A performance caiu e o cansaço aumentou durante a corrida? Você pode estar com RED-S
Descubra a Deficiência Energética Relativa no Esporte (RED-S), seus perigos e como a alimentação adequada previne este problema
Aumentar a quilometragem, melhorar o pace e buscar novos recordes pessoais fazem parte da rotina de muitos corredores. Mas, quando a intensidade e o volume dos treinos aumentam, a alimentação precisa acompanhar essa demanda. Caso contrário, o atleta pode não consumir energia suficiente para sustentar tanto a prática esportiva quanto as funções básicas do organismo.
Esse desequilíbrio pode levar à Deficiência Energética Relativa no Esporte, conhecida pela sigla RED-S (do inglês Relative Energy Deficiency in Sport). A condição ocorre quando a energia que sobra para o organismo depois de descontado o gasto com os exercícios é insuficiente para manter seu funcionamento adequado. Com o tempo, isso pode provocar alterações hormonais e metabólicas, comprometer a saúde dos ossos, reduzir a imunidade, dificultar a recuperação muscular e aumentar o risco de lesões.
Segundo o Dr. Thiago Viana, nutrólogo e médico do esporte, o problema pode aparecer, por exemplo, quando o corredor aumenta significativamente o volume de treinos, mas não ajusta a alimentação para atender às novas necessidades do corpo.
“Não basta que o organismo tenha energia suficiente para o treino. O corpo também precisa ter condições para funcionar e realizar suas atividades básicas. Quando essa energia começa a faltar de maneira persistente, o organismo passa a economizar em algumas funções vitais para dar conta de continuar funcionando, o que pode trazer diversos problemas para a saúde”, explica Viana.
Quais são os principais sintomas da RED-S?
A RED-S não costuma se manifestar por meio de um único sintoma. Por isso, é importante observar mudanças persistentes no funcionamento do organismo e no desempenho esportivo. Entre os sinais que merecem atenção estão a queda inexplicada na performance, o cansaço frequente, a dificuldade de recuperação entre os treinos e o aumento da ocorrência de lesões.
As consequências também podem variar entre homens e mulheres. Nas mulheres, a baixa disponibilidade energética pode provocar irregularidades menstruais ou até a interrupção da menstruação. Nos homens, podem ocorrer alterações hormonais, como a redução dos níveis de testosterona, além de diminuição da libido e prejuízos à função reprodutiva.
Em ambos os sexos, a condição pode afetar a saúde óssea, a imunidade, o metabolismo e a capacidade de recuperação. Ou seja, nem sempre o primeiro sinal aparece no cronômetro: muitas vezes, o corpo começa a dar indícios de que não está conseguindo acompanhar a carga de treinamento.
Corredores amadores também podem desenvolver RED-S?
Podem sim! Embora seja frequentemente associada ao esporte de alto rendimento, a RED-S não é exclusiva de atletas profissionais. Corredores amadores também estão sujeitos à condição, especialmente quando aumentam a frequência, a duração ou a intensidade dos treinos sem adequar a ingestão de energia.
Uma rotina corrida, com trabalho, compromissos e refeições feitas às pressas, pode dificultar o consumo adequado de alimentos. Nesse cenário, mesmo quem não percorre grandes distâncias pode apresentar um desequilíbrio entre a energia ingerida e o gasto com os exercícios.
Portanto, não é necessário ser atleta de elite ou correr uma maratona para desenvolver o problema. O risco está relacionado à disponibilidade de energia para o organismo, e não apenas à distância percorrida ou ao nível de desempenho do corredor.
Como prevenir e tratar a RED-S?
A recuperação da disponibilidade energética é o principal caminho para tratar a RED-S. Isso pode envolver ajustes na alimentação, aumento da ingestão calórica e, dependendo da gravidade do quadro, redução temporária do volume ou da intensidade dos treinos. O acompanhamento profissional é fundamental para identificar as necessidades individuais e definir a melhor estratégia.
“Fica claro que a alimentação adequada ao treino é o ponto principal para evitar o problema. Nesse sentido, os carboidratos contribuem para o fornecimento de energia durante o exercício e para a reposição do glicogênio, enquanto as proteínas participam da recuperação e adaptação muscular”, destaca o médico.
Além dos carboidratos e das proteínas, as gorduras, as vitaminas e os minerais também têm funções importantes para o funcionamento do organismo. Já os suplementos podem ser úteis em situações específicas, mas não substituem uma alimentação adequada nem corrigem, sozinhos, a baixa disponibilidade energética.
“Para evitar a baixa disponibilidade energética, o corredor precisa entender que alimentação, sono de qualidade e uma boa recuperação fazem parte do treino tanto quanto os quilômetros percorridos. À medida que a carga aumenta, a estratégia nutricional precisa acompanhar essa mudança. Não adianta procurar um suplemento perfeito se está faltando o básico. O treino estimula o corpo, a alimentação fornece a matéria-prima e o descanso permite a adaptação”, conclui o Dr. Thiago Viana.
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