Lipedema e corrida: quem tem a condição pode praticar?
Entenda como a corrida e outras atividades físicas impactam o lipedema, com orientações de especialistas para sua saúde.
Lipedema é uma condição crônica caracterizada pelo acúmulo anormal de gordura, principalmente nas pernas e nos braços, que pode causar dor, sensibilidade, hematomas frequentes e sensação de peso nos membros.
E quem tem lipedema, sabe que as atividades físicas são uma das principais aliadas no seu controle.
Mas, apesar disso, será que a corrida também é um esporte que contribui para quem possui a condição?
Segundo Beatriz Berenchtein, coordenadora de Fisioterapia da Faculdade Anhanguera, não existe uma resposta única.
“A corrida não é proibida para quem tem lipedema, mas a indicação depende do estágio da doença, da intensidade dos sintomas e do condicionamento físico de cada paciente. Em alguns casos, o impacto pode aumentar a dor e o desconforto, principalmente quando a prática começa sem preparo ou acompanhamento profissional”, explica.
A profissional listou a seguir quais atividades costumam trazer mais benefícios e quais exigem maior atenção:
- Caminhada: é uma excelente opção para quem está iniciando uma rotina de exercícios. Além de ser de baixo impacto, contribui para melhorar a circulação e o condicionamento físico.
- Natação e hidroginástica: a pressão da água favorece o retorno venoso e linfático, ajudando a aliviar o inchaço e reduzindo a sobrecarga sobre as articulações.
- Musculação: quando bem orientada, fortalece a musculatura, melhora a estabilidade das articulações e auxilia na funcionalidade dos membros inferiores.
- Pilates: ajuda no fortalecimento muscular, na postura, na mobilidade e no equilíbrio, com baixo impacto.
- Bicicleta: tanto a bicicleta ergométrica quanto a convencional podem ser boas alternativas para melhorar o condicionamento cardiovascular sem impactos repetitivos.
E a corrida, como fica?
A corrida não precisa ser descartada, mas exige alguns cuidados. De acordo com o especialista, pacientes com sintomas leves e bom condicionamento podem praticar a modalidade, desde que respeitem a evolução do treino e sejam acompanhados por profissionais.
Já quem apresenta dor intensa, edema importante ou está começando a praticar atividade física pode se beneficiar mais de modalidades de menor impacto antes de incluir a corrida na rotina.
Exercícios que merecem atenção:
Mais do que evitar uma modalidade específica, o importante é observar como o corpo responde ao exercício. Atividades com muitos saltos, impactos repetitivos ou aumento brusco da intensidade podem agravar o desconforto em algumas pacientes.
“Cada caso deve ser avaliado individualmente. O objetivo é encontrar uma atividade que promova ganhos para a saúde sem aumentar os sintomas do lipedema”, reforça a fisioterapeuta.
Além da prática de exercícios, o controle da condição pode incluir fisioterapia, alimentação equilibrada, uso de meias compressivas quando indicado e acompanhamento multiprofissional.
É importante destacar que a atuação do fisioterapeuta é voltada para o controle dos sintomas, melhora da circulação e da drenagem linfática, redução do edema quando presente, alívio da dor e preservação da mobilidade e da qualidade de vida.
Por meio de uma avaliação individualizada, o profissional pode utilizar recursos como terapia manual, exercícios terapêuticos, prescrição de atividades físicas, orientações sobre autocuidado e compressão elástica, contribuindo para retardar a progressão da doença e favorecer a funcionalidade.
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