O osso também responde ao exercício?
Os efeitos de uma rotina de exercícios podem chegar a estruturas muito além daquelas que aparecem no espelho
Quando pensamos nos efeitos do exercício, músculos maiores, mais força e melhora do condicionamento costumam vir primeiro à cabeça. Mas, por baixo de tudo isso, existe outro tecido respondendo ao esforço: os ossos.
Apesar da aparência rígida, o osso é um tecido vivo que passa constantemente por processos de formação e reabsorção. E a atividade física participa diretamente desse equilíbrio.
Como o osso percebe que você está treinando?
Durante o exercício, forças de impacto e de tração provocam pequenas deformações no tecido ósseo. Os osteócitos, células presentes na matriz óssea, funcionam como sensores capazes de detectar esses estímulos.
A partir daí, ocorre a chamada mecanotransdução: o estímulo mecânico é transformado em sinais biológicos que participam da remodelação do osso, incluindo a ação dos osteoblastos, responsáveis pela formação de tecido ósseo.
O processo é detalhado no estudo “Mechanical regulation of bone remodeling”, publicado na revista científica Bone Research, que aborda como as cargas mecânicas regulam a atividade das células ósseas.
Musculação e impacto estimulam os ossos de formas diferentes
Na musculação, a contração dos músculos gera forças que são transmitidas aos ossos pelos tendões. Exercícios como agachamentos, por exemplo, submetem estruturas do quadril e das pernas a cargas mecânicas importantes.
Já atividades com impacto, como corrida e saltos, produzem forças de reação do solo que também estimulam o tecido ósseo.
É por isso que nem toda modalidade provoca a mesma resposta. Atividades em que o peso corporal é sustentado por um equipamento, como o ciclismo, oferecem menos impacto ao esqueleto do que corrida, saltos e alguns esportes.
A intensidade também entra nessa conta
Não basta apenas se movimentar para produzir o mesmo estímulo ósseo. Uma revisão sistemática com metanálise publicada na Sports Medicine – Open, que reuniu 24 ensaios clínicos randomizados e mais de 1.200 adultos, encontrou respostas diferentes nos marcadores de formação óssea conforme a intensidade do exercício.
Isso ajuda a explicar por que exercícios resistidos progressivos e atividades com impacto aparecem com frequência nas pesquisas sobre manutenção da densidade mineral óssea.
E quando falta estímulo?
O contrário também acontece. Quando o esqueleto passa longos períodos recebendo pouca carga mecânica, o equilíbrio da remodelação pode favorecer a reabsorção óssea.
Essa capacidade de se adaptar às demandas impostas ao corpo é associada à chamada
Lei de Wolff: de maneira simplificada, o tecido ósseo remodela sua estrutura de acordo com os estímulos mecânicos que recebe.
Por isso, os resultados do exercício não aparecem apenas no espelho ou nos músculos. O esqueleto também está se adaptando ao trabalho realizado durante o treino.





