Parar o treino para fazer xixi é normal? Urologista explica quando investigar
Urgência para urinar no treino é comum, mas pode indicar bexiga hiperativa ou assoalho pélvico fraco. Saiba quando investigar.
Você está no meio da corrida, da musculação ou da aula de funcional e, de repente, precisa interromper tudo para ir ao banheiro. Se essa cena faz parte da sua rotina, saiba que você não está sozinha. A urgência para urinar durante o exercício é uma queixa comum, principalmente entre mulheres, mas nem sempre deve ser considerada normal.
Segundo o urologista Dr. Nelson Batezini, referência em disfunções miccionais e urodinâmica, a necessidade eventual de urinar antes ou durante um treino pode acontecer, especialmente se houve grande ingestão de líquidos. No entanto, quando isso se torna frequente ou interfere na prática de atividade física, é importante investigar.
“A bexiga saudável consegue armazenar um volume adequado de urina sem provocar uma vontade intensa e repentina de urinar. Quando a paciente precisa interromper constantemente o exercício para ir ao banheiro, isso pode indicar que existe alguma alteração no funcionamento da bexiga ou dos músculos responsáveis pela continência urinária”, explica.
Por que isso acontece?
Durante exercícios físicos, especialmente aqueles de maior impacto, como corrida, saltos, crossfit ou treinos funcionais, ocorre um aumento da pressão dentro do abdômen. Em algumas pessoas, isso pode estimular a vontade de urinar ou até favorecer episódios de perda urinária.
Entre as principais causas estão:
- bexiga hiperativa;
- enfraquecimento do assoalho pélvico;
- incontinência urinária de esforço;
- hábitos inadequados de hidratação;
- consumo excessivo de cafeína, energéticos e bebidas diuréticas antes do treino.
Além disso, mulheres que já passaram por gestação, parto, menopausa ou apresentam sobrepeso têm maior risco de desenvolver alterações relacionadas à continência urinária.
Nem sempre o problema é beber muita água
Muitas pessoas acreditam que a solução é simplesmente diminuir a ingestão de líquidos antes da atividade física. No entanto, essa estratégia pode ser prejudicial.
“Reduzir exageradamente o consumo de água não resolve a causa do problema e ainda aumenta o risco de desidratação, principalmente em atividades de longa duração ou realizadas em dias quentes. O ideal é identificar por que essa urgência está acontecendo e tratar a origem da alteração”, alerta Dr. Nelson Batezini.
Quando a situação deixa de ser normal?
Alguns sinais indicam que é hora de procurar avaliação médica:
- necessidade de interromper praticamente todos os treinos para urinar;
- vontade súbita e difícil de controlar;
- perda de urina durante corrida, saltos ou levantamento de peso;
- sensação de esvaziamento incompleto da bexiga;
- aumento importante da frequência urinária ao longo do dia;
- impacto na qualidade de vida ou abandono das atividades físicas.
“Muitas mulheres convivem com esses sintomas durante anos por acreditarem que fazem parte do envelhecimento ou das consequências da maternidade. Felizmente, hoje existem métodos diagnósticos capazes de identificar exatamente a causa e direcionar o tratamento mais adequado”, destaca o especialista.
O exame que ajuda a descobrir a causa
De acordo com Dr. Nelson Batezini, um dos principais aliados na investigação é o estudo urodinâmico, exame que avalia o funcionamento da bexiga e da uretra durante o enchimento e o esvaziamento da urina.
“A urodinâmica permite entender como a bexiga está funcionando, se existem contrações involuntárias, alterações na capacidade de armazenamento ou dificuldades relacionadas ao esfíncter urinário. Essas informações são fundamentais para indicar o tratamento correto.”
Existe tratamento?
A boa notícia é que, na maioria dos casos, sim. O tratamento varia conforme a causa identificada e pode incluir fisioterapia do assoalho pélvico, mudanças de hábitos, treinamento vesical, medicamentos e, em situações específicas, procedimentos cirúrgicos minimamente invasivos.
“O mais importante é que a paciente não normalize um sintoma que pode ser tratado. A atividade física deve promover saúde e qualidade de vida, não limitar a rotina por causa da preocupação constante com o banheiro”, conclui Dr. Nelson Batezini.





