhar para a minha alimentação com carinho. Era tudo corrido, eu comia a hora que dava, sem planejamento.

    Quando eu entendi que precisava — que eu era realmente uma referência para outras mulheres, quando comecei a trabalhar com a internet — eu falei: “Vou dar uma chance para o meu paladar. Vou tentar fazer uma dieta de verdade”.

    Até então, eu comia pão com Nutella no café da manhã, pipoca doce nos intervalos, pizza frita nos intervalos das aulas de ginástica que eu dava. Todo santo dia era isso. Aí eu falei: “Não, vou dar uma chance para o meu paladar”.

    Meu paladar era muito infantil. Fui ao nutricionista e ele falou: “À noite, você vai comer só proteína e legumes”. E eu não comia legumes. Mas pensei: “Vou fazer isso por um mês”. Eu comi sem gostar. Comi por muito tempo sem gostar.

    Mas, quando eu vi o resultado no meu corpo, da junção do treino bem-feito com a alimentação, aquilo me impulsionou. Esse foi o meu grande motivador para continuar.

    Com o tempo, eu realmente acostumei o meu paladar. Passei a gostar mais de salada, a gostar mais de legumes. Hoje, a minha alimentação é muito equilibrada. Isso já faz alguns anos.

    Um segredo que eu tenho — e que eu falo para todo mundo — é: não fique com fome. Porque, se você estiver com fome e sem planejamento, qualquer coisa vai servir. E o que você vai escolher é sempre o mais prático, e geralmente você exagera: um salgado, uma coxinha, um pastel.

    Eu nunca fico com fome. Eu respeito meus horários. Aprendi que isso faz muita diferença. Tomo café da manhã no horário certo. No lanche da manhã, às vezes nem estou com tanta fome, mas como.

    O lanche da tarde eu não pulo de jeito nenhum, porque, se eu pular, chego no jantar com muita fome. Então, às vezes eu faço o lanche da tarde mesmo sem fome. Manter uma rotina e uma programação faz toda a diferença.

    Como você costuma estruturar a sua alimentação no dia a dia?

    Quando é possível, eu carrego marmita. Como eu viajo bastante, nos dois primeiros dias da viagem eu consigo levar marmita. Depois parece que a coisa fica meio complicada, fica mais difícil.

    Nos dias mais corridos, eu tenho marmitinha pronta. Sempre tenho marmita congelada na minha geladeira — sempre, há anos. Quando eu sei que vou ficar fora de casa ou viajando, eu também carrego barra de proteína. Então, na minha bolsa, sempre tem barra de proteína para aqueles horários mais difíceis de comer.

    Por muitos anos, eu carreguei ovo cozido na bolsa. Quatro, cinco ovos cozidos. Só que, dependendo do lugar onde você está, na hora que abre o potinho… não fica um cheiro muito bom.

    Se eu vou estar em aeroporto ou sei que vou querer comer dentro do avião, eu opto pela barrinha de proteína. Caso contrário, os ovos estão sempre ali.

    Eu também levo shake com whey, banana… tanto que virou até uma piada interna a minha banana. Porque, em qualquer lugar que eu esteja, se eu vejo uma banana dando sopa, eu pego e coloco na bolsa. Então é isso: banana, barra de proteína, ovo cozido, whey… isso sempre está comigo.

    carol borba capa de janeiro de 2026
    Styling: Leca Amorim | Biquíni Brazil Del Mar, Meia Calzedonia, Acessórios Nada Gimenes, Tênis Fila | (Antonio Neto/BOA FORMA)

    Além da musculação, quais outras modalidades você pratica?

    No meu dia a dia, eu faço de tudo. Até por ser profissional da área, eu sinto que preciso vivenciar as modalidades, inclusive aquelas que me trazem mais dificuldade. As pessoas me perguntam sobre tudo, então eu preciso, no mínimo, experimentar para saber responder.

    Hoje, na minha rotina, eu corro, faço musculação, faço treinos em casa e pratico yoga. Tudo isso supre as necessidades que eu tenho com o meu corpo.

    O yoga me ajuda a desacelerar, me dá mais contato comigo mesma e promove flexibilidade. A corrida traz resistência. Os treinos em casa também trabalham resistência. E a musculação me dá segurança para conseguir fazer tudo isso.

    Uma coisa pela qual estou apaixonada é o hot yoga. Quando experimentei o hot yoga, senti aquela intensidade de suar muito, de perceber que estava liberando toxinas… E isso me faz muito bem também.

    Como você encara o descanso hoje? É algo que você realmente prioriza ou ainda é um ponto em construção?

    O descanso, para mim, é o maior desafio e sempre foi. Eu tenho uma personalidade muito ativa e, desde que comecei a trabalhar, sou uma pessoa workaholic. Isso me prejudica, eu sei disso, tenho consciência. Já trabalhei muito isso em terapia, já falei bastante sobre isso. Mas o trabalho me completa. Eu trabalho com a minha paixão, então o trabalho me traz uma alegria surreal.

    Ao mesmo tempo, eu sei que isso me prejudica em outras áreas: na família, no tempo de qualidade com os amigos. A partir do momento em que a gente identifica isso, a gente consegue começar a trabalhar e tentar mudar alguns pontos.

    Então, sabendo disso, eu propositalmente tiro alguns momentos do meu dia para tomar um café com uma amiga, mesmo que seja rapidinho.

    Quando você identifica que o descanso é algo difícil de colocar em prática, você consegue planejar alguns “escapes”, quase como algo obrigatório.

    Recentemente, eu acabei de voltar de uma viagem de 34 dias, que foi o maior desafio da minha vida. Algumas pessoas falavam: “Ai, que delícia”. Mas os sete primeiros dias foram muito difíceis para mim.

    Mesmo estando na Europa, em um navio, com tudo isso, foi difícil. Eu vinha de um “batidão” de trabalho muito intenso e, de repente, pisei no freio. Essa viagem foi planejada exatamente para isso: uma pisada brusca no freio.

    No final da viagem, eu cheguei a chorar de saudade do que eu vivi. Foram dias sem internet. Porque, muitas vezes, a gente tira férias, mas continua com o WhatsApp pipocando. Lá não. Lá eu fiquei vários dias absolutamente sem internet, sem conseguir me comunicar com a vida real.

    Isso foi muito importante para mim. Eu voltei renovada, reforcei minhas conexões com a minha família. O descanso é importante para o corpo — dormir tantas horas por dia, isso eu consigo fazer, porque sou muito regrada. Eu falo que vou dormir às dez e durmo, falo que vou dormir às nove e durmo.

    Mas o descanso mental é o mais difícil hoje em dia. Todo mundo quer tudo muito rápido, tudo é muito efêmero, a gente não quer ficar para trás. Mas a nossa cabeça pede esse descanso. Quando você entende que está vivendo uma loucura, você consegue criar ações para pisar no freio.

    É isso que eu tenho tentado fazer: planejar o descanso da mesma forma que eu planejo minhas refeições, minhas horas de sono e o meu trabalho. Hoje, eu consigo planejar meus descansos também.

    É muito difícil, porque a gente vive cercado de estímulos o tempo todo. Você olha para o lado e até a parede tem estímulo. E o meu trabalho é dentro da internet, então eu também preciso estar ali, postar treinos, conteúdos novos. Mas isso precisa ser falado.

    Você abre o celular para ver um treino e, de repente, não está mais no treino. Já está rolando a tela, vendo outra coisa, e perdeu meia hora — aquela meia hora que você tinha para treinar.

    A gente precisa ser muito intencional com o que consome, seguir pessoas que realmente agreguem, senão a gente se perde nesse mundo enorme e cheio de distrações.

    carol borba capa de janeiro de 2026
    Styling: Leca Amorim | Biquíni Brazil Del Mar, Meia Calzedonia, Acessórios Nada Gimenes, Tênis Fila | (Antonio Neto/BOA FORMA)

    Na prática, o que te ajuda a cuidar da mente, além das atividades físicas?

    Sobre saúde mental, além da atividade física, eu gosto muito de ler. Eu fiquei um bom tempo tentando encontrar espaço para a leitura, que é um hobby que me faz bem, que desacelera. Consegui ler alguns livros e, no ano passado, fui bem intencional com isso. Li cerca de 20 livros.

    Passei a acordar um pouco mais cedo para ler 20 ou 30 páginas por dia, e isso fez muita diferença na minha vida. Leio muito sobre emoções, autoestima, saúde mental. Fiz terapia por bastante tempo e hoje faço de forma mais pontual.

    O exercício também entra muito nisso. Como eu gravo muitos treinos para a internet, quando estou gravando, não estou pensando em mim, estou pensando em quem está assistindo. É um trabalho, com outra energia.

    As pessoas perguntam por que, além de gravar, eu ainda treino sozinha. Esse treino sozinho é o momento que faz muito bem para a minha saúde mental. Eu coloco o fone, escuto minha música, treino no meu tempo, descanso, penso na vida. Isso me faz muito bem.

    Então, hoje, as estratégias que eu tenho são essas: treinar sozinha, fazer terapia e leitura. Para mim, isso faz toda a diferença.

    Eu digo que, se você não leva o celular e não fica nas redes sociais ou fazendo outras coisas, o treino vira quase um exercício de mindfulness. Você está prestando atenção em você, no seu corpo.

    Porque, se você fica olhando para o outro, você erra. Se fica pensando em mil coisas ao mesmo tempo, você não treina de verdade. Então, é um momento de sentir o corpo, perceber os músculos, sentir aquela dorzinha boa, o cansaço.

    Menos comparação, mais consciência no treino

    Quais erros de treino você vê repetidamente acontecendo?

    Eu vejo um erro muito grave, tanto na academia quanto em quem treina em casa, principalmente no agachamento. Como as pernas têm uma musculatura muito grande, as pessoas conseguem colocar bastante carga e acabam achando que estão fazendo tudo certo. Aí vão colocando mais peso, mais peso… e se machucam.

    O agachamento é, disparado, o exercício que eu mais vejo as pessoas errando, seja em casa, seja na academia.

    E tem uma coisa que engloba praticamente todos os exercícios: o excesso de carga. As pessoas olham para o peso que o outro está usando e querem copiar. Mas carga é progressão, não comparação.

    Antes de pensar em peso, você precisa pensar em outras coisas. Primeiro, fazer o exercício bem executado. Depois, prestar atenção na cadência, na velocidade do movimento.

    Em seguida, na amplitude: será que você está fazendo o movimento completo, do jeito certo? Só depois disso tudo é que a carga entra. Quando a pessoa começa colocando peso sem respeitar essas etapas, o risco de lesão é enorme.

    E tem um ponto mais recente que, no meu ponto de vista, é bem preocupante: o uso excessivo de recursos ergogênicos e hormonais para ter resultados rápidos.

    Além dos riscos a longo prazo do uso desenfreado de hormônios — tanto em homens quanto em mulheres —, existem efeitos imediatos.

    A pessoa passa a ter uma força que não tinha antes e começa a treinar pesado sem conhecer o próprio corpo, sem ter passado pelo processo. Isso acaba levando a lesões que podem trazer consequências bem graves.

    Na sua visão, o que realmente ajuda alguém a progredir no treino de maneira saudável?

    Quando você entende que a transformação — seja por saúde, estética ou qualquer outro objetivo — depende da constância, tudo fica muito mais simples na cabeça. Porque não adianta treinar duas horas hoje e depois ficar cinco dias sem fazer nada.

    É muito melhor treinar 20 minutos hoje, 20 minutos amanhã, pular um dia, depois treinar mais 30 minutos, do que exagerar uma vez por semana.

    A constância, mesmo com pouco tempo, funciona muito mais do que picos de esforço. Quando isso entra na cabeça, o estilo de vida muda.

    Às vezes a pessoa fala: “Ah, hoje eu só tenho 15 minutos, será que isso é suficiente?”. Hoje você só tem 15 minutos. Quando você começa a se motivar com o que o exercício traz para a sua vida, esse tempo naturalmente aumenta. E é isso que acontece com todo mundo.

    A pessoa começa treinando um pouquinho, muitas vezes sem gostar muito. Aos poucos, começa a sentir melhora no condicionamento, na resistência, no humor, passa a gostar mais do que vê no espelho, a autoestima aumenta… e aí ela quer fazer mais daquilo. E tudo isso vem da constância. A constância é a chave para tudo.

    A gente fala muito de musculação — e com razão — mas uma coisa que muitas pessoas esquecem é a importância de ter diferentes estímulos. Variar as modalidades faz muita diferença, nem que seja incluir uma caminhada, um yoga, algo diferente.

    Quando eu digo que a musculação dá segurança, é porque ela é o tipo de treino mais seguro que existe. Você senta numa cadeira, sabe onde posicionar o braço, onde empurrar. Aqui no Brasil, inclusive, é obrigatório ter um instrutor na academia para ajudar com dúvidas, posicionamento e organização do treino.

    A musculação é imprescindível. A gente perde massa magra com o passar do tempo, e o nosso maior objetivo é manter essa massa para conseguir fazer as atividades do dia a dia: agachar, levantar, ir ao banheiro, brincar com o filho, pegar algo no alto, ter força física para viver.

    E a musculação não existe só dentro da academia. Você pode fazer em casa, com halteres, caneleiras ou até usando alternativas simples, como garrafinhas de água. Dá para estimular ganho de massa magra dentro de casa.

    carol borba capa de janeiro de 2026
    Styling: Leca Amorim | Sutiã Intimissimi | (Antonio Neto/BOA FORMA)

    Como o sedentarismo afeta as nossas vidas?

    O sedentarismo talvez seja o comportamento que mais causa doenças. Nosso corpo reflete isso através da obesidade, de problemas cardíacos, pulmonares e também da perda de massa magra e óssea, porque tudo está interligado. Muitas doenças estão diretamente atreladas ao sedentarismo.

    E mesmo sabendo disso, a maior parte das pessoas parece esperar a doença chegar para pensar em se exercitar. Mas a ordem está errada: você precisa evitar que essas coisas aconteçam.

    Eu sempre digo que todo mundo tem um plano de saúde, aquele que você paga todo mês para ter médico em caso de emergência. Mas o verdadeiro “plano de saúde” é a prática constante de exercício físico. O que a gente paga é, na verdade, um “plano de doença”, que só funciona quando você já está doente.

    Então, o plano de saúde real é se exercitar com constância. Não adianta falar: “Ah, eu sou sedentário, mas saudável”. Não existe sedentário saudável de verdade.

    Você pode parecer saudável, mas problemas cardíacos, por exemplo, não começam aos 40 ou 50 anos; eles começam muito antes, lá pelos 20 e vão se intensificando até que, de repente, acontece.

    O sedentarismo traz muitos problemas, e precisamos nos conscientizar disso. Para sair dele, não é preciso passar horas se exercitando. Poucos minutos por dia já fazem diferença. O importante é ter uma programação e incluir o exercício na sua rotina.

    Coloque o exercício na sua vida, mesmo que seja 15 minutos antes do trabalho ou no horário de almoço. O sedentarismo mata cedo; ele impede que você viva seus sonhos.

    Você vai fazer uma viagem quando tiver 50 anos? Talvez não consiga andar, se locomover, percorrer cidades… Tudo isso pode ser limitado pelo sedentarismo.

    Nosso corpo é a máquina que nos leva aos nossos sonhos. Tudo o que queremos conquistar depende dele. Então, por que subestimamos e não cuidamos dele?

    O que significa bem-estar para você?

    Para mim, bem-estar é ter tempo de qualidade com a minha família, me alimentar bem e treinar. Isso faz parte do que considero estar bem.

    É estar junto com a família, com amigos, ter momentos de descanso e, ao mesmo tempo, ter saúde para viver tudo aquilo que eu sonho e planejo, tanto no trabalho quanto fora dele. A vida pessoal e a profissional, a gente precisa enxergar como um todo, e o corpo também faz parte disso.

    Por muito tempo, as pessoas viam essas coisas separadas: saúde mental, saúde espiritual, saúde física… mas a gente é um só. Tudo está conectado, misturado, então é preciso olhar para tudo isso.

    Para mim, bem-estar é cuidar da parte espiritual, da parte mental, da parte física e da minha vida pessoal, como mãe e como família.

     

     

     

     

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