Quem amamenta pode usar caneta emagrecedora? O que dizem os estudos
Os dados sobre a passagem desses medicamentos para o leite materno avançaram, mas ainda existem limitações importantes nas pesquisas
Depois da gestação, é comum que a perda do peso adquirido durante os nove meses entre na lista de preocupações de algumas mulheres. E, diante da popularização das canetas emagrecedoras, pode surgir uma dúvida: quem está amamentando pode recorrer a medicamentos como semaglutida ou tirzepatida?
A resposta ficou mais complexa nos últimos anos. Os primeiros estudos em mulheres que amamentam encontraram quantidades muito pequenas ou indetectáveis dessas substâncias no leite materno. Ainda assim, as evidências envolvem poucas participantes e não permitem tratar todas as canetas ou situações da mesma maneira.
O que os estudos encontraram?
Um estudo publicado em 2024 na revista Nutrients analisou o leite de oito mulheres que utilizavam semaglutida injetável em doses de 0,25 a 1 mg por semana. A substância não foi detectada nas amostras de leite coletadas, e não foram relatados problemas de crescimento ou desenvolvimento nos bebês acompanhados. Eles, porém, tinham entre 4 e 23 meses e recebiam alimentação mista, o que limita a aplicação dos resultados a recém-nascidos ou bebês exclusivamente amamentados.
Dados recentes sobre a tirzepatida também apontam baixa transferência. Segundo a atualização de 2026 do banco de dados LactMed, um estudo do fabricante com 11 mulheres encontrou níveis indetectáveis na maioria das amostras após uma dose única de 5 mg. A quantidade total detectada nas demais correspondeu a menos de 0,02% da dose administrada à mãe. O próprio LactMed ressalta que o experimento com uma única dose não reproduz necessariamente o acúmulo que pode ocorrer durante o tratamento contínuo.
Então as canetas estão liberadas durante a amamentação?
Ainda não é tão simples. A versão atualizada do LactMed afirma que a semaglutida injetável apresentou transferência indetectável nos dados disponíveis e que, quando a tirzepatida é necessária, seu uso não constitui, por si só, motivo para interromper a amamentação. Para a tirzepatida, entretanto, a recomendação é de cautela enquanto mais dados não estiverem disponíveis, principalmente no caso de recém-nascidos e prematuros.
Isso também mostra por que não é correto colocar todas as “canetas emagrecedoras” na mesma categoria. Os medicamentos possuem princípios ativos diferentes, e a decisão precisa considerar qual substância está sendo utilizada, a dose, a idade do bebê e a necessidade clínica da mãe.
E o emagrecimento durante a amamentação?
Além da possível exposição do bebê, existe outra preocupação: a nutrição materna. Medicamentos como semaglutida e tirzepatida reduzem o apetite e podem provocar efeitos adversos gastrointestinais, como náuseas, vômitos e diarreia. Durante a lactação, uma ingestão muito reduzida de alimentos e líquidos pode dificultar a manutenção de uma alimentação adequada.
Por isso, começar, interromper ou retomar uma caneta emagrecedora durante a amamentação não deve ser uma decisão tomada apenas com o objetivo de acelerar a perda de peso. O acompanhamento médico permite avaliar os benefícios e riscos para mãe e bebê e, quando necessário, definir o melhor momento para o tratamento.





