Por que a definição do abdômen feminino é um desafio para muitas?

Hormônios, genética e composição corporal ajudam a explicar por que essa região costuma ser mais resistente

Por Helena Saigh 10 mar 2026, 18h00 | Atualizado em 11 mar 2026, 14h13
Abdomen feminino
Entenda o que a ciência diz sobre a dificuldade de definir o abdômen feminino. (ArtPhoto_studio/Freepik)
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Muitas mulheres treinam regularmente, fazem exercícios para o core e ainda assim têm dificuldade para ver o abdômen definido. A explicação não está apenas na intensidade do treino. Fatores hormonais, fisiológicos e metabólicos fazem com que a definição abdominal seja, em média, mais difícil para mulheres do que para homens.

 

 

Diferenças hormonais influenciam a distribuição de gordura

O corpo feminino tende a armazenar gordura de forma diferente, especialmente na região abdominal inferior, quadris e coxas. O estrogênio, principal hormônio feminino, influencia diretamente esse padrão de distribuição.

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Um estudo publicado no Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism mostrou que mulheres apresentam maior tendência ao armazenamento de gordura subcutânea nessas regiões. Esse padrão está relacionado a funções hormonais e reprodutivas do organismo.

Definição abdominal depende da composição corporal

Para que os músculos do abdômen fiquem visíveis, o percentual de gordura corporal precisa diminuir. E isso costuma acontecer de forma mais gradual no corpo feminino.

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Pesquisas publicadas no American Journal of Clinical Nutrition indicam que mulheres adultas costumam apresentar entre 20% e 30% de gordura corporal como faixa considerada saudável, enquanto nos homens esse número costuma ficar entre 10% e 20%.

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Abdômen definido não depende só de abdominal

Outro erro comum é acreditar que fazer muitos exercícios abdominais é suficiente para definir a região. Na prática, a definição do abdômen depende principalmente da redução do percentual de gordura corporal total.

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Uma revisão publicada no Journal of Strength and Conditioning Research demonstrou que exercícios localizados, como abdominais, não promovem redução significativa de gordura na região treinada. Esse fenômeno é conhecido como “spot reduction”, ou redução localizada, e não possui evidência científica consistente.

Por isso, estratégias como treino de força, exercícios que envolvem grandes grupos musculares e controle alimentar costumam ter impacto maior na definição abdominal.

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Estresse e sono também influenciam

Fatores do estilo de vida também podem interferir na região abdominal. Níveis elevados de estresse aumentam a produção de cortisol, hormônio associado ao acúmulo de gordura abdominal.

Um estudo publicado na Psychoneuroendocrinology mostrou que níveis cronicamente elevados de cortisol estão associados ao aumento de gordura visceral e dificuldade de perda de gordura na região abdominal.

Além disso, dormir mal também pode afetar o metabolismo e os hormônios que regulam a fome e a saciedade.

Definição abdominal é um processo multifatorial

Definir o abdômen feminino não depende de um único fator. Genética, hormônios, composição corporal, alimentação, treino e estilo de vida influenciam diretamente nesse processo.

Por isso, a evolução costuma ser gradual e varia muito de pessoa para pessoa. Em muitos casos, o foco no fortalecimento do core, na redução progressiva de gordura corporal e na constância do treino tende a trazer resultados mais consistentes ao longo do tempo.

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