Treinar em jejum faz sentido? O que a ciência diz
Estratégia pode colocar em risco a saúde e desencadear até mesmo desmaios em alguns casos. Saiba mais!
Quem nunca ouviu falar que treinar em jejum emagrece mais? Muitas pessoas optam por essa estratégia com a intenção de potencializar a queima de gordura, porém a ciência mostra que a história não é tão simples assim.
Treinar em jejum é uma prática que tem seus riscos e que pode colocar a saúde em perigo. Entre os problemas que podem surgir devido a esse hábito estão queda de pressão, tontura, fraqueza, fadiga precoce e até mesmo desmaios.
A combinação entre treino em jejum pode não valer a pena e nem ser indicada para todo mundo. A seguir, veja o que dizem alguns estudos sobre a abordagem!
Treinar em jejum emagrece mais?
Uma pesquisa divulgada em 2016 no Journal of the International Society of Sports Nutrition apontou que treinar em jejum aumenta a oxidação de gordura, porém o efeito na perda de peso geral pode ser semelhante ao treinamento em estado alimentado quando o déficit calórico é controlado.
“Na literatura científica, não há evidências robustas que indiquem que treinar em jejum seja mais eficaz para a perda de gordura visceral ou subcutânea especificamente”, comenta Stefan Gleissner, personal trainer e coordenador de musculação na Bodytech Eldorado.
“A perda de gordura corporal total está mais ligada ao balanço energético geral do que ao estado alimentado ou de jejum durante a atividade física”, revela Gleissner.
Diversos outros artigos sinalizam que o emagrecimento saudável e sustentável deve envolver fatores relacionados a um estilo de vida equilibrado, como a prática regular de atividades físicas, uma dieta balanceada e os cuidados com a saúde mental.
“O importante é entender que, se a pessoa vai emagrecer ou não, depende do contexto. Muito mais que o período em jejum, o momento alimentado deve ser estratégico”, destaca o o nutricionista Ney Felipe Fernandes, Mestre em Biologia Celular e Molecular pela UFPR.
Quais os riscos do treino em jejum?
Segundo Priscilla Martins, mestre em Endocrinologia pela UFRJ, existem casos nos quais o treino em jejum pode atrapalhar a hipertrofia dos músculos.
“A estratégia envolve a possibilidade de catabolismo muscular, quando o corpo, sem nutrientes suficientes, começa a usar a musculatura como fonte de energia”, explica Martins.
Além disso, é importante destacar que treinar em jejum pode trazer impactos negativos ao desempenho físico, levando à fadiga precoce e a diminuição da resistência e da força. A longo prazo, isso pode comprometer significativamente os resultados.
Um estudo da Sports Medicine mostrou que o treinamento em jejum pode reduzir o desempenho em atividades de resistência e força, principalmente em exercícios com duração superior a 60 minutos.
É preciso ficar alerta ao apresentar sintomas como sensação de desmaio, hipoglicemia, perda de foco, náusea, irritabilidade e dores de cabeça.
Pessoas com hipoglicemia ou diabetes descontrolado, indivíduos com doenças crônicas ou histórico de distúrbios alimentares, grávidas, lactantes, atletas de alta performance e crianças fazem parte do grupo que deve evitar o treino em jejum.
“Pessoas extremamente sedentárias e aquelas que esporadicamente realizam algum tipo de atividade física também devem ficar longe dessa prática”, completa Fernandes.
“O acompanhamento de um médico ou nutricionista é fundamental para garantir a segurança da abordagem. A palavra-chave é a individualização”, finaliza a endocrinologista Priscilla.
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Treinar em jejum emagrece mesmo? O que é mito e o que é verdade





