Mounjaro: seios sofrem perda de sustentação e redução de volume com emagrecimento expressivo
Perda de peso e medicamentos como Mounjaro: entenda a ciência por trás da flacidez e perda de volume nas mamas
A perda expressiva de peso pode trazer uma mudança no formato e na sustentação das mamas. Mulheres que utilizam medicamentos como o Mounjaro (tirzepatida) podem perceber redução do volume e maior flacidez à medida que o peso e o índice de massa corporal (IMC) diminuem.
“A explicação está relacionada à composição da mama e à maneira como o organismo responde ao emagrecimento. Parte do volume mamário é constituída por tecido adiposo, que também participa das reservas energéticas do corpo. Com a redução da gordura corporal, esse componente pode diminuir, modificando o tamanho e o contorno dos seios, especialmente na parte superior”, explica o cirurgião plástico Dr. Thiago Calado, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBC) e da American Society of Plastic Surgeons (ASPS).
O processo também envolve a capacidade de adaptação da pele, segundo o médico. Quando a redução do volume acontece em um período relativamente curto ou é muito acentuada, a cobertura cutânea pode não acompanhar integralmente a mudança.
O resultado pode ser uma mama mais vazia, com mais pele do que volume e com a aréola e o mamilo em uma posição mais baixa, quadro conhecido como ptose mamária.
O medicamento provoca flacidez diretamente?
Segundo o Dr. Thiago Calado, é importante diferenciar o efeito do medicamento das consequências da perda de peso. A tirzepatida atua nos receptores dos hormônios GIP e GLP-1, contribuindo para o controle glicêmico, a redução do apetite e o emagrecimento.
Não há evidência suficiente para afirmar que a substância em si provoque diretamente flacidez nas mamas. “As alterações observadas podem ocorrer também após emagrecimento por dieta, atividade física ou cirurgia bariátrica. O que importa para a aparência das mamas é a mudança na composição corporal e a resposta dos tecidos a essa transformação”, explica o cirurgião plástico.
Outro ponto importante é que a redução do peso não envolve exclusivamente gordura. Dependendo da magnitude do emagrecimento, parte da massa magra também pode ser perdida.
Por isso, o acompanhamento nutricional e os exercícios resistidos são relevantes durante o tratamento, contribuindo para preservar a massa muscular e a funcionalidade.
“No caso das mamas, entretanto, o fortalecimento dos músculos peitorais não impede o esvaziamento do tecido adiposo nem substitui a sustentação oferecida pela pele e pelas estruturas mamárias”, esclarece o médico.
Para o cirurgião, a orientação é observar as mudanças ao longo de todo o processo.
“É importante que o resultado não seja avaliado apenas pelo número que aparece na balança. A composição corporal muda, e isso pode repercutir em diferentes regiões. Quando o paciente percebe perda de volume ou flacidez nas mamas, precisamos avaliar se essas alterações ainda estão evoluindo ou se já representam uma condição estável”, afirma o Dr. Thiago Calado.
A recomendação é que quem está em tratamento com tirzepatida ou outros medicamentos para emagrecer converse com o médico sobre as transformações corporais esperadas.
“Caso exista interesse em realizar uma cirurgia mamária, o planejamento deve considerar a evolução do IMC, a estabilidade do peso e as condições gerais de saúde, evitando definir uma intervenção enquanto o emagrecimento ainda puder modificar significativamente o resultado”, finaliza o Dr. Thiago.





