A sua TPM piorou na pandemia? Veja aqui o que fazer

Muitas mulheres relataram piora dos sintomas, principalmente emocionais, no período pré-menstrual

Por Marcela De Mingo Atualizado em 31 Maio 2021, 12h58 - Publicado em 1 jun 2021, 09h00

Fiz uma pequena pesquisa entre as pessoas que me acompanham no Twitter. Escrevi a seguinte mensagem: “gente, vocês que também menstruam têm sentido os efeitos da TPM multiplicados por mil nessa pandemia?”. A resposta me surpreendeu – muito. Quase 40 mulheres me responderam dizendo que, sim, parece que a TPM não só aumentou de volume desde que a pandemia de coronavírus começou, em março de 2020, como têm trazido sensações e efeitos físicos que muitas de nós nunca tínhamos sentido antes.

Para mim, a irritação foi o sinal mais aparente dessa TPM que, antes da pandemia, eu mal sabia que existia. Nunca fui do tipo que teve cólicas, dores de cabeça ou cansaço físico, sintomas que, hoje, são muito comuns e até um pouco debilitantes. A irritação vai ao extremo – e cheguei a gritar com meu cachorro, algo que nunca fiz na vida, em um dia particularmente difícil. Todo mês é embalado com uma promessa para mim mesma, “Ok, não vou deixar a coisa chegar nesse nível de novo”, e toda vez eu pareço falhar.

Mas receber as respostas de tantas pessoas com sintomas semelhantes – que vão de tristeza profunda, à dores no corpo (especialmente na lombar), enxaquecas, atrasos no ciclo, aumento ou diminuição do fluxo e crises de choro – me mostram que, talvez, essa TPM potencializada seja algo muito maior do que as minhas sensações a seu respeito.

Ainda assim, lendo tantos relatos e percebendo, mais uma vez, as minhas próprias sensações e oscilações de humor nesse período, a pergunta “Como evitar, ou pelo menos, amenizar isso tudo?” fica na mente.

Tensão pré-menstrual: um conjunto de sintomas físicos, emocionais e comportamentais
Tensão pré-menstrual: um conjunto de sintomas físicos, emocionais e comportamentais Joice Kelly on Unsplash/BOA FORMA

E, antes de encontrar a resposta, precisamos entender melhor o motivo da pergunta. Segundo a Dra. Fernanda Pepicelli, ginecologista e obstetra, a tensão pré-menstrual é um conjunto de sintomas físicos, emocionais e comportamentais clínicos que, via de regra, iniciam-se uma semana antes da menstruação – e que aliviam com o sangramento.

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“A sua causa ainda é desconhecida”, explica Fernanda Pepicelli. “Entretanto, o estradiol e a progesterona [hormônios envolvidos no ciclo menstrual] e sua atividade cíclica parecem intervir em neurotransmissores como a serotonina, gerando o quadro em pacientes mais sensíveis.”

Com essa explicação fica mais fácil entender que, apesar de a causa oficial da TPM ainda ser um mistério médico, mulheres mais sensíveis costumam senti-la mais do que outras. No entanto, como o momento em que vivemos deixou boa parte da população mundial com os nervos à flor da pele, é compreensível que, também como um todo, mais mulheres tenham sentido esse período pré-menstrual com mais intensidade.

TPM: sintomas vão de tristeza profunda a dores no corpo (especialmente na lombar), enxaquecas, atrasos no ciclo, aumento ou diminuição do fluxo e crises de choro
TPM: sintomas vão de tristeza profunda a dores no corpo (especialmente na lombar), enxaquecas, atrasos no ciclo, aumento ou diminuição do fluxo e crises de choro Sincerely Media on Unsplash/BOA FORMA

Para quem ainda tem dificuldade em identificar os sintomas relacionados a esse período, alguns são bem perceptíveis, como aumento do tamanho e da sensibilidade das mamas, dor e inchaço nas pernas e, às vezes, no corpo todo, ganho de peso, dor de cabeça, cansaço e aumento do volume abdominal, acne, ansiedade, irritabilidade, mudanças de humor, depreciação da autoimagem e alteração do apetite. Ufa, realmente, não é simples lidar com a TPM em qualquer momento da história da humanidade, quiçá durante uma pandemia.

“A intensidade e a qualidade dos sintomas variam, inclusive com o momento de vida pelo qual aquela mulher está passando”, continua a médica, o que nos ajuda a entender melhor essa potencialização da TPM no último ano e meio. “Estresse, perdas de entes queridos, problemas econômicos, dificuldades no emprego e o medo pela integridade da sua saúde podem agravar estes sintomas. Com todo esse quadro, vimos esta piora destes sintomas no momento em que vivemos da pandemia.”

E tem como melhorar a TPM na pandemia?

Ainda bem que a resposta para essa pergunta, pelo menos, é positiva. Ainda não sabemos quanto tempo a pandemia vai durar, então, o jeito é potencializar, também, os cuidados consigo mesma para, no mínimo, diminuir os efeitos da TPM e manter certa estabilidade mesmo com a chegada de um novo ciclo. E o como é mais simples do que parece, mas exige certo grau de compromisso e determinação, ainda mais se você é do time que sente tristeza e desmotivação nessa época do mês.

As possíveis intervenções, segundo a Dra. Fernanda, são:

  • Manter uma rotina de atividades físicas, principalmente aeróbicas (caminhadas ou atividades na água, como natação);
  • Priorizar atividades que gerem prazer (como ver um filme ou investir tempo em hobby);
  • Priorizar uma dieta rica em fibras, verduras, legumes e frutas, e evitar o consumo de gorduras, bebidas alcoólicas e itens industrializados.
  • Ainda em alimentação: evitar o consumo excessivo de sal, carboidratos e açúcares (como doces, chocolates e amendoins);
  • Aumentar o consumo de líquidos, em especial a água.

Um ponto importante é lembrar que, caso os sintomas estejam muito aquém do que seria considerável aceitável é mais do que recomendado a busca por um profissional de confiança, que vai saber o melhor curso de ação para o que cada mulher tem sentido e experienciado. E isso vale tanto para médicos ginecologistas quanto para profissionais de saúde mental, como psicólogos e terapeutas, que oferecem o suporte necessário para lidar melhor com as variações de humor e questões emocionais.

“Sempre lembre que o acompanhamento com um profissional é de suma importância, pois uma boa parte dos casos há necessidade de entrar com medicações para alívio dos sintomas e melhora de qualidade da vida”, finaliza a médica.

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