Dá para treinar pesado usando caneta emagrecedora?
Entenda quando é possível manter a intensidade e quais sinais podem indicar que o treino precisa de ajustes
Usar uma caneta emagrecedora não significa automaticamente trocar cargas altas por um treino leve. Se o exercício já fazia parte da rotina antes do tratamento, pode ser possível continuar treinando com intensidade. O que muda é que o rendimento pode não permanecer igual em todas as fases.
Redução importante do apetite, menor ingestão de alimentos e efeitos gastrointestinais podem interferir na disposição. Por isso, mais do que estabelecer uma carga máxima permitida, é importante observar como o organismo está respondendo.
Treinar pesado não é proibido
Não existe uma recomendação geral para evitar musculação intensa durante o uso de medicamentos como semaglutida ou tirzepatida.
Pelo contrário, um artigo publicado em 2025 no The American Journal of Clinical Nutrition, destaca o treinamento de força entre as estratégias para ajudar a preservar a musculatura durante a perda de peso. A publicação também ressalta que consumir proteína, sozinho, provavelmente não é suficiente para esse objetivo sem o estímulo do exercício de força.
Isso não significa, porém, que seja necessário levar todas as séries à falha ou buscar cargas máximas.
Por que a musculação ganha importância?
Parte do peso perdido durante o tratamento pode vir da massa magra. Uma subanálise publicada no Diabetes, Obesity and Metabolism, avaliou 160 participantes por DXA. Entre aqueles que utilizaram tirzepatida, aproximadamente 75% do peso perdido correspondeu à gordura e 25% à massa magra.
Massa magra não significa apenas músculo. Ainda assim, preservar a musculatura é uma das preocupações durante um processo expressivo de emagrecimento, e o treinamento de força pode contribuir para isso.
E quando falta energia para manter a carga?
A redução do apetite provocada pelos medicamentos pode dificultar a ingestão suficiente de energia e nutrientes. Náusea, vômitos, diarreia e sensação de estômago cheio também podem interferir na alimentação e, consequentemente, no treino.
Nesses períodos, reduzir temporariamente carga, número de séries ou intensidade pode fazer mais sentido do que insistir no desempenho habitual. Não existe uma regra de que todo usuário precise evitar treinos pesados em determinados dias após a aplicação.
Alimentação também entra nessa conta
Para quem pratica musculação, garantir uma alimentação adequada continua sendo importante. A publicação do The American Journal of Clinical Nutrition destaca que atingir uma ingestão suficiente de proteínas pode se tornar mais difícil devido à redução do apetite e recomenda atenção à alimentação durante o tratamento.
O mesmo vale para o treino. Se você está se alimentando adequadamente, tolera bem a medicação e mantém o rendimento, não há uma regra que obrigue a diminuir a intensidade apenas por estar usando a caneta.
Já episódios recorrentes de tontura, fraqueza, náusea intensa ou queda importante de desempenho merecem atenção. Nesses casos, vale interromper ou adaptar o exercício naquele momento e conversar com os profissionais responsáveis pelo tratamento.





