No frio o corpo retém menos líquido?

O frio aumenta a eliminação de líquidos inicialmente, mas também pode estimular mecanismos de retenção quando a hidratação é insuficiente

Por Helena Saigh 2 jun 2026, 18h00
Jovem mulher de pele morena, cabelo cacheado, gorro cinza e luvas, bebendo água de uma garrafa plástica, com o sol iluminando seus cachos
Urinar mais no inverno é normal, mas isso não significa que o corpo esteja automaticamente menos inchado. (freepik/Freepik)
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Quem já percebeu que vai mais vezes ao banheiro durante o inverno pode ter a impressão de que o corpo retém menos líquido nessa época do ano. E, de certa forma, isso realmente acontece, pelo menos no início.

A resposta, porém, é um pouco mais complexa do que um simples “sim” ou “não”. O frio provoca alterações hormonais e circulatórias que fazem o organismo eliminar mais água, mas também pode levar ao efeito contrário quando a hidratação não acompanha essa perda.

O frio faz o corpo eliminar mais água

Quando a temperatura cai, o organismo prioriza a proteção dos órgãos vitais. Para isso, ocorre a chamada vasoconstrição periférica, um mecanismo que reduz o fluxo sanguíneo para extremidades como mãos e pés e direciona mais sangue para a região central do corpo.

Segundo um relatório do National Institutes of Health (NIH) sobre equilíbrio hídrico em ambientes frios, esse aumento do volume sanguíneo central eleva temporariamente a pressão arterial e faz os rins trabalharem mais, aumentando a produção de urina. O fenômeno é conhecido como diurese induzida pelo frio.

O hormônio que ajuda a reter líquidos também diminui

Além das mudanças na circulação, o frio interfere na produção do hormônio antidiurético (ADH), também chamado de vasopressina.

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Um estudo publicado no American Journal of Physiology mostrou que a exposição aguda ao frio reduz temporariamente a liberação desse hormônio. Como o ADH é responsável por sinalizar aos rins que retenham água, sua diminuição favorece a eliminação de líquidos. Isso ajuda a explicar por que muitas pessoas sentem menos sede e, ao mesmo tempo, urinam mais durante os meses frios.

O corpo pode acabar fazendo o oposto

É justamente aí que surge o paradoxo. Como a sensação de sede costuma diminuir no inverno, muita gente passa horas sem beber água suficiente. Aos poucos, instala-se um quadro de desidratação leve.

Quando isso acontece, o organismo ativa mecanismos de proteção para preservar os líquidos disponíveis. Estudos revisados pelo NCBI/NIH mostram que, diante da redução do volume total de água corporal, o corpo aumenta sua capacidade de retenção hídrica para evitar perdas adicionais.

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Então o corpo retém menos ou mais líquido?

Nas primeiras horas de exposição ao frio, a tendência é eliminar mais água devido à diurese induzida pelo frio e à redução da ação da vasopressina. Mas, se essa perda não for compensada pela hidratação adequada, o organismo pode ativar mecanismos de retenção como forma de defesa.

Ou seja, o inverno não elimina automaticamente o inchaço nem faz o corpo “secar” sozinho. Na verdade, a estação costuma aumentar o risco de desidratação justamente porque a sensação de sede diminui. Por isso, manter a ingestão de água continua sendo tão importante quanto nos dias mais quentes.

O frio não substitui a hidratação

Mesmo sem suor excessivo ou calor intenso, o corpo continua perdendo líquidos diariamente. E garantir uma hidratação adequada ajuda não apenas no equilíbrio hídrico, mas também no desempenho físico, na recuperação muscular e no funcionamento geral do organismo.

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