Com sobrepeso, ela fez meia maratona e quer incentivar mulheres

Nanda Azevedo, 37 anos, não se intimidou com o universo de corredoras saradas e completou uma meia maratona sem encanar com suas curvas

Por Maria Lucia Zanutto e Daniela Bernardi Atualizado em 6 mar 2018, 10h17 - Publicado em 5 mar 2018, 18h08

Quando você pensa em uma meia maratonista, logo vem à mente uma mulher bem sequinha. A profissional de marketing Nanda Azevedo, de 38 anos, não é assim. A carioca entrou no esporte após um susto com a saúde: estava com pressão alta, gordura no fígado, pedra na vesícula e precisava emagrecer urgentemente.

  • A melhor opção dada pelo médico: a corrida. “Foi uma relação de amor e ódio no início”, lembra. Parecia que os passos dados na esteira eram um remédio amargo. Mas, com paciência, o treino foi ficando mais fácil, até que ela resolveu encarar a rua. “Fiz uma prova de 5K e sofri com a diferença no terreno e no clima quente da cidade. Foi mais difícil e, ao mesmo tempo, muito mais emocionante”, conta. Assim, ela decidiu insistir no novo hobby e procurou um grupo de corrida para melhorar seu desempenho.

    A novidade virou vício. A cada obstáculo superado, Nanda queria mais e mais. “O que antes parecia impossível tornou-se realidade: completei 21K após dois anos de dieta e treino.” O bichinho da endorfina a havia picado e ela não se imaginava mais fora do mundo da corrida. “Só pensava nisso, só falava disso: estava ficando chata. Não focava mais em nada, além de acelerar o passo”, lembra. Até que uma cirurgia a obrigou a fazer 40 dias de repouso. “Retornei à estaca zero e precisava voltar aos poucos, sem me comparar a ninguém, principalmente à Nanda de antigamente.”

    Nanda Azevedo

  • Só que nem todo mundo pensava dessa forma. “Treinando três vezes por semana, acabei engordando e algumas marcas esportivas deixaram de me chamar para eventos. Muita gente passou a me olhar torto, como se eu não pertencesse mais àquele universo”, conta Nanda, que acredita que esse tipo de preconceito acaba impedindo que muitas pessoas com sobrepeso comecem a praticar um exercício.

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    “A corrida deveria ser livre para todas, mas parece que é imposto um perfil ao qual temos que nos encaixar. Caso contrário, nos sentimos constrangidas”, critica. E as mídias sociais têm um papel central nessa intimidação: “Pelos posts, fica a impressão de que é fácil acordar de madrugada, treinar, seguir uma alimentação restrita e ainda sair linda na foto. A realidade é bem diferente”.

    Nanda Azevedo
    Arquivo pessoal/Arquivo pessoal
  • Por isso, Nanda usa frases motivacionais para tentar incentivar suas seguidoras a correr, independentemente do pace ou do peso – ela mesma, atualmente, pesa 110 kg. “O esporte precisa ser inclusivo! Todo mundo pode e deveria experimentá-lo. Se você está praticando, mesmo que devagar, já venceu o sofá”, defende. O objetivo agora é retomar os exercícios de fortalecimento, cuidar da dieta e ter a certeza de que seu corpo está funcionando normalmente. “Depois que você leva um susto com a saúde, conquistar uma barriga tanquinho vira balela. Quero, acima de tudo, viver bem”, diz.

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