Proteína deixa de ser detalhe e vira peça-chave no emagrecimento; entenda
O emagrecimento vai além da balança: proteína e treino de força são cruciais para preservar músculos e garantir resultados duradouros.
Durante o processo de emagrecimento, a qualidade da perda de peso é um fator essencial para perder os quilinhos indesejados com saúde. Além disso, a preservação da massa muscular também é um ponto determinante para resultados eficientes. E, dentro desse cenário, a proteína se torna protagonista nas estratégias de tratamentos como obesidade, por exemplo.
Antes associada principalmente à saciedade ou ao ganho de massa muscular, a proteína passa a ser entendida como um componente metabólico essencial no processo de emagrecimento.
Sua função vai além da estética: ela contribui para a manutenção da massa magra, reduz o risco de sarcopenia e ajuda a preservar o metabolismo basal, fatores diretamente ligados à manutenção do peso ao longo do tempo.
“Os tratamentos modernos para obesidade, como a gastroplastia endoscópica e os medicamentos que atuam na saciedade, representam um avanço significativo. Mas eles só atingem seu potencial quando estão associados a um acompanhamento clínico e nutricional rigoroso, com atenção especial à preservação da massa muscular”, afirma o Dr. Sérgio Alexandre Barrichello Jr., especialista em gastroplastia endoscópica e tratamento da obesidade.
O tema ganha ainda mais relevância diante da expansão de procedimentos como a própria gastroplastia endoscópica, cirurgias bariátricas e o uso de medicamentos que reduzem o apetite. Embora essas abordagens tenham impacto comprovado na perda de peso, especialistas alertam que a redução da ingestão alimentar exige maior atenção à densidade nutricional da dieta, especialmente ao consumo adequado de proteínas.
Segundo Barrichello , o erro mais comum observado na prática clínica é a subestimação das necessidades proteicas durante o processo de emagrecimento.
“Quando o paciente reduz o volume alimentar, seja por cirurgia, procedimento endoscópico ou medicação, ele também reduz automaticamente o consumo de nutrientes essenciais. Por isso, a proteína deixa de ser um detalhe e passa a ser uma prioridade clínica”, completa.
Proteína e estratégia nutricional: um desafio prático
Diretrizes clínicas indicam que a ingestão de proteína em processos de emagrecimento pode variar entre 1,2 g e 2,0 g por quilo de peso corporal ao dia, dependendo do perfil do paciente, nível de atividade física e estratégia terapêutica adotada.
Na prática, isso significa que um adulto de 70 kg pode necessitar entre 84 g e até 140 g de proteína diariamente. Um volume que, segundo especialistas, muitas vezes é difícil de ser atingido apenas com alimentação convencional, especialmente em contextos de redução de apetite ou capacidade gástrica.
Exemplos ajudam a dimensionar esse desafio: 100 g de peito de frango fornecem cerca de 30 g de proteína, enquanto um ovo inteiro tem aproximadamente 6 g.
Para atingir 90 g de proteína apenas com ovos, seriam necessários cerca de 15 unidades ao longo do dia, o que evidencia a importância de planejamento alimentar estruturado e, em alguns casos, suplementação orientada.
Exercício físico como peça-chave na preservação muscular
Se a nutrição é um pilar central, o exercício físico aparece como elemento indispensável para sustentar os resultados do emagrecimento e preservar a funcionalidade muscular.
A professora de educação física e especialista em prevenção e reabilitação de lesões, Patricia Afonso, reforça que o emagrecimento saudável não pode ser dissociado do movimento.
“O exercício físico, especialmente o treino de força, é determinante para preservar massa muscular durante o emagrecimento. Sem isso, há maior risco de perda de tecido magro, o que compromete o metabolismo e aumenta a chance de reganho de peso”, explica.
Patricia também destaca que a individualização do treino é essencial, principalmente em pessoas com histórico de obesidade, dores articulares ou pós-procedimentos.
“Cada paciente precisa de uma estratégia adaptada à sua realidade funcional. Em muitos casos, começamos com exercícios de baixo impacto e progressão gradual de força. O objetivo não é apenas estética, mas funcionalidade, autonomia e segurança”, completa.
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