Caneta emagrecedora pode exigir ajustes no treino; veja o que considerar
Mudanças no apetite, na composição corporal e na tolerância às refeições podem interferir na rotina de exercícios
Começar a usar uma caneta emagrecedora não significa que seja necessário diminuir os exercícios. Mas medicamentos como semaglutida e tirzepatida podem provocar mudanças que fazem alguns ajustes no treino serem necessários.
A redução do apetite, os efeitos gastrointestinais e a própria perda de peso podem influenciar desde a disposição para treinar até a preservação da massa magra.
A perda de peso não acontece apenas na gordura
Durante o emagrecimento, parte do peso perdido pode vir da massa magra, que inclui músculos, mas também água, órgãos e outros tecidos.
Em um estudo publicado em 2025 no Diabetes, Obesity and Metabolism, 160 participantes tiveram a composição corporal avaliada por DXA. Entre aqueles tratados com tirzepatida, a massa de gordura caiu 33,9% e a massa magra, 10,9%. Aproximadamente 75% do peso perdido correspondeu à gordura e 25% à massa magra.
É um dos motivos pelos quais o treino de força ganha importância durante o processo. A revisão sistemática e meta-análise “Resistance Training Minimizes Lean Mass Loss in Overweight/Obese Older Adults During Caloric Restriction“, mostrou que acrescentar exercícios resistidos à restrição calórica ajudou a atenuar a perda de massa magra em adultos mais velhos com sobrepeso ou obesidade.
E se faltar disposição para treinar?
Com a redução do apetite, algumas pessoas podem acabar diminuindo também a quantidade de alimentos consumidos. Se isso vier acompanhado de fraqueza, tontura ou queda importante no rendimento, insistir na mesma intensidade de treino pode não ser a melhor estratégia.
Nesses casos, o volume ou a intensidade podem ser ajustados temporariamente de acordo com a resposta individual. Isso não significa que todo mundo precise treinar mais leve apenas porque começou o medicamento.
O horário da refeição também pode fazer diferença
Agonistas do receptor de GLP-1 podem retardar o esvaziamento gástrico, enquanto náusea, vômito, diarreia e sensação de estômago cheio estão entre os efeitos gastrointestinais associados ao tratamento.
Uma pesquisa publicado no Journal of Clinical Medicine, reúne recomendações para reduzir esses desconfortos, incluindo refeições menores e mudanças nos hábitos alimentares. O documento também orienta evitar atividades mais intensas logo após comer quando há sintomas gastrointestinais.
Não existe, porém, um intervalo obrigatório de 60 ou 90 minutos que funcione para todos. O horário pode ser ajustado de acordo com o tamanho da refeição, os sintomas e a tolerância individual.
O treino não precisa ser abandonado
Durante o tratamento, o objetivo não é necessariamente treinar menos, mas observar como o organismo está respondendo. Manter exercícios de força, acompanhar mudanças no rendimento e ajustar temporariamente o treino quando surgirem sintomas pode ajudar a conciliar atividade física e perda de peso.
Se tontura, fraqueza, náusea ou outros sintomas começarem a interferir frequentemente nos exercícios, vale conversar com os profissionais responsáveis pelo tratamento antes de simplesmente insistir na mesma rotina.





