Caneta emagrecedora pode afetar a gravidez? Saiba o que dizem os especialistas

Entenda quais cuidados entram em cena quando uma gravidez acontece durante o tratamento para perda de peso

Por Helena Saigh 23 set 2026, 20h00 | Atualizado em 24 set 2026, 13h40
Mulher grávida asiática, com os olhos fechados e expressão serena, usando top e calça cinzas, abraça a barriga com as duas mãos. Ela está em um ambiente claro com janelas grandes e vista para a natureza
Quem utiliza canetas emagrecedoras deve conversar com o médico sobre a suspensão do tratamento ao planejar ou descobrir uma gravidez. (magnific/Magnific)
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Ozempic, Wegovy, Mounjaro: conforme as canetas emagrecedoras ganharam espaço, também começaram a surgir dúvidas que vão além da perda de peso. Uma delas aparece especialmente entre mulheres que estão em idade fértil: o que acontece se uma gravidez começar enquanto o medicamento ainda está sendo usado?

A preocupação faz sentido porque essas substâncias permanecem no organismo por algum tempo e os primeiros dias ou semanas de gestação podem acontecer antes mesmo do teste positivo. Nesse intervalo, a mulher pode continuar aplicando as doses normalmente sem saber que está grávida.

É justamente aí que a questão fica mais complexa. Afinal, o que já se sabe sobre os efeitos desses medicamentos durante a gravidez e sobre uma possível exposição do bebê?

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O que se sabe sobre o uso durante a gestação?

A orientação atual é que medicamentos utilizados para perda de peso, como semaglutida e tirzepatida, não sejam mantidos durante a gestação.

Um dos motivos é que emagrecer intencionalmente não é o objetivo durante esse período. Na Linha de Cuidado do Sobrepeso e Obesidade no Adulto, do Ministério da Saúde, a recomendação é acompanhar o estado nutricional e o ganho de peso ao longo do pré-natal. O documento também orienta que dietas com objetivo de perda de peso não sejam realizadas sem assistência profissional durante a gravidez, devido aos possíveis prejuízos para a gestante e o bebê.

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Mas não é apenas uma questão de emagrecimento. Ainda não existem dados suficientes para considerar segura a exposição a esses medicamentos durante toda a gestação.

Nos estudos realizados em animais antes da aprovação de agonistas de GLP-1, foram observados efeitos adversos no desenvolvimento embrionário e fetal em determinadas exposições. Esses resultados não significam que os mesmos efeitos necessariamente ocorram em humanos, mas ajudam a explicar a cautela adotada durante a gravidez. 

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Mas e se a gravidez acontecer sem planejamento?

É aqui que os estudos em humanos começam a trazer informações importantes. Publicado em 2024 no BMJ Open, o estudo “Use of GLP1 receptor agonists in early pregnancy and reproductive safety” acompanhou 168 mulheres expostas a agonistas de GLP-1 no primeiro trimestre da gravidez e comparou os resultados com dois grupos: 156 gestantes com diabetes e 163 gestantes com sobrepeso ou obesidade. 

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Entre as mulheres expostas aos medicamentos, grandes malformações foram observadas em 2,6% das gestações. A taxa foi de 2,3% entre as gestantes com diabetes e de 3,9% no grupo com sobrepeso ou obesidade. Os pesquisadores também não encontraram aumento significativo no risco de perda gestacional associado à exposição aos agonistas de GLP-1. 

O resultado é importante principalmente para quem descobre que estava grávida depois de já ter usado algumas doses. Ele não prova, porém, que seja seguro continuar o tratamento. Os próprios pesquisadores ressaltam que a amostra é pequena e que estudos maiores ainda são necessários. 

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Então, o que fazer ao descobrir a gravidez?

Se a caneta estiver sendo utilizada para emagrecimento, o tratamento deve ser reavaliado assim que a gravidez for descoberta. A exposição nas primeiras semanas, por si só, não permite afirmar que a gestação será de risco ou que o bebê terá alguma alteração, especialmente considerando os dados humanos disponíveis até agora.

O acompanhamento médico, no entanto, é importante para avaliar cada situação. Isso ganha ainda mais relevância quando o medicamento é utilizado para tratar diabetes tipo 2, já que o controle da glicemia também precisa continuar durante a gravidez e pode ser necessário substituir a medicação.

E se a gravidez ainda estiver nos planos?

Nesse caso, vale conversar sobre a suspensão da caneta antes de começar as tentativas. O intervalo depende do medicamento utilizado.

Para a semaglutida, por exemplo, a recomendação é interromper o tratamento pelo menos dois meses antes de uma gravidez planejada, justamente porque a substância demora a ser eliminada do organismo.

Assim, quem usa uma dessas medicações pode engravidar, inclusive durante o tratamento. O cuidado está em não manter uma caneta para perda de peso durante a gestação e, sempre que possível, planejar sua suspensão antes das tentativas.

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