Dani Lins, atleta olímpica, conta suas estratégias espertas à mesa

“Meninas, experimentem esse brigadeiro de paçoca!”, grita Dani Lins no final da sessão de fotos para as colegas de seleção. A levantadora é boa de garfo. Quando pode, ela tem paladar de gente comum, como qualquer uma de nós. Quando precisa, tem disciplina de atleta e segura a boca até a balança descer alguns quilinhos.

MISSÃO DADA É MISSÃO CUMPRIDA
Dani Lins não abre mão do que gosta. “Minha sogra diz que tem prazer de me ver à mesa”, conta. E até o marido,o jogador de vôlei Sidão, costuma falar que a esposa come mais do que ele. Mas a levantadora conhece muito bem o próprio corpo e sabe quando precisa controlar a alimentação para manter a agilidade dentro de quadra. “Afinal, a minha posição é a que mais corre.” Uma aposta – na brincadeira – com o técnico da seleção brasileira, José Roberto Guimarães, incentivou a atleta a dar um gásna dieta. “Estava com o quadril larguinho e combinei como Zé que eu emagreceria até a concentração para a Olimpíada.” Resultado: ela substituiu gordura por massa magra e chegou a Saquarema com 75 quilos (depois, Dani ganhou 1 quilo só de músculos). “Não decoro o meu percentual de gordura, mas está em torno de 18%”, diz ela, que prefere se olhar no espelho para saber quando pode comer um pouquinho mais. “Ontem, queria ir a uma pizzaria, mas me segurei porque sabia que não ia malhar nofim de semana. E ainda tinha as fotos hoje.”

CONCENTRAÇÃO 100% SAUDÁVEL
O centro de treinamento em Saquarema até podia ser um spa – só que com muito treino e suor. As refeições são equilibradas para que as atletas consigam ter um bom desempenho em quadra. “As pessoas imaginam que elas podem comer tudo o que querem por terem um altogasto calórico. Não é bem assim”, explica Isabella Toledo, nutricionista da seleção. Para que manchetes, cortadas e saltos sejam rápidos e potentes, as jogadoras precisam ser leves e fortes. “A quantidade de calorias consumidas (entre 1 800 e 2 500 por dia) influencia diretamente no rendimento delas.” Uma das dicas de Isabella: se alimentar nos 30 primeiros minutos após a atividade física, quando os músculos começam a se recuperar. Nessa hora, o carboidrato é indispensável – uma opção é combinar frutas ou maltodextrina (carbo com médioaltoíndice glicêmico) com whey protein.

REFORÇO POWER
Já durante os treinos, as jogadoras tomam muita água e consomem frutas (como banana e mexerica), isotônico – elas têm uma bebida personalizada com a quantidade de sódio de que cada uma precisa – e sachês de carboidrato ou barras de proteína. “No cardápio, evitamos gordura, que é um nutriente de difícil digestãoe que costuma pesar durante os exercícios. Damos preferência a queijos mais magros e iogurte e leite desnatados”, diz Isabella. O prato de almoço combina verduras e legumes variados (cenoura, rúcula, abóbora etc.) com carboidrato (batata-doce, arroz integral oumassa), leguminosas e uma carne vermelha ou branca.“A proteína de origem vegetal não é totalmente absorvida pelo organismo, o que pode atrapalhar o ganho de massa das atletas e ser insuficiente para repor o ferro perdido na menstruação”, explica a nutricionista.

TÁTICAS DE CONTROLE
Se engana quem pensa que Isabella não liberau ns docinhos. Na mesa de sobremesa há goiabada, doce de leite… “Pego duas mexericas e fujo do refeitório para não ver as magricelas comendo tudo isso”, brinca Dani. Outra técnica para enganar o estômago faminto pós-treino é montar um prato bem grande de salada para depois se levantar e pegar o arroz e o feijão. “Daí, já estou mais saciada e não exagero”, diz a atleta.

MOZÃO SEMPRE DE OLHO
Quem também pega no pé de Dani é o marido. “Eu adoooro chocolate, mas o Sidão não. Como fazemos compras juntos, ele não me deixa levar doce para casa.Se não, ataco tudo de uma vez.” Os dois são viciados em atividade física, mesmo nas férias. Nos fins de semana,o casal anda de bicicleta no parque e joga frescobol quando vai à praia. Assim, Dani não precisa dispensar o hambúrguer e o fondue de que tanto gosta. “Se eu vacilar, engordo 3 quilos em pouco tempo. Comendo um pouco ali e me segurando um pouco aqui, consigo manter minha meta e, mesmo assim, ser feliz.”

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