O exercício errado pode colocar sua saúde vascular em risco; saiba mais
Exercício é remédio, mas exige cuidado vascular. Saiba como treinar para proteger suas veias e artérias, fortalecendo a panturrilha.
Praticar atividades físicas se transformou em sinônimo de saúde e qualidade de vida. O movimento traz benefícios já comprovados pela ciência, desde uma caminhada de 20 minutos até uma corrida de alta performance. Porém, para o sistema vascular, essa equação não é tão simples.
Especialistas ressaltam que a execução inadequada de um movimento ou a escolha de uma atividade de alto impacto repetitivo pode transformar o que seria um remédio em um perigo silencioso para veias e artérias.
O problema é que o corpo pede movimento, mas exige orientação.
Dados do Ministério da Saúde indicam que 47,5% da população adulta brasileira não se movimenta o suficiente, um índice que cresce entre mulheres e idosos.
Segundo a Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV), esse comportamento sedentário está diretamente relacionado ao aumento de casos de insuficiência venosa crônica e ao surgimento precoce de varizes.
A saída, segundo a Dra. Haila Almeida, médica cirurgiã vascular e fundadora do Instituto Alphaveins, está em um músculo muitas vezes subestimado: a panturrilha.
Conhecida como o “coração periférico”, a região é a responsável por bombear o sangue de volta ao coração, uma tarefa que as veias não conseguem realizar sozinhas.
“Cada contração comprime as veias profundas e empurra o fluxo venoso. Fortalecer essa região é uma questão funcional, e não apenas estética”, explica a médica.
O que funciona e o que gera risco
Entre as atividades mais indicadas para a saúde vascular estão os exercícios de baixo impacto, como caminhada, natação, hidroginástica e ciclismo leve.
A água, em especial, exerce uma pressão hidrostática que funciona como uma drenagem natural que alivia o peso nas pernas. A musculação também entra na lista de aliadas, desde que bem orientada e com respeito aos limites do corpo.
O problema surge com os exageros. “Saltos sucessivos e a musculação com carga excessiva podem fragilizar as paredes venosas, elevar a pressão intra-abdominal e criar um ambiente perigoso para a formação de coágulos. A hidratação inadequada é outro fator crítico. Com a reposição hídrica insuficiente, o sangue se torna mais viscoso, a circulação fica lenta e o risco de trombose aumenta, especialmente em pessoas com predisposição”, afirma a especialista.
Quando ficar em alerta?
De acordo com a Dra Haila, dores na panturrilha que surgem durante a corrida e somem no repouso, inchaço persistente em apenas uma perna, sensação de queimação ou o aparecimento súbito de veias dilatadas são alertas que não podem ser ignorados.
“Nesses casos, insistir no treino é um risco. A recomendação é que o melhor esporte não é o mais intenso, mas aquele que o praticante consegue manter com prazer, regularidade e, acima de tudo, sem lesões”, finaliza a cirurgiã vascular.
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