Inclinar o tronco no afundo é errado?
A postura no afundo muda a ativação muscular e a distribuição de cargas no movimento
Quem faz afundo na academia já deve ter ouvido a correção clássica: “tronco sempre ereto”. Mas estudos mostram que inclinar levemente o tronco durante o afundo não é, por si só, um erro. A resposta depende do objetivo do exercício, da execução e de como a carga é distribuída entre quadril e joelhos.
O afundo é um movimento multiarticular, e pequenas variações na postura alteram quais músculos são mais solicitados.
O que acontece quando o tronco inclina
Ao inclinar o tronco levemente para frente, o exercício passa a exigir mais dos glúteos e dos músculos posteriores da coxa. Isso ocorre porque há maior flexão de quadril, o que redistribui o torque articular e reduz parte da demanda direta sobre o joelho da frente.
Um estudo publicado no Journal of Strength and Conditioning Research analisou variações do afundo e mostrou que maior inclinação do tronco está associada a aumento da ativação do glúteo máximo, enquanto a posição mais ereta tende a exigir mais do quadríceps.
Inclinação pode ser estratégia, não erro
Em muitos contextos, a inclinação do tronco é usada de forma intencional. Uma pesquisa da University of Delaware, publicada no Journal of Biomechanics, mostrou que movimentos com maior participação do quadril reduzem o estresse patelofemoral, o que ajuda a explicar por que algumas pessoas sentem menos desconforto no joelho ao inclinar levemente o tronco no afundo.
Isso não significa que a inclinação seja obrigatória, mas que ela pode ser uma ferramenta válida dentro de um treino bem orientado.
Quando a inclinação vira problema
O problema surge quando a inclinação acontece por falta de controle, e não por escolha técnica. Estudos de análise cinemática publicados no Sports Biomechanics indicam que inclinações excessivas, associadas à perda de alinhamento da coluna ou colapso do joelho, aumentam o risco de sobrecarga lombar e articular.
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Tronco ereto ou inclinado?
De forma geral:
- Tronco mais ereto aumenta a demanda sobre o quadríceps;
- Leve inclinação aumenta a participação do quadril e dos glúteos;
- Ambas as variações são seguras quando executadas com boa técnica.
Uma revisão publicada no Strength and Conditioning Journal reforça que a escolha da postura deve considerar o objetivo do treino, a experiência do praticante e possíveis limitações articulares.
O que realmente importa no afundo
Mais importante do que seguir uma regra fixa é manter controle do movimento, alinhamento articular e estabilidade do core. A inclinação do tronco pode ser um ajuste consciente para direcionar o estímulo muscular, desde que feita com coluna neutra e carga adequada.





