Rivotril causa perda de memória? Efeito pode surgir, mas é reversível

O uso contínuo ou incorreto do medicamento pode gerar questões relacionadas à memória e ao estado de alerta. Saiba mais aqui!

Por Marcela De Mingo Atualizado em 2 set 2021, 11h53 - Publicado em 4 set 2021, 08h00

No período de pandemia de coronavírus, muita gente começou a lidar com altos níveis de ansiedade, precisando, inclusive, de suporte medicamentoso. E um dos fármacos mais populares para isso é o Rivotril. 

Longe de ser um problema precisar de ajuda (inclusive medicamentosa) para lidar com sentimentos e sensações exacerbadas, é importante compreender o que exatamente são esses remédios, para que servem e os possíveis riscos. Esse conhecimento é essencial tanto para tranquilizar quem usa quanto para alertar quem acredita que o uso indiscriminado desses fármacos é recomendado. 

O que é Rivotril?

“Rivotril é o nome comercial da substância clonazepam, um remédio muito conhecido, e popular. Ele pertence ao grupo dos benzodiazepínicos, e é usado em diversas situações médicas, como transtornos ansiosos e agitações, movimentos anormais denominados mioclonias musculares, alterações do sono, vertigem e também auxilia no tratamento de crises epilépticas”, explica o neurologista e neuro-oncologista Dr. Gabriel Novaes de Rezende Batistella.

Segundo o médico, apesar de ser utilizado para uma série de tratamentos, o Rivotril é um medicamento que deve ser extremamente bem indicado e administrado de forma controlada, para evitar o desenvolvimento de dependência química ou efeitos colaterais a curto e a longo prazo. 

Efeitos colaterais: problemas de memória e Rivotril

Apesar de ser um medicamento utilizado para tratar a ansiedade, é comum o Rivotril ter a depressão como um efeito colateral, assim como episódios de tontura, fadiga, confusão e dependência química, além das alterações de memória. É por isso, inclusive, que pacientes que usam remédios do tipo opioides devem tomar cuidado extra se precisarem de Rivotril.

Falando especificamente sobre a memória, o efeito não é o mais conhecido à toa. Existem evidências científicas que mostram como o uso crônico de Rivotril pode gerar amnésia, redução do estado de alerta, das habilidades mentais e, até mesmo, estados de acometimento cognitivo. 

“O medicamento geralmente começa a agir no corpo dentre 20 a 40 minutos, e seu efeito dura menos de 12 horas em adultos”, explica o médico. “Ele funciona se ligando a receptores chamados GABA, os responsáveis pelos principais neurotransmissores inibitórios do nosso cérebro. O motivo no qual esse remédio gera alterações na memória não são completamente compreendidos, porém, diversas alterações a curto prazo podem ser culpadas pelo efeito sedativo do remédio.”

Um segundo ponto é saber que se o medicamento estiver, de fato, gerando efeitos perceptíveis na memória, há de se considerar que esteja sendo administrado de maneira incorreta – e um simples ajuste seja o suficiente para reverter isso. “Por isso, recomendo sempre um retorno precoce com o médico responsável por controlar esta prescrição”, explica o Dr. Gabriel. “Em pacientes mais idosos ou que usam diversos remédios que podem gerar interações medicamentosas, talvez seja prudente considerar mudanças de dose de alguns remédios, ou até mesmo trocar Rivotril por outro remédio igualmente efetivo.”

Por fim, mas não menos importante, é essencial saber que esses efeitos colaterais sumirão quando o paciente metabolizar e eliminar o remédio do corpo. No entanto, por ter uma natureza aditiva, pacientes que consomem doses muito altas ou de forma diária por muitos meses e anos podem lidar com síndromes de abstinência. É por este motivo que a recomendação mais importante de todas é não parar o medicamento ou mudar a sua dose por conta – consulte sempre o médico responsável. 

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