Após cirurgia plástica, quando é seguro retomar os exercícios? Veja os cuidados

Retorno aos treinos após cirurgia plástica: entenda por que o tempo de recuperação é individual e os riscos de acelerar

Por Redação Boa Forma Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 24 set 2026, 22h00 | Atualizado em 25 set 2026, 13h25
Mulher com top e calça cinza, piercing no umbigo, unhas vermelhas, segurando uma barra de exercício em uma academia
Quando voltar aos treinos depois de uma cirurgia plástica? | (Magnific/Magnific)
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Quem está acostumado a treinar pode ter dificuldade para lidar com a pausa exigida depois de uma cirurgia plástica. Mas, apesar da vontade de retomar a rotina rapidamente, o retorno aos exercícios não segue um calendário único: depende do tipo de procedimento realizado, da atividade praticada e da evolução de cada paciente.

“O retorno aos treinos é uma pergunta que não tem uma resposta única, porque cada cirurgia plástica precisa ser avaliada de forma individual. A gente leva em conta o hábito de vida do paciente, o tipo de atividade física que ele pratica ou pretende retomar, e o tipo de procedimento que foi realizado”, explica o cirurgião plástico Dr. Josué Montedonio.

Segundo o especialista, a cirurgia é um trauma programado, mas continua sendo um trauma para o organismo. Por isso, mesmo quando o procedimento ocorre sem intercorrências, o corpo precisa de tempo para se recuperar.

“O corpo não sabe diferenciar se foi um acidente ou uma cirurgia. Ele simplesmente entende que precisa reunir forças para se recuperar. Por isso existe um tempo mínimo de recuperação que precisa ser respeitado, seja para voltar à academia, seja para voltar às atividades do dia a dia”, afirma.

Por que não é indicado acelerar a recuperação?

Nas redes sociais, não é difícil encontrar relatos de pessoas que retomam rapidamente a rotina depois de procedimentos cirúrgicos. Para Montedonio, porém, essas experiências individuais não devem ser utilizadas como parâmetro para todos os pacientes.

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“Hoje a gente vê muito nas redes sociais recuperações que parecem extremamente rápidas, mas a fisiologia do corpo humano não mudou. Quem tenta abreviar esse processo aumenta muito o risco de complicação”, alerta.

Isso não significa, porém, que o paciente deva permanecer completamente parado. Pelo contrário: em alguns procedimentos, a movimentação precoce faz parte da própria recuperação.

Depois da lipoaspiração, caminhar pode fazer parte da recuperação

No caso da lipoaspiração, o médico explica que costuma orientar o paciente a se movimentar já nos primeiros dias, respeitando os limites estabelecidos para cada caso.

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“Eu já sugiro que o paciente saia andando. Quanto mais rápido ele voltar às atividades normais, mais rápida a recuperação. A gente precisa que o paciente se movimente, que ande, que caminhe, para ativar a circulação e ajudar a desinchar mais rápido”, explica.

A recomendação, nesse primeiro momento, é diferente de voltar diretamente à academia ou aos exercícios de maior intensidade. Uma caminhada leve e a movimentação no dia a dia podem ser liberadas antes de atividades que exigem maior esforço físico.

Para exercícios de impacto, como a corrida, o cirurgião cita cerca de 30 dias como uma referência em casos de lipoaspiração isolada, mas ressalta que o prazo precisa ser individualizado.

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“O próprio paciente também precisa perceber o corpo. Se sentir algum desconforto ou incômodo, deve diminuir um pouco a intensidade”, afirma.

E depois da prótese de mama?

A recuperação após a colocação de prótese de silicone exige cuidados específicos, principalmente porque determinados movimentos podem envolver diretamente a região operada.

De acordo com Montedonio, em sua rotina, uma referência utilizada para pacientes submetidas à cirurgia de prótese de mama é liberar exercícios para os braços a partir de aproximadamente 30 dias e atividades que envolvam o peitoral por volta de 60 dias.

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A corrida, por envolver impacto e movimentação da região das mamas, também exige atenção. O médico cita cerca de 45 dias como referência para uma corrida mais intensa, sempre com o uso de um sutiã adequado e maior compressão.

“Na prótese de mama eu recomendaria uma corrida mais extenuante com 45 dias e, mesmo assim, usando o sutiã específico, uma compressão maior para não ter um deslocamento ou não acabar forçando demais a área operada”, explica.

Já para dirigir, o especialista afirma que, em sua prática, alguns pacientes podem ser liberados por volta de uma semana, desde que estejam em condições de realizar os movimentos necessários e tenham autorização médica.

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O que é a técnica de recuperação rápida?

Algumas técnicas utilizadas na cirurgia de prótese mamária podem permitir uma movimentação mais precoce. É o caso da chamada recuperação rápida, que, segundo o cirurgião, envolve uma abordagem em que a prótese é colocada atrás da musculatura.

“Na prótese de recuperação rápida, o paciente já sai levantando o braço, mexendo, penteando o cabelo, escovando o dente. A gente precisa que o paciente se movimente”, explica.

A orientação pode parecer contraditória para quem imagina que o repouso absoluto acelera a recuperação. Mas, de acordo com Montedonio, nesse tipo de procedimento a movimentação adequada é importante.

“Se o paciente não se movimentar, se ficar restrito, ele sente dor, a recuperação é mais morosa, tem risco de você ter uma contratura da musculatura e a prótese acabar ficando mal posicionada”, afirma.

Isso não significa, entretanto, que a paciente esteja liberada para qualquer atividade. A movimentação precoce deve ocorrer dentro dos limites estabelecidos pelo cirurgião, enquanto exercícios que exigem maior esforço continuam dependendo da evolução do quadro.

Cuidado com o sol também faz parte da recuperação

A exposição solar é outro ponto de atenção depois de uma cirurgia. O sangue extravasado durante o processo de recuperação pode favorecer alterações de pigmentação quando a região é exposta ao sol precocemente.

“O sangue tem ferro na composição. Quando ele migra para a superfície cutânea e o paciente toma sol em um período muito precoce depois da cirurgia, esse pigmento pode impregnar na pele, como uma tatuagem, e manchar a região”, explica o médico.

Por isso, os cuidados com proteção solar e o período de restrição à exposição devem seguir a orientação da equipe responsável pelo procedimento.

Não existe um prazo igual para todo mundo

Apesar de existirem referências utilizadas pelos cirurgiões para orientar o retorno às atividades, elas não devem ser interpretadas como uma autorização automática para voltar aos treinos em determinada data.

“Esses prazos são mais ou menos uma referência, não existe um prazo fixo. Cada cirurgia tem uma particularidade, cada pessoa cicatriza de uma forma diferente. Tem pessoas que têm uma evolução mais rápida, outras mais morosa”, ressalta Montedonio.

O acompanhamento durante o pós-operatório, portanto, é fundamental para determinar quando o paciente pode aumentar gradualmente a intensidade dos exercícios.

“Quanto mais rápido voltar, melhor, mais rápida a recuperação”, afirma o especialista. “Mas isso precisa acontecer dentro do que é seguro para aquela cirurgia e para aquele paciente.”

A orientação vale especialmente para quem pratica atividades de alta intensidade: a vontade de recuperar rapidamente o ritmo de treinos não deve se sobrepor ao processo de cicatrização. Antes de retomar academia, corrida ou exercícios específicos, é importante seguir a liberação do cirurgião responsável pelo procedimento.

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