Como os astronautas praticam exercício no espaço, mesmo sem gravidade?

Longe da Terra, o treino é o que mantém o corpo funcionando

Por Helena Saigh 9 abr 2026, 20h00 •
Treino no espaço
Com equipamentos adaptados, astronautas fazem musculação e cardio para evitar perda muscular e óssea. (NASA/Divulgação)
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  • Estar a cerca de 400 quilômetros da Terra não é motivo para abandonar o treino. Muito pelo contrário, no espaço ele é obrigatório!

    Por que o corpo precisa se exercitar no espaço?

    Sem a ação da gravidade, o corpo humano entra rapidamente em um processo de adaptação. Músculos deixam de ser exigidos, ossos perdem densidade e até o sistema cardiovascular muda seu funcionamento. Por isso, a rotina de exercícios é uma das principais estratégias da NASA para manter a saúde dos astronautas durante as missões.

    Na Estação Espacial Internacional (ISS), treinar não é sobre performance ou estética. É sobre conseguir continuar funcional em um ambiente completamente diferente do que o corpo foi feito para suportar.

    Quanto eles treinam por dia

    A rotina é intensa e organizada!

    A astronauta Loral O’Hara afirmou, em entrevista ao Canaltech em 2024, que os astronautas treinam cerca de duas horas e meia por dia. Desse total, aproximadamente 60 minutos são dedicados ao treino de força e entre 30 e 50 minutos ao cardio.

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    O restante do tempo envolve adaptação aos equipamentos, pausas e ajustes no corpo, já que tudo no espaço exige mais controle e consciência corporal.

    Como funciona a musculação sem peso

    No vídeo que circulou nas redes, a astronauta da NASA Jessica Meir aparece utilizando diferentes equipamentos da rotina na ISS.

    No treino de força, ela utiliza o ARED, sigla para Advanced Resistive Exercise Device (dispositivo avançado de exercício resistido), um aparelho que simula musculação no espaço.

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    Como não existe peso no espaço, o aparelho utiliza resistência mecânica por pistões para simular carga. Isso permite que os astronautas realizem exercícios clássicos da musculação, como agachamento, levantamento terra e supino.

    Já no treino cardiovascular, entram a esteira e a bicicleta.

    Na esteira, o corpo fica preso por cintos para gerar impacto e permitir a corrida, sem essa fixação, bastaria um passo para o corpo sair flutuando.

    Na bicicleta ergométrica, não há banco, então o astronauta fica preso por suportes enquanto pedala, garantindo o estímulo cardiovascular sem necessidade de impacto.

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    Esses equipamentos trabalham juntos para garantir os principais estímulos do treino, combinando força e cardio para manter o corpo funcionando em microgravidade.

    O que muda no corpo em microgravidade

    Mesmo com treino, o corpo continua respondendo de forma diferente.

    A ausência de gravidade altera o equilíbrio, a coordenação motora e a percepção de esforço. Além disso, há redistribuição de fluidos no corpo, o que pode impactar o sistema cardiovascular.

    Por isso, o exercício não serve apenas para manter músculos, mas também para ajudar o corpo a se adaptar a esse novo ambiente.

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    O que acontece se eles não treinarem

    Sem a rotina de exercícios, os efeitos seriam rápidos.

    O corpo perderia força, os ossos ficariam mais frágeis e a capacidade de realizar tarefas simples seria comprometida. Ao retornar à Terra, até atividades básicas como andar ou se equilibrar poderiam se tornar difíceis.

    Em missões mais longas, esses impactos seriam ainda mais intensos, o que torna o treino indispensável.

    Faltar um dia de treino atrapalha os resultados?

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