Olimpíada Rio 2016: como a maternidade ajudou corredora brasileira a superar barreiras no esporte

Fundista quebrou o recorde duas vezes após ser mãe e se diz mais que preparada para a sua primeira Olimpíada

Miguel atravessa a pista de corrida de mãos dadas com o pai e a mãe. A família avança em trote leve e curto, bem diferente do ritmo acelerado da rotina diária. O garoto de cinco anos é filho dos corredores Juliana dos Santos e Marílson Gomes dos Santos, atletas que vão representar o Brasil na Olimpíada.

 

 

Com uma trajetória promissora, a fundista conquistou o título de campeã pan-americana e recordista nos 1.500 m antes de engravidar. Antes de Miguel, o que unia o casal era a paixão pelo esporte. Com o nascimento do filho, a dupla se fortaleceu e fez Juliana se redescobrir como mãe e atleta. Em junho, bateu o recorde sul-americano dos 3.000 m com obstáculos, na República Tcheca, com 9min38s63. Vitória comemorada duas vezes, pois em maio deste ano, a atleta, de 32 anos, já havia batido o recorde na mesma prova, desta vez na Suíça, aos 9min39seg33.

Juliana sentiu vontade de competir novamente quando Miguel completou três meses. Por recomendação do treinador Adauto Domingues, retornou aos poucos, fazendo apenas caminhadas. Foi aí que contou com o marido para dividir os cuidados com o filho. “Eu descobri que tinha um parceiro que, além de tudo, torcia para que eu voltasse a ser atleta”, revela a fundista.

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Marílson Gomes dos Santos também carrega muitos títulos: tricampeão da São Silvestre, bicampeão da Maratona de Nova York e recordista sul-americano dos 5.000 m, 10.000 m e meia maratona. “A gente se adequa aos treinos e aproveita a infância do Miguel. A Juliana realmente se doa como atleta e mãe. Ela cuida do filho e treina diariamente, participa de competições, lida com resultados, objetivos e índices olímpicos”, explica o atleta de 38 anos.

O casal é um time. Cada um ajuda o outro na carreira e na vida pessoal. Treinam duas vezes por dia. De manhã, após levar o filho para a escola, correm no mesmo período. À tarde, se revezam: Juliana treina primeiro e depois é a vez de Marilson, até as 22h. A dupla não tem horário para descansar entre os treinos.

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“Entendi que poderia voltar a competir, mas precisava adaptar a rotina de mãe. É fácil falar que você tem que estar disposta a fazer tudo. Mas no dia a dia é muito mais complexo. Tive que renascer para o esporte e para as provas”, desabafa. Juliana confessa que já olhou para as adversárias e se perguntou “o que eu estou fazendo aqui?”. O pensamento dura pouco. Logo foca no objetivo e lembra que é uma atleta de alto nível com algo a mais: o treino diário com o filho. 

 

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