Mitos e verdades sobre lipedema: o que você realmente precisa saber

Entenda o lipedema: sintomas, diferenciação de outras condições e o que há de mais atual nas abordagens de tratamento

Por Maraísa Bueno 19 set 2026, 12h00
Duas mulheres, uma com sutiã e calcinha marrons, e outra com modelador cor da pele, posam abraçadas contra um fundo roxo
5 mitos e verdades sobre o lipedema: o que você precisa saber. (./Magnific)
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Dores nas pernas, sensação de peso, hematomas frequentes, além do aumento do volume dos membros inferiores de forma desproporcional…tudo isso podem ser sintomas relacionados ao lipedema.

Sabe-se que a condição ainda é pouco conhecida e, muitas vezes, confundida com obesidade, linfedema e doenças venosas, o que pode atrasar o diagnóstico e o início do tratamento adequado.

 

 

Um estudo publicado no Journal of Vascular Brasileiro estimou que 12,3% da população feminina adulta brasileira apresenta sintomas compatíveis com alta probabilidade de lipedema.

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O dado foi incorporado ao Consenso Brasileiro de Lipedema, elaborado pela Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV), que também destaca a necessidade de ampliar o conhecimento sobre a doença entre profissionais de saúde.

Mas, afinal, como reconhecer o lipedema? E quais são as opções de tratamento? A seguir, a Dra. Patricia Lyra, cirurgiã plástica especialista em lipedema e consultora médica da DMC Group explica cinco mitos e verdades sobre a condição:

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Sedentarismo piora lipedema?

1) Lipedema é apenas excesso de peso

MITO

O lipedema é uma doença crônica caracterizada pelo acúmulo anormal de gordura, principalmente nas pernas e, em alguns casos, nos braços. Uma das diferenças em relação à obesidade é que a gordura afetada pelo lipedema costuma ser resistente à perda de peso, mesmo quando a pessoa mantém uma alimentação equilibrada e pratica exercícios regularmente.

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Dor ao toque, sensação de peso, inchaço e facilidade para o aparecimento de hematomas também podem fazer parte do quadro.

Para a Dra. Patricia Lyra, cirurgiã plástica especialista em lipedema e consultora médica da DMC Group, esse atraso interfere diretamente na evolução da doença. “O maior desafio hoje não é apenas tratar o lipedema, mas fazer com que ele seja reconhecido precocemente. Muitas mulheres passam anos acreditando que o problema está relacionado apenas ao excesso de peso, quando, na realidade, convivem com uma doença crônica que exige uma abordagem específica.”

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2) Lipedema e linfedema são a mesma coisa

MITO

Apesar de poderem apresentar sintomas parecidos, lipedema e linfedema são condições diferentes. O linfedema está relacionado ao acúmulo de líquidos em determinadas regiões do corpo por alterações no sistema linfático. Já o lipedema envolve uma distribuição anormal de gordura, principalmente nas pernas e, em alguns casos, nos braços.

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A confusão não acontece apenas entre essas duas condições. Doenças venosas e a própria obesidade também podem apresentar sinais semelhantes, o que dificulta o reconhecimento do quadro.

Segundo o Consenso Brasileiro de Lipedema, essa sobreposição de sintomas ajuda a explicar por que muitas pacientes levam anos até receber o diagnóstico correto.

3) Basta fazer dieta e exercício para o lipedema desaparecer

MITO

Manter uma alimentação equilibrada e praticar atividade física são importantes para a saúde e fazem parte do cuidado de pessoas com lipedema. Mas isso não significa que a doença desapareça ou que a gordura afetada responda da mesma maneira que a gordura corporal relacionada ao excesso de peso.

O tratamento recomendado atualmente é multidisciplinar e pode envolver atividade física, fisioterapia, acompanhamento nutricional, terapia compressiva e manejo da inflamação.

Exercícios físicos são capazes de tratar o lipedema?

A mudança na abordagem também significa olhar para além da estética. “Durante muito tempo o tratamento foi bastante associado ao aspecto estético. Hoje o entendimento é de que o principal objetivo é devolver funcionalidade, reduzir dor, preservar a mobilidade e melhorar a qualidade de vida da paciente. A aparência é uma consequência desse processo, não seu principal propósito”, explica a Dra. Patricia Lyra.

4) É muito fácil diagnosticar o lipedema

MITO

O diagnóstico do lipedema ainda pode levar tempo. Isso acontece principalmente porque seus sinais podem se confundir com os de outras condições e porque a doença ainda é pouco reconhecida por parte da população e dos profissionais de saúde.

Segundo a especialista, o diagnóstico continua sendo predominantemente clínico, baseado na avaliação médica, na história da paciente e na exclusão de outras doenças com manifestações semelhantes.

Por isso, exames e tratamentos feitos sem uma avaliação adequada podem não resolver a causa dos sintomas. O reconhecimento correto da condição é o primeiro passo para definir o acompanhamento mais adequado para cada caso.

5) O tratamento pode incluir diferentes abordagens e, em alguns casos, cirurgia

VERDADE

O tratamento do lipedema depende das características e da evolução de cada paciente. A recomendação é uma abordagem multidisciplinar, e a cirurgia pode ser considerada quando existe indicação clínica, persistência dos sintomas e comprometimento funcional.

Nos casos em que o procedimento é indicado, novas tecnologias também vêm sendo estudadas para tornar a cirurgia mais precisa e reduzir o impacto sobre os tecidos.

Uma pesquisa desenvolvida pela equipe do professor de cirurgia plástica da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFSCPRA) e consultor médico da DMC Group, Dr. Denis Valente, comparou a técnica convencional com um procedimento assistido pela tecnologia One STEP®, observando redução do tempo cirúrgico, menor risco de queimaduras e perda sanguínea, diminuição da dor pós-operatória e retorno mais precoce às atividades em pacientes com lipedema que precisam passar pelo tratamento cirúrgico.

A evolução dos procedimentos acompanha uma abordagem que busca preservar tecidos e estruturas vasculares e linfáticas, além de favorecer a recuperação.

Segundo a Dra. Patrícia Lyra, essas evoluções representam uma mudança na própria lógica do tratamento cirúrgico. “Quando incorporamos tecnologias mais precisas na prática cirúrgica, o procedimento ganha outra lógica: menos trauma para a paciente e mais segurança para o cirurgião. Assim proporcionamos uma melhor qualidade de vida e um retorno mais rápido às atividades cotidianas das pacientes.”

Quando realmente preciso procurar ajuda?

Dor frequente nas pernas, sensação de peso, hematomas que aparecem com facilidade, aumento desproporcional do volume das pernas ou dos braços e dificuldade para reduzir esse volume mesmo com alimentação equilibrada e exercícios são sinais que merecem avaliação médica.

O diagnóstico precoce pode facilitar o início do acompanhamento adequado e ajudar a reduzir complicações e impactos na qualidade de vida. Como os sintomas podem ser parecidos com os de outras condições, a avaliação de um profissional de saúde é importante para diferenciar o lipedema de obesidade, linfedema e doenças venosas.

A informação também ajuda a reduzir o tempo entre o aparecimento dos sintomas e o diagnóstico. Quanto mais conhecida for a condição, maiores são as chances de que as pacientes procurem ajuda e tenham acesso ao cuidado adequado.

 

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