O suor noturno pode ser causado pela prática de exercício físico? Entenda
A transpiração durante o sono pode ter relação com diferentes fatores, inclusive com a rotina de exercícios
Você termina o treino, toma banho, janta e vai dormir. Horas depois, acorda suando, mesmo que o quarto nem esteja tão quente. Quando isso acontece justamente depois de um dia mais intenso de exercícios, é natural ligar uma coisa à outra.
E essa relação pode existir! O exercício aumenta a produção de calor e provoca alterações fisiológicas que não desaparecem no segundo em que o treino termina. Mas suor noturno frequente ou intenso não deve ser automaticamente atribuído à atividade física.
Por que o treino pode fazer você suar à noite?
Durante o exercício, a temperatura corporal aumenta e a transpiração é uma das ferramentas utilizadas pelo organismo para dissipar esse calor. Depois que a atividade termina, o corpo ainda passa por um período de recuperação.
Parte desse processo envolve o chamado EPOC, sigla para Excess Post-Exercise Oxygen Consumption. É o período em que o consumo de oxigênio permanece acima dos níveis de repouso enquanto o organismo recupera seu equilíbrio.
Um estudo publicado na Medicine & Science in Sports & Exercise mostrou que, após uma sessão vigorosa de 45 minutos, o gasto energético permaneceu elevado por cerca de 14 horas. Isso não significa, porém, que o corpo fique superaquecido durante todo esse período ou que o EPOC necessariamente provoque suor noturno.
Treinar à noite piora a situação?
Pode fazer diferença, principalmente quando a atividade é intensa e termina muito perto da hora de dormir. Nesse caso, temperatura corporal, frequência cardíaca e estado de ativação do organismo podem ainda estar elevados na hora de deitar.
Mas não existe uma regra de que seja necessário terminar todo treino quatro ou seis horas antes de dormir. A tolerância ao exercício noturno varia entre as pessoas, e atividades leves ou moderadas próximas ao horário de dormir podem não causar qualquer problema.
Se o suor aparece repetidamente após treinos noturnos, experimentar antecipar o exercício e observar a resposta do corpo pode ajudar a identificar uma possível relação.
E a queda de glicose?
A hipoglicemia também pode provocar suor durante o sono, mas é importante não generalizar essa explicação para qualquer pessoa que tenha treinado e comido pouco.
Um estudo publicado no Diabetes Care, identificou maior risco de hipoglicemia após a prática de exercícios em pessoas com diabetes tipo 1. Portanto, essa evidência não permite concluir que pessoas saudáveis terão quedas importantes de glicose durante a madrugada simplesmente porque treinaram.
Para quem utiliza insulina ou medicamentos que podem causar hipoglicemia, a relação entre exercício, alimentação e glicemia merece atenção específica e orientação médica.
Quando o suor noturno merece atenção?
Uma noite de suor depois de um treino intenso é diferente de acordar frequentemente com pijama e lençóis encharcados.
O suor noturno pode estar relacionado a diversos fatores além do exercício, incluindo temperatura do ambiente, alterações hormonais, medicamentos, infecções e outras condições de saúde. Por isso, quando os episódios são recorrentes, intensos ou aparecem acompanhados de sintomas como febre, perda de peso sem explicação, palpitações ou mal-estar, é importante procurar avaliação médica.
Antes de colocar a culpa automaticamente no treino, vale observar um padrão: em quais dias acontece, que horas você treinou, qual foi a intensidade e se o sintoma também aparece nos dias de descanso.





