Regina Chamon: médica da Lapinha SPA, a @drasanguebom une a medicina com as práticas de bem-estar para te inspirar a cultivar corpo, mente e coração mais saudáveis todos os dias Saúde sem estresse, por Regina Chamon Regina Chamon une a medicina com as práticas de bem-estar para te inspirar a cultivar corpo, mente e coração mais saudáveis

O remédio definitivo para o cansaço

Como diz o rabino Nilton Bonder: “Onde não há pausa, a vida lentamente se extingue.”

Por Larissa Serpa Atualizado em 18 out 2021, 16h09 - Publicado em 21 out 2021, 15h00

Ganhei uma muda de Mirra de uma paciente. É uma planta medicinal que parece com o manjericão, tem um cheiro gostoso e por muito tempo foi usada como incenso pelos povos antigos. Fez parte do culto ao Sol nos povos egípcios e também foi um dos presentes dados pelos Reis Magos ao Menino Jesus.

A muda veio pequena, mas bem folhudinha, em um vaso simples de barro. Fiquei tocada pela simbologia do presente e passei a cuidar dela com extrema dedicação. Todos os dias eu colocava água, deixava ao sol, adicionava adubo. Mas as folhas começaram a murchar e cair. Então eu colocava mais água e mais adubo. Tentei fertilizante, farinha de casca de ovo e até inseticida. Algo não estava certo já que, apesar de todas as tentativas, a planta não parava de se deteriorar.

Essa semana, atendendo uma moça jovem e muito bonita lembrei da muda de mirra. A moça me disse que algo estava errado com ela e os médicos não conseguiam descobrir o que era. Seus exames estavam todos normais, mas ela sentia um profundo cansaço.

Adorava ser mãe, fazia o que era preciso para o filho estar bem, perdia horas de sono para que o menino dormisse mais, mas perdia a paciência com o garoto com frequência, mesmo sem querer. 

Sentia-se feliz com o trabalho, que tomava muitas horas, e mesmo estando esgotada sentia que dava conta dele, mas que poderia desempenhar melhor. Começou então a meditar todos os dias, na intenção de ter mais foco. Também passou a tomar algumas vitaminas para melhorar o desempenho

A noite tomava magnésio, fitoterápicos calmantes e chás para desacelerar. De manhã café, para acelerar. Sabia que precisava fazer exercício para melhorar a performance. Talvez corrida, que dizem que libera endorfinas, mas o cansaço era tanto que ainda não conseguia.

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Já estava comendo sem glúten e sem lactose porque ouviu que isso sim poderia dar cansaço mental. Começou os probióticos para melhorar o intestino.

Queria saber o que mais faltava precisava fazer para espantar o cansaço! 

Por fim perguntei: “e em que momento do dia você faz uma pausa para descansar?” Ela me pareceu muito surpresa com o “absurdo” desta pergunta! Sentia que havia algo muito errado com ela porque durante a pandemia todos estavam produzindo mais e ela estava produzindo “menos” e eu estava falando sobre parar para descansar.

Segundos após a surpresa veio um lampejo: não era o que ela precisava fazer mais, era o que ela precisava fazer MENOS. Menos cobrança, menos informação, menos redes sociais, menos café, menos trabalho. Somando todos esses “menos” sobraria tempo para respirar fundo algumas vezes ao dia, energia para uma caminhada tranquila, espaço interno para acolher seu filho que também estava com coisas demais na cabeça.

Como diz o rabino Nilton Bonder: “A noite é pausa, o inverno é pausa, mesmo a morte é pausa. Onde não há pausa, a vida lentamente se extingue.” A pausa é fundamental para tudo o que é vivo!

Com a minha muda de mirra foi igual. Em um certo momento eu parei com tudo. Passei a colocar menos água, deixar menos tempo no sol, adubo apenas uma vez por mês. Percebi que ela não precisava de venenos ou substâncias externas naquele momento. As folhas passaram a ter mais vigor, alguns galhinhos cresceram e até consegui fazer mudas com ela. Precisei de pausa e observação para entender que não era o que mais ela precisava e sim o que menos.

Fica aqui o meu convite para você refletir: o que menos você precisa para cultivar a sua saúde?

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