Avatar do usuário logado
Usuário

Treino baseado em DNA funciona ou é marketing?

A genética pode influenciar, mas está longe de ser o principal fator

Por Helena Saigh
20 mar 2026, 20h00 •
Treino e genética
Entre promessas de personalização e evidências científicas, nem tudo é tão determinante quanto parece. (freepik/Freepik)
Continua após publicidade
  • A promessa de um treino totalmente personalizado a partir do seu DNA parece avançada, quase futurista. Mas, na prática, até que ponto isso realmente funciona?

    Testes genéticos voltados para performance analisam variações em genes relacionados a força, resistência, recuperação e composição corporal. A ideia é usar essas informações para orientar o tipo de treino mais adequado para cada pessoa.

    O que os testes genéticos analisam

    Esses testes costumam avaliar genes ligados a características como potência muscular, capacidade aeróbica e resposta ao treinamento.

    Estudos publicados no British Journal of Sports Medicine mostram que variações genéticas, como no gene ACTN3, podem influenciar o desempenho físico, especialmente em atividades de força e potência.

    Continua após a publicidade

    Pesquisas da European Journal of Applied Physiology também indicam que fatores genéticos podem impactar a capacidade aeróbica e a resposta ao treino de resistência.

    O limite da personalização

    Apesar dessas associações, usar o DNA como base única para prescrição de treino ainda é limitado.

    Uma revisão publicada no Journal of Applied Physiology aponta que a resposta ao treino é multifatorial e depende de variáveis como intensidade, volume, frequência e estilo de vida.

    Continua após a publicidade

    Além disso, estudos do Journal of Strength and Conditioning Research mostram que indivíduos com perfis genéticos diferentes ainda apresentam melhorias semelhantes quando submetidos a protocolos bem estruturados de treino.

    Fatores que pesam mais que o DNA

    Enquanto o DNA pode influenciar predisposições, outros fatores têm impacto muito mais direto nos resultados.

    Estudos do Medicine & Science in Sports & Exercise reforçam que consistência, progressão de carga, alimentação adequada e recuperação são determinantes muito mais relevantes para evolução física.

    Continua após a publicidade

    Além disso, pesquisas recentes destacam o conceito de “responders e non-responders”, mostrando que a adaptação ao treino varia entre indivíduos, mas não pode ser explicada apenas por genética isolada.

    Então funciona ou é marketing?

    O treino baseado em DNA não é totalmente infundado, mas também está longe de ser essencial.

    Ele pode oferecer informações complementares, mas ainda não substitui os princípios básicos do treinamento. Na prática, ele funciona mais como um diferencial de marketing do que como um fator determinante de resultado.

    Publicidade

    Essa é uma matéria fechada para assinantes.
    Se você já é assinante clique aqui para ter acesso a esse e outros conteúdos de jornalismo de qualidade.