Pequena Lo: “Eu sempre falei que ia aparecer na TV. Só não sabia como”

A psicóloga e comediante fala sobre relacionamentos, autoestima, erros e vontades

Por Larissa Serpa Atualizado em 9 mar 2022, 19h49 - Publicado em 9 mar 2022, 09h00

“A grande Pequena Lo”. É o trocadilho que inúmeras pessoas já usaram para escrever sobre ela. Como jornalista, eu quero fugir dessa obviedade mas, como pessoa, fica bem fácil entender o uso frequente:

Lorraine Silva é grande no número de seguidores no Instagram (que ultrapassa 4,4 milhões), é grande nos trabalhos que tem feito (entre programas no grupo Globo e parcerias com diversas marcas nas redes sociais) e é gigante no que diz respeito à personalidade.

Pequena Lô: bom humor para lidar com os erros e os acertos
Pequena Lô: bom humor para lidar com os erros e os acertos Renato Nascimento/BOA FORMA

No estúdio no centro de São Paulo onde a recebemos para fotografar, ela conversou sobre BBB com a maquiadora, sobre sua cidade de Minas Gerais com a enfermeira que fazia o teste PCR, sobre Carnaval com o stylist… Não tinha uma pessoa que ficava de fora do carisma da mineira.

Antes de brilhar em frente às câmeras (onde todo seu profissionalismo fica ainda evidente), ela conversou comigo sobre fama, relacionamentos, aparência, saúde mental, erros do passado e vontades para o futuro.

Pequena Lô: bom humor para lidar com os erros e os acertos
Pequena Lô: em busca do equilíbrio Renato Nascimento/BOA FORMA

Boa Forma: Lo, as pessoas te conhecem pelo seu lado comediante mas você é psicóloga. Por que você escolheu psicologia?

Na verdade, eu não imaginava que eu ia fazer psicologia. Eu sempre quis publicidade, comunicação, jornalismo… Porque eu sempre gostei de conversar muito. Até que eu fiz o teste vocacional no meu último ano do ensino médio e saiu psicologia, então eu comecei a pesquisar e me identifiquei muito. No fim eu passei no curso e eu amei. Eu aprendi muito a me conhecer e a lidar com as pessoas também.

BF: Você chegou a praticar a profissão?

Não cheguei a atuar depois de formada, mas durante a faculdade eu fiz estágio, então tive contato com muitos pacientes: crianças, idosos, adultos. E hoje eu uso muito do meu aprendizado, tanto nos meus vídeos quanto quando eu vou conversar com os meus seguidores, por exemplo.

Pequena Lô: a comediante é formada em psicologia
Pequena Lô: a comediante é formada em psicologia Renato Nascimento/BOA FORMA

BF: Como acontece essa união do seu humor com a psicologia?

Como meus videos são de identificação, são feitos pro outro se identificar, é preciso ter essa empatia. Eles automaticamente se colocam no lugar, acabam se identificando. 

E também [aplico a psicologia] na maneira como eu me comunico com eles. São temas leves, pode ver que eu nunca falo do outro, eu falo da situação. Assim, todos os tipos de pessoas se enxergam ali, não importa quem seja.

BF: O humor entrou na sua vida de que maneira?

Eu via meu pai fazer muitas piadas e eu também adorava fazer as pessoas rirem no geral, seja com histórias ou com caras e bocas. Os livros que eu lia sempre eram de humor.

Já com os meus 10/11 anos, eu contava piada onde ia. Se minha família, meus amigos, faziam um churrasco ou alguma coisa do tipo, eu estava em uma roda, com todo mundo em volta de mim, me ouvindo contar piadas. Eu já tinha uma veia cômica, eu só fui desenvolvendo melhor.

BF: A fama era algo que você buscava?

Olha, eu sempre falava que eu ia aparecer na televisão, desde quando era criança. Eu só não sabia como. 

BF: E você tá lidando bem com essa fama?

São dois lados. Tem a parte negativa e a positiva, mas tudo tem uma consequência e eu escolhi isso. Tem umas pessoas que não gostam do meu trabalho ou podem até gostar mas a maneira de me elogiar é totalmente diferente das pessoas que realmente elogiam. 

Mas tem muita parte positiva, que é o carinho dos fãs, que eu considero o principal. Não é nem o número de seguidores, mas as pessoas reais, mesmo, que estão ali por trás me mandando mensagem, me acompanhando.

BF: Sobre os “elogios que não são elogios”, você quer dizer com certo capacitismo?

Sim, algumas coisas ficam sendo capacitistas, mas sem eles verem, né. Coisas do tipo “você é uma inspiração, uma superação”. Mas eu entendo que não é por mal, é a maneira que a pessoa tem de elogiar por eu ser uma pessoa com deficiência. 

Pequena Lo
Renato Nascimento/BOA FORMA

 

BF: Você é de Minas mas veio pra São Paulo em fevereiro de 2021. Você sente falta?

Eu gosto muito de Minas, mas eu já morava em outra cidade que não era a minha natal [Araxá-MG]. Eu morei em Uberlândia, depois em Uberaba e, então, vim pra cá. Então fui acostumando com a distância. Eu sinto saudades da minha família, que é toda de lá, mas aqui eu moro com a minha mãe, que trabalha comigo. Às vezes, visito os meus familiares e fico lá por umas semanas mas é aquela coisa: você costuma com a vida corrida daqui e lá é muito tranquilo. É bom para passear, mas eu não sei se, hoje, eu voltaria a morar lá.

BF: A vinda pra São Paulo foi por conta do trabalho ou era uma vontade particular?

Eu sempre quis vir para cá, mas não era nada estruturado, era aquela coisa que você joga para o universo, “meu sonho morar em São Paulo mas não sei como é que eu vou para lá”.

Mas eu sempre quis, até por aquela frase que todo mundo fala: “É onde tudo acontece”. Realmente, é tudo aqui, principalmente pra gente que tá no mercado. Tem várias oportunidades. Eu também tenho muitas coisas para fazer no Rio de Janeiro, então é mais perto para fazer essa ponta aérea.

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BF: Você faz muita piada sobre relacionamentos no geral, caras gostosos… Como você é com essa questão? Você namora?

Não namoro nem nunca namorei até hoje. Eu brinco que é por opção dos outros, mas eu já tive também essa coisa de querer curtir a minha vida. Cada momento na sua vida é uma fase diferente e a fase de universitária é uma fase muito boa: você conhece várias pessoas. Eu quis conhecer, realmente, várias pessoas e não me prender a uma só. Aproveitei muito, mas hoje eu tô numa fase completamente diferente. Só que agora tem outras coisas pra levar em consideração também. Infelizmente, depois de se tornar uma figura pública, a gente fica inseguro e desconfiado para se aproximar de alguém para ter um relacionamento. Se até mesmo quem não é já pensa “o que será que a pessoa quer realmente comigo?”, quando você é uma figura pública envolve fama, envolve interesse. “Será que ele quer realmente quer me conhecer ou está interessado na minha carreira?” 

Pequena Lo
Renato Nascimento/BOA FORMA

BF: Qual sua relação com o espelho hoje e antes? Ela mudou?

Minha autoestima, hoje, aumentou. Mas eu nunca me achei feia por ser quem eu sou. Claro que tem dia que a gente acorda daquele jeito, na TPM principalmente. A gente é uma montanha russa de sentimento, nem todo dia a gente tá feliz — e tudo bem.

No modo geral, eu nunca “me exclui para mim mesma” por ter uma deficiência, mas hoje em dia me sinto melhor porque eu tô me cuidando mais. Até uma seguidora minha mandou uma vez que eu tô diferente, que ela preferia a Pequena Lo de antes, porque eu tô me cuidando mais.

Só que as pessoas não entendem que não é porque eu tô cuidando do meu cabelo, da minha aparência, que a minha essência vai mudar. Eu acho que se cuidar é muito importante e faz parte da saúde mental.

BF: E, além disso, essa parte de saúde mental, você cuida como?

Eu faço terapia desde a época do curso. Me ajuda muito. Eu brinco que todo mundo tinha que fazer, não é porque eu sou psicóloga, mas porque tudo fica mais leve quando você faz acompanhamento, tem uma pessoa para conversar, de repente tem um diagnóstico do que você precisa para melhorar como pessoa. E não é mudar pelo outro, mas para si mesma, para você conseguir evoluir.

BF: Como a pandemia te afetou?

Eu acabei até tendo crise de pânico durante a pandemia. [Antes dela] Eu saía muito, muito mesmo. Então mudamos para São Paulo só eu e minha mãe e eu não tinha meus amigos. Até que eu conhecesse pessoas novas e me tornasse amiga, demorou um pouco, porque a gente tava muito em casa né. Eu fiquei dois anos só em casa, não saia pra nada, porque eu tenho asma. Junto com isso veio a fama e todas as mudanças juntas me assustaram.

Mas, hoje em dia, eu tô bem. Faço tratamento homeopático, que é uso de remédio natural pra controlar minha ansiedade. Eu não cheguei a fazer tratamento com psiquiatra, mas uso os remédios naturais e faço tratamento com psicólogo também. 

BF: O que mudou na sua visão de vida depois da pandemia?

Principalmente a ideia de cuidado. Não só comigo mesma mas com os outros ao redor. E isso tanto sobre os cuidados que a gente teve que ter pra não afetar o outro na questão do vírus em si mas também sobre o amor. Deu pra ver o quanto a gente sente falta de contato, de conversa, de dar um abraço, então eu aprendi a ver de uma forma maior esses detalhes que a gente não dava tanta importância.

BF: Você tem algum arrependimento na vida?

Tenho de alguns tweets antigos. Foram tweets ofendendo as pessoas, minorias. Foram de 2013/2016, muito tempo atrás, mas é algo que hoje eu não faria de jeito nenhum com a visão que eu tenho hoje em dia. E que bom, né! Que bom que eu mudei, porque eu olho pra trás e me arrependo muito. 

E hoje é um mundo completamente diferente daqueles anos. Já falavam sobre essas causas, com certeza, só que no meu mundo ainda não era tão falado e eu ainda não sabia muitas coisas que hoje estou aprendendo. Me arrependo muito, não faria de novo e não vou fazer, não tão cedo. Mas algumas pessoas ainda insistem em me apontar isso, só que elas esquecem que elas estão fazendo até hoje e pior.

Pequena Lo
Renato Nascimento/Pexels

BF: Você tem algum sonho ou vontade na carreira?

Eu tenho vontade de ser atriz. Queria fazer algumas atuações em filmes, novelas, series. Eu também tive a experiência de ser apresentadora e gostei muito. Então essas duas coisas são grandes vontades.

BF: Você seria uma ótima apresentadora pois é muito carismática e artistas te adoram. Como acontece essa troca com eles?

Pra mim ainda é muito novo, até por conta da pandemia. Agora que eu tô encontrando essas celebridades pessoalmente e eu gosto muito, mas ainda fico um pouco anestesiada com tudo acontecendo, ver que elas me conhecem e sabem o que eu faço. Mas eu fico muito feliz, muito mesmo, porque é sinal que meu trabalho está chegando em várias pessoas, né, e de uma forma que eu sempre quis, que é falando do humor mas levando sempre a representatividade, não é só por mim mas pela comunidade PcD [Pessoas com Deficiência].

BF: A sociedade talvez soube lidar um pouco melhor com você do que com outros pessoas que fazem parte de minorias, porque não conversam com você só pra falar sobre sua condição, te procuram pra falar de tudo. 

É o que eu falo: antes as pessoas falavam de mim para o outro pela minha condição, “a pequena Lo, aquela baixinha que anda de muleta”. Hoje não, conhecem a Pequena Lo pelo trabalho e isso é muito legal. É uma evolução na maneira como eles se referem a nós.

BF: Tem algo que você pode revelar que já podemos esperar para esse ano?

O que é especificamente, não posso revelar, mas o que a gente pretende colocar em prática é eu estar na televisão., Vai ser tudo!

SOBRE O ENSAIO

  • Foto: @renatonascimento1
  • Beleza: @mellmua
  • Styling: @thiagosetra
  • Pequena Lo veste: @calzedonia, @melissaoficial, @soufeline, @mariadolores_oficial, @aguadecoco, @fabifreixo, @theparadise.rio
  • Direção de arte: @kareensayuri
Pequena Lô: capa de março da Boa Forma
Pequena Lô: capa de março da Boa Forma Renato Nascimento/BOA FORMA

Essa matéria faz parte da edição de março de 2022, que conta ainda com mais três especiais:

:: Versões saudáveis de doces clássicos (de brigadeiro ao bolo de cenoura)

:: Como respirar corretamente em cada modalidade fitness

:: Skincare por idade: os cuidados com a pele em cada fase da vida

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