Dormiu pouco? A IA te fala seu treino ideal. Descubra como ela está mudando a forma de cuidar do corpo

Com Inteligência Artificial, seus wearables e apps de saúde digital agora interpretam dados e oferecem recomendações personalizadas para seu bem-estar

Por Larissa Serpa 12 ago 2026, 12h00 | Atualizado em 12 ago 2026, 14h45
Braço de uma pessoa com um smartwatch cinza exibindo Running e dados de corrida em tela verde, ao lado de um smartphone mostrando o Fitness index com um gráfico de radar verde, sobre uma pista de corrida azul
Os wearables da Samsung já conseguem não apenas monitorar seus dados, mas interpretá-los para sugerir ajustes aos seus treinos e saúde (Samsung/Divulgação)
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Por muito tempo, um relógio inteligente ou um aplicativo de saúde funcionou como um painel: mostrava a frequência cardíaca, contava os passos, registrava as horas de sono. Cabia à pessoa interpretar aqueles números e decidir o que fazer com eles. Essa lógica está mudando. Com o avanço da inteligência artificial (IA) aplicada à saúde digital, os dispositivos vestíveis e aplicativos de bem-estar têm deixado de apenas informar para passar a interpretar — cruzando sono, atividade física, recuperação, nutrição e sinais vitais para sugerir, de forma personalizada, o que fazer a seguir.

É essa mudança de paradigma que especialistas do setor de tecnologia para saúde apontam como o próximo grande salto do bem-estar digital: menos números soltos, mais orientação prática.

De dado bruto a decisão prática

Segundo Otávio Penatti, diretor de Pesquisa e Desenvolvimento em IA para saúde e bem-estar no centro de P&D da Samsung no Brasil, a IA hoje conecta diferentes indicadores de saúde para gerar recomendações contextualizadas — algo que, segundo ele, antes dependia inteiramente da interpretação do próprio usuário. Em vez de apenas indicar quantas horas a pessoa dormiu, a tecnologia atual consegue sugerir, por exemplo, um treino mais leve para o dia seguinte ou reforçar a importância de priorizar o descanso.

Essa leitura integrada de dados é o que Penatti chama de virada de chave nos wearables: “transformar dados em decisões práticas”. A promessa não é substituir o bom senso ou a orientação médica, mas tornar mais simples identificar pequenos ajustes de rotina — intensidade do treino, hidratação, consistência do sono — que, somados ao longo do tempo, fazem diferença real no condicionamento físico.

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Sinais que o corpo dá e a pessoa não percebe

Pessoa de pele morena usando um smartwatch branco no pulso esquerdo, tocando a tela com o dedo indicador direito. A tela exibe SYS 120/80 mmHg e 73 bpm. Ao fundo, uma mesa redonda de madeira e um objeto claro.
(Samsung/Divulgação)

Uma das promessas mais interessantes dessa nova geração de tecnologia é captar sinais fisiológicos discretos, que passariam despercebidos na rotina, mas que indicam se o corpo está de fato pronto para o esforço físico. Variações na frequência cardíaca em repouso, na variabilidade da frequência cardíaca e na qualidade da recuperação cardiovascular podem apontar que o organismo ainda não está totalmente recuperado — mesmo quando a sensação subjetiva é de estar pronto para treinar.

Esse tipo de leitura combina o monitoramento contínuo feito por sensores corporais com a análise cruzada de indicadores como carga de esforço acumulada, sinais vitais e condicionamento físico. Com base nesse retrato mais completo, a IA consegue sugerir, conforme o caso, reduzir a intensidade do treino, priorizar o descanso, reforçar a hidratação após um esforço mais intenso, ou simplesmente confirmar que o corpo está pronto para manter o planejamento original.

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Um treino para cada perfil — do sedentário ao atleta amador

Outra frente em que a IA vem avançando é a personalização por perfil. Uma pessoa sedentária precisa de estímulos completamente diferentes dos de um corredor experiente, assim como alguém com rotina de trabalho por turnos apresenta padrões de sono e recuperação distintos de quem tem horários fixos. Ao analisar o contexto completo de cada usuário — e não um dado isolado —, a tecnologia consegue calibrar recomendações: incentivar caminhadas curtas e aumento gradual de atividade para iniciantes, por exemplo, ou sugerir ajustes de intensidade e novos desafios para quem já treina com regularidade.

Essa personalização também passa pela forma como a informação é comunicada. Segundo Penatti, a aplicação de conhecimentos de ciência comportamental ajuda a transformar dados técnicos em mensagens mais claras e motivadoras, adaptadas ao momento de cada pessoa — uma tentativa de tornar o acompanhamento de saúde menos técnico e mais acionável no dia a dia.

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Overtraining e risco de lesão: dá para prever?

Um dos usos mais sensíveis dessa tecnologia é a identificação precoce de sinais associados a fadiga acumulada ou recuperação insuficiente — quadro que, se ignorado, pode evoluir para lesões por excesso de treino (overtraining). Ao acompanhar tendências ao longo do tempo, e não apenas o desempenho de um treino isolado, a IA consegue apontar momentos em que o corpo precisa de mais tempo de recuperação antes que o cansaço se acumule.

É importante frisar, no entanto, o limite dessa tecnologia: segundo Penatti, esses recursos “não fazem diagnóstico nem substituem acompanhamento médico” — o papel da IA é alertar quando um padrão sugere a necessidade de reduzir a intensidade, descansar mais ou buscar avaliação profissional. Questionado sobre até onde vai a orientação da tecnologia e onde começa a necessidade de um profissional de saúde, ele foi direto: para dor persistente, suspeita de lesão, doenças pré-existentes, reabilitação ou definição de programas específicos de treinamento, a avaliação de um educador físico, fisioterapeuta ou médico continua sendo insubstituível. A visão, segundo ele, é a de integrar tecnologia e cuidado profissional — oferecendo dados que qualifiquem a conversa entre usuário e especialista, não que a substituam.

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O que vem a seguir: ajustes de treino em tempo real

Mulher de costas, com cabelos cacheados, alongando os braços para trás, usando camiseta branca e calça escura. No pulso esquerdo, um smartwatch branco com tela verde exibindo Running e um ícone de pessoa correndo. O céu azul claro serve de fundo
(Samsung/Divulgação)

O próximo passo dessa evolução, segundo especialistas do setor, é tornar o acompanhamento cada vez mais preventivo e adaptado ao momento de cada pessoa — inclusive durante o próprio exercício. Tecnologias que estimam de forma personalizada a frequência cardíaca máxima e os limiares aeróbico e anaeróbico de cada usuário, por exemplo, já permitem calcular zonas de treino individualizadas, acompanhadas em tempo real por relógios inteligentes e aplicativos. Combinado a estimativas de capacidade cardiorrespiratória e a lembretes personalizados de hidratação, o objetivo é que o usuário saiba, no momento do treino, se está na intensidade certa para o objetivo que persegue — seja resistência, condicionamento ou perda de peso.

Acesso: a barreira não é o dispositivo, é a rotina

Se a tecnologia avança, o desafio seguinte é o acesso. Para especialistas da área, a democratização da saúde digital não depende necessariamente de comprar um novo dispositivo vestível — o próprio smartphone já concentra boa parte dessas funções, permitindo monitorar atividade física, alimentação e hidratação sem a necessidade de um relógio inteligente. A lógica é permitir que o usuário comece com o que já tem em mãos e, se quiser um acompanhamento mais completo, avance depois para dispositivos com sensores dedicados.

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Mais do que disponibilizar a tecnologia, o desafio citado por Penatti é torná-la compreensível: transformar grandes volumes de dados em informações simples o suficiente para orientar pequenas mudanças de comportamento no dia a dia — o verdadeiro objetivo por trás da promessa de uma saúde digital cada vez mais preventiva, personalizada e acessível.

Fonte: entrevista exclusiva concedida por Otávio Penatti, diretor de Pesquisa e Desenvolvimento em IA para saúde e bem-estar no centro de P&D da Samsung no Brasil.

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