Mito x verdade: a prática de exercício físico pode reduzir o risco de demência?

Exercícios regulares são chave para a saúde cerebral, combatendo declínio cognitivo e demência com evidências científicas.

Por Juliany Rodrigues 11 set 2026, 14h00
Homem idoso de barba branca, sorrindo, alongando-se ao ar livre, vestindo camiseta azul e shorts, com árvores e um lago ao fundo
Mito x verdade: a prática de exercício físico pode reduzir o risco de demência? | (Magnific/Magnific)
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A atividade física regular pode exercer um efeito protetor interessante contra o declínio cognitivo e o desenvolvimento de demência.

Um estilo de vida ativo oferece uma série de benefícios para a saúde cerebral e, além de colaborar para a prevenção, também é considerado importante para a melhora da qualidade de vida de quem já convive com quadros iniciais da doença.

Quando o assunto é a relevância dos exercícios para a manutenção do funcionamento do cérebro, é possível ressaltar que os impactos positivos do movimento englobam muitas frentes.

“Manter o corpo em movimento pode  influenciar positivamente a função cerebral através de diversos mecanismos. Observamos que o exercício físico pode ajudar na proteção contra o declínio cognitivo e contribuir para uma melhor qualidade de vida de indivíduos que já manifestam sintomas de demência”, explica Camila Midori, especialista em exercício físico da plataforma Namu.

Treinar de maneira frequente auxilia no aumento do fluxo sanguíneo e da oxigenação cerebral, estimulando a neurogênese e a produção de fatores neurotórifcos, que favorecem a plasticidade dos neurônios.

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A neuroplasticidade consiste na capacidade do cérebro de se adaptar, criar novas conexões e reorganizar circuitos para aprender e memorizar melhor.

Além disso, os exercícios agem na redução do estresse e da inflamação e no combate aos danos gerados por radicais livres — efeitos que podem fazer toda a diferença para a preservação da função cognitiva.

Mito x verdade: a prática de exercício físico pode reduzir o risco de demência?

Existem evidências científicas que sugerem que a prática de exercício físico pode atuar na redução do risco de demência, e os achados têm se mostrado bem consistentes.

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Um estudo liderado pela Johns Hopkins Bloomber School of Publich Health, publicado em 2025 no Journal of the American Medical Directors Association, acompanhou quase 90 mil adultos no Reino Unido, que utilizaram acelerômetros de pulso para monitoramento dos níveis de treinos ao longo de uma semana. Os participantes foram observados por, em média, 4,4 anos.

O resultado: quem praticava apenas 35 minutos semanais de atividade física moderada a vigorosa já apresentada 41% menos chance de desenvolvimento de demência, em comparação a quem não se exercitava nada.

“Nossas descobertas sugerem que o aumento da atividade física, mesmo que seja tão pouco quanto cinco minutos por dia, pode reduzir o risco de demência em adultos mais velhos,” declarou o autor principal do estudo Amal Wanigatunga, PhD, MPH, professor assistente do Departamento de Epidemiologia da Escola Bloomberg.

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Já uma pesquisa da Unicamp reuniu 44 pessoas com comprometimento cognitivo leve e separou elas em dois grupos: um que fez treinos de musculação duas vezes por semana, com intensidade moderada a alta e progressão de carga, e outro que se manteve sem realizar exercícios físicos.

Após seis meses, os resultados mostraram que o primeiro grupo apresentou uma memória verbal melhor, neurônios mais fortes e resistentes e partes do cérebro ligadas ao Alzheimer protegidas contra desgaste. Já o segundo grupo registrou uma piora na saúde cerebral.

Um estudo do Instituto de Pesquisa sobre Neurociências e Neurotecnologia (Brainn), da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) também destacou que o exercício físico contribuiu para a proteção do cérebro de idosos contra demência.

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O trabalho apontou que fazer musculação duas vezes por semana, com intensidade moderada ou alta, pode apoiar a conservação do hipocampo e do pré-cúneo, áreas que costumam apresentar alterações quando há essa condição.

É válido mencionar que a prevenção e o manejo de demências precisa envolver outros cuidados associados aos hábitos de vida. Além de se mexer constantemente, é crucial ficar de olho na alimentação, na qualidade do sono, no controle do estresse e nos estímulos cognitivos habituais.

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