Sarcopenia: como identificar os primeiros sinais dessa doença silenciosa

Estudo mostra que doença representa fator de risco para a mortalidade do que a síndrome da fragilidade

Por Maraísa Bueno 29 jul 2025, 14h00 | Atualizado em 5 jun 2026, 06h15
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A sarcopenia é uma doença que precisa de atenção logo nos primeiros sintomas (./Freepik)
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A sarcopenia é uma condição muitas vezes negligenciada, mas com sérias repercussões para a saúde global, especialmente entre idosos e pacientes com doenças crônicas. 

Sua principal característica é a perda progressiva de massa muscular esquelética, força e desempenho físico. A sarcopenia compromete a mobilidade, aumenta o risco de quedas e fraturas e pode afetar significativamente a qualidade de vida.

De acordo com estudo realizado por pesquisadores da Universidade de São Carlos (UFSCAr) e da University College London (Reino Unido), a sarcopenia deve ser considerada um indicador de risco de morte mais preocupante do que a síndrome da fragilidade.

Para a Dra. Iana Carruego, ginecologista da Clínica Elsimar Coutinho SP, a sarcopenia não deve ser considerada apenas um processo natural do envelhecimento. “Trata-se de uma síndrome com impacto direto na autonomia funcional, pois está associada a maior incidência de quedas, depressão, declínio cognitivo e até mesmo mortalidade”.

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Sinais de alerta

Os primeiros sinais clínicos da sarcopenia são sutis, mas merecem atenção. Entre os principais, estão:

  • Redução da força de preensão manual;
  • Dificuldade ou lentidão ao se levantar de uma cadeira;
  • Perda de massa muscular detectável por exames como bioimpedância ou DEXA;
  • Queixas de fadiga e desequilíbrio;
  • Quedas recorrentes; entre outras.
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Diagnóstico:

O diagnóstico é feito a partir de três critérios principais: baixa força muscular, redução da quantidade ou qualidade da massa muscular e desempenho físico comprometido — sendo esta última, indicativa de sarcopenia grave.

Causas da doença:

Embora o envelhecimento seja o fator mais conhecido, a sarcopenia também pode ser acelerada por outros elementos. Segundo a Dra. Iana Carruego, “condições como a síndrome metabólica, a inatividade física, a nutrição inadequada — especialmente a baixa ingestão de proteínas — e os distúrbios hormonais, como a queda dos níveis de estrogênio e testosterona, desempenham um papel relevante na perda muscular”.

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Além disso, doenças crônicas e o estresse oxidativo (desequilíbrio entre radicais livres e antioxidantes no organismo) também contribuem para a degradação muscular e resistência anabólica, tornando o processo de recuperação ainda mais difícil.

Exercícios indicados para os idosos com sarcopenia

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De maneira geral, o idoso com sarcopenia está perdendo qualidade de movimento, a função do músculo, então os exercícios são aqueles que vão reestabelecer essa função muscular. Além da musculação e algumas metodologias de exercício resistido, pilates, até a própria ioga, dependendo de como ela é administrada, também é importante apostar nos exercícios aeróbicos, que não são especificamente para ganho de massa, e sim para contribuir no reestabelecimento da função muscular.

“O exercício aeróbio vai exigir mais da condição cardiopulmonar. E aí se você tem um idoso que respira e oxigena melhor, ele terá a circulação mais adequada para fazer exercícios com maior carga. Então uma coisa complementa a outra”, explica Adriana Cognolato, educadora física da ABRASSO, Associação Brasileira de Avaliação Óssea e Osteometabolismo.

Quando estamos falando do idoso, temos de levar em conta as outras comorbidades que ele possa ter, como problemas de joelhos, artrose, hérnia de disco, desgaste no quadril.

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“Levando em conta a artrose, dor na coluna, ou outras comorbidades, devo pensar como um todo, ou seja, já não posso dar tanta carga, tampouco administrar tantas repetições nessa sequência de exercício, porque a artrose é um desgaste da articulação, se eu começar a fazer, por exemplo, vários agachamentos, várias repetições de flexão de joelho, na semana seguinte esse idoso não vai andar e sentirá dor. E o tempo que ele ficar parado para diminuir a dor trará mais perda de músculo e de função muscular, então é por isso que o exercício tem que ser individualizado”, explica Adriana.

Ela lembra ainda que individualização não é ter um treinador personalizado, mas ser atendido dentro do grupo pelas necessidades dele como um todo, como um ser integral, não só como alguém que tem sarcopenia.

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