Boa Forma Experimenta: Ballet Fitness
A convite da Les Cinq Gym, experimentei uma aula de Ballet Fitness, modalidade que combina técnicas do ballet clássico com exercícios de fortalecimento
Quem associa o ballet apenas à leveza dos movimentos pode se surpreender com o Ballet Fitness. A modalidade utiliza a técnica do ballet clássico como base para um treino de força e resistência, combinando exercícios funcionais com posições tradicionais da dança. O resultado é uma aula que trabalha equilíbrio, coordenação, flexibilidade e fortalecimento muscular, sem exigir experiência prévia no universo do ballet.
Criado pela bailarina Betina Dantas, o Ballet Fitness adapta movimentos clássicos para diferentes níveis de condicionamento físico. Ao longo da aula, exercícios como plié, relevé (meia-ponta) e as posições fundamentais dos pés aparecem ao lado de agachamentos, flexões, pranchas e exercícios para o core, mantendo o corpo em constante ativação.
O que o Ballet Fitness trabalha?
Diferentemente de um treino tradicional de musculação, o Ballet Fitness utiliza principalmente o peso do próprio corpo e permanências em posições isométricas. Isso significa que, além do movimento, boa parte do esforço está em sustentar a postura por alguns segundos, aumentando o tempo de contração muscular.
A modalidade fortalece principalmente pernas, glúteos, abdômen e panturrilhas, melhora a consciência corporal e estimula o equilíbrio. Como as posturas do ballet exigem alinhamento constante, a prática também contribui para uma melhor postura no dia a dia.
Outro benefício é a flexibilidade. Os alongamentos aparecem durante praticamente toda a aula e não apenas no início ou no fim do treino, característica herdada do ballet clássico.
Como foi a aula na prática
A sala fugia do que eu imaginava para uma aula de ballet. Além das barras fixadas nas paredes, havia colchonetes disponíveis para que cada aluna pegasse o seu antes do início da prática.
O aquecimento começou na barra, mas estava longe de ser apenas um alongamento. Os primeiros minutos já misturavam movimentos clássicos do ballet, como pliés, relevés e as primeiras posições dos pés, com exercícios de fortalecimento. Em uma sequência, por exemplo, o plié era combinado com a subida para a meia-ponta, exigindo força das pernas, equilíbrio e estabilidade ao mesmo tempo. Em outra, era preciso elevar a perna para frente, para a lateral e para trás, mantendo o tronco alinhado durante toda a execução.
Até então, a impressão era de que a aula seguiria nesse ritmo. Mas aquela era apenas a preparação.Depois das sequências na barra, o professor avisou que o aquecimento tinha terminado e a turma foi para o colchonete. A partir dali, a proposta mudava completamente.
Vieram flexões adaptadas, realizadas com os joelhos apoiados no chão, mas com uma amplitude de movimento muito maior do que eu imaginava. Depois, uma sequência de exercícios para o abdômen, incluindo abdominais tradicionais, oblíquos e pranchas laterais. Em seguida, exercícios em quatro apoios para fortalecimento dos glúteos.
Foi nessa parte que a intensidade da aula realmente apareceu. Os movimentos do ballet davam lugar, por alguns minutos, a um treino muito próximo do funcional. Em seguida, a turma voltava para a barra e retomava as posições clássicas da dança, alternando constantemente entre fortalecimento muscular e técnica.
Outro detalhe que chamou atenção foi o uso das cargas. Boa parte das alunas utilizava caneleiras e, em alguns momentos, pesos de punho. O professor orientava exatamente quando fazia sentido acrescentar peso aos exercícios e quando o trabalho com o próprio corpo já era suficiente.
Por ser minha primeira experiência com a modalidade, ele recomendou que eu não utilizasse cargas na maior parte da aula. A única exceção foi um exercício específico para glúteos, em que uma caneleira ajudava a aumentar a resistência sem comprometer a execução do movimento.
Durante toda a prática, ele também fazia correções individuais de postura, ajustando detalhes como o alinhamento da coluna, a posição dos joelhos, a abertura dos pés e a distribuição do peso do corpo. Pequenas mudanças que faziam bastante diferença na dificuldade de cada exercício.
O que mais me surpreendeu foi perceber que o Ballet Fitness não tenta reproduzir uma aula de ballet clássico nem uma aula de musculação. A modalidade cria uma terceira proposta, em que a técnica da dança é usada para potencializar o trabalho muscular.
No fim da aula, a sensação era muito diferente da que eu esperava quando entrei na sala. Saí cansada, com a musculatura das pernas, dos glúteos e do abdômen bastante exigida e entendendo por que tanta gente subestima a intensidade da modalidade. Os movimentos podem parecer delicados, mas manter a postura, controlar a execução e sustentar o próprio corpo durante quase uma hora transforma o Ballet Fitness em um treino muito mais desafiador do que aparenta.





