Como os astronautas praticam exercício no espaço, mesmo sem gravidade?
Longe da Terra, o treino é o que mantém o corpo funcionando
Estar a cerca de 400 quilômetros da Terra não é motivo para abandonar o treino. Muito pelo contrário, no espaço ele é obrigatório!
Por que o corpo precisa se exercitar no espaço?
Sem a ação da gravidade, o corpo humano entra rapidamente em um processo de adaptação. Músculos deixam de ser exigidos, ossos perdem densidade e até o sistema cardiovascular muda seu funcionamento. Por isso, a rotina de exercícios é uma das principais estratégias da NASA para manter a saúde dos astronautas durante as missões.
Na Estação Espacial Internacional (ISS), treinar não é sobre performance ou estética. É sobre conseguir continuar funcional em um ambiente completamente diferente do que o corpo foi feito para suportar.
Quanto eles treinam por dia
A rotina é intensa e organizada!
A astronauta Loral O’Hara afirmou, em entrevista ao Canaltech em 2024, que os astronautas treinam cerca de duas horas e meia por dia. Desse total, aproximadamente 60 minutos são dedicados ao treino de força e entre 30 e 50 minutos ao cardio.
O restante do tempo envolve adaptação aos equipamentos, pausas e ajustes no corpo, já que tudo no espaço exige mais controle e consciência corporal.
Como funciona a musculação sem peso
No vídeo que circulou nas redes, a astronauta da NASA Jessica Meir aparece utilizando diferentes equipamentos da rotina na ISS.
No treino de força, ela utiliza o ARED, sigla para Advanced Resistive Exercise Device (dispositivo avançado de exercício resistido), um aparelho que simula musculação no espaço.
Como não existe peso no espaço, o aparelho utiliza resistência mecânica por pistões para simular carga. Isso permite que os astronautas realizem exercícios clássicos da musculação, como agachamento, levantamento terra e supino.
Já no treino cardiovascular, entram a esteira e a bicicleta.
Na esteira, o corpo fica preso por cintos para gerar impacto e permitir a corrida, sem essa fixação, bastaria um passo para o corpo sair flutuando.
Na bicicleta ergométrica, não há banco, então o astronauta fica preso por suportes enquanto pedala, garantindo o estímulo cardiovascular sem necessidade de impacto.
Esses equipamentos trabalham juntos para garantir os principais estímulos do treino, combinando força e cardio para manter o corpo funcionando em microgravidade.
O que muda no corpo em microgravidade
Mesmo com treino, o corpo continua respondendo de forma diferente.
A ausência de gravidade altera o equilíbrio, a coordenação motora e a percepção de esforço. Além disso, há redistribuição de fluidos no corpo, o que pode impactar o sistema cardiovascular.
Por isso, o exercício não serve apenas para manter músculos, mas também para ajudar o corpo a se adaptar a esse novo ambiente.
O que acontece se eles não treinarem
Sem a rotina de exercícios, os efeitos seriam rápidos.
O corpo perderia força, os ossos ficariam mais frágeis e a capacidade de realizar tarefas simples seria comprometida. Ao retornar à Terra, até atividades básicas como andar ou se equilibrar poderiam se tornar difíceis.
Em missões mais longas, esses impactos seriam ainda mais intensos, o que torna o treino indispensável.





