Energético é considerado um bom pré-treino?
Saiba o que dizem os estudos sobre cafeína, rendimento e riscos cardiovasculares antes de abrir a próxima lata
Tomar energético antes de treinar virou hábito para muita gente que busca mais disposição imediata. A sensação de alerta rápido pode até dar a impressão de melhor rendimento.
Mas performance não é só estímulo momentâneo. Envolve segurança cardiovascular, controle metabólico e capacidade real de sustentar esforço.
O que realmente existe dentro da lata?
A maioria dos energéticos contém doses elevadas de cafeína, além de taurina, guaraná, açúcar ou adoçantes e outros compostos estimulantes. Uma única lata pode ultrapassar 150 a 200 mg de cafeína, valor que já representa metade do limite diário considerado seguro para adultos saudáveis, segundo a Anvisa.
A cafeína isolada tem evidência científica como recurso ergogênico. Estudos publicados no Journal of the International Society of Sports Nutrition mostram melhora de desempenho em exercícios de resistência e força quando utilizada em doses moderadas, geralmente entre 3 e 6 mg por quilo de peso corporal.
O problema é que o energético não oferece dose individualizada, ele entrega estímulo padronizado, e muitas vezes acima do necessário.
Energéticos como pré-treino: riscos à saúde que você precisa conhecer
O impacto no sistema cardiovascular
Para Regiane Cruz, especialista da NAMU, plataforma de saúde e bem-estar, o uso indiscriminado preocupa. “Os energéticos contêm altas doses de cafeína e outras substâncias estimulantes que elevam a frequência cardíaca e a pressão arterial. Quando consumidas em um organismo submetido a esforço físico intenso pode levar até um infarto”, explica.
Estudos da Sociedade Brasileira de Cardiologia indicam que a ingestão excessiva de cafeína pode desencadear arritmias, taquicardia e até mesmo eventos cardiovasculares graves, principalmente em pessoas predispostas.
Durante o exercício, o coração já trabalha mais. Associar isso a um estímulo intenso pode elevar ainda mais a sobrecarga cardíaca.
Pode prejudicar o próprio desempenho?
Nem sempre mais estímulo significa melhor resultado. “O consumo exagerado de cafeína, por exemplo, pode levar a um estado de alerta artificial rápido que se transforma em fadiga precoce. O efeito rebote faz com que o corpo perca energia rapidamente, reduzindo a resistência muscular e aumentando a chance de desidratação”, reforça a especialista.
Pesquisas no European Journal of Applied Physiology mostram que doses elevadas podem aumentar ansiedade, tremores e interferir na coordenação motora, o que impacta diretamente a técnica em exercícios mais complexos.
Além disso, quando associado ao açúcar, o energético pode provocar pico glicêmico seguido de queda abrupta, favorecendo sensação de cansaço durante o treino.
Então energético é um bom pré-treino?
Depende da dose, da saúde cardiovascular e da tolerância individual.
A cafeína pode ser estratégica quando utilizada de forma controlada. Mas energéticos industrializados combinam alta concentração estimulante com outras substâncias que potencializam efeitos adversos.
Buscar energia rápida pode até parecer eficiente. Mas rendimento sustentável envolve estratégia, alimentação adequada, descanso e, quando necessário, suplementação orientada.





