Natação e hidroginástica: entenda as diferenças e benefícios de cada uma
As duas modalidades aproveitam a resistência da água, mas a maneira de se movimentar dentro da piscina muda bastante entre elas
De touca, maiô e dentro da piscina, natação e hidroginástica podem até dividir o mesmo cenário. Basta a aula começar, porém, para as semelhanças diminuírem. Enquanto uma envolve atravessar a piscina com diferentes estilos de nado, coordenando braçadas, pernadas e respiração, a outra mantém o corpo predominantemente na vertical e transforma a resistência da água em parte dos exercícios.
“Hidroginástica são exercícios aeróbicos e profiláticos (prevenção de lesões) dentro da piscina”, explica Pedro Coelho, profissional de educação física da TotalPass.
Já na natação, deslocar o próprio corpo pela água exige uma combinação contínua entre membros superiores, inferiores e tronco. Fabrício Buzatto, médico do esporte, explica que a natação é um esporte completo: trabalha o condicionamento cardiorrespiratório e o fortalecimento dos membros superiores, tronco e membros inferiores.
O que muda no tipo de exercício?
Na natação, o corpo permanece majoritariamente na horizontal e o objetivo é se deslocar pela piscina. A técnica também exige coordenar a respiração com os movimentos.
Lorrayne Caes Silva, professora de educação física e natação, explica que a modalidade exige maior trabalho de contração e expansão relacionado à respiração, algo que pode ser especialmente interessante para pessoas com asma. Isso não substitui, porém, o acompanhamento e o tratamento médico da doença.
Na hidroginástica, grande parte dos exercícios é realizada em pé e praticamente no mesmo lugar. Braços e pernas empurram a água em diferentes direções, e acessórios como halteres próprios para piscina, espaguetes e caneleiras podem aumentar ou modificar a resistência.
Por que a água diminui o impacto?
As duas atividades têm uma vantagem importante: o empuxo reduz a carga suportada pelo corpo dentro da piscina. Isso faz com que atividades aquáticas sejam opções interessantes para pessoas que procuram exercícios com menor impacto articular.
Na hidroginástica, essa característica ganha ainda mais destaque porque permite realizar agachamentos, deslocamentos e movimentos semelhantes aos feitos fora da água com menor carga sobre as articulações.
A pressão hidrostática também atua sobre o corpo. Segundo Lorrayne, ela auxilia o retorno do sangue das extremidades em direção ao coração, contribuindo para a circulação.
Natação também exige concentração
Respirar, manter a técnica, contar braçadas e continuar se deslocando deixam pouco espaço para distrações.
Buzatto destaca que esse aspecto pode contribuir para o bem-estar durante a prática. “Diferente do que a gente vê na academia ou em aulas: pessoas com celular na mão, conversando, tirando o foco da concentração do exercício, na natação isso não acontece. A pessoa literalmente mergulha naquela água e fica naquele tempo disponível para o exercício”.
Lorrayne também chama atenção para o caráter lúdico que a natação pode assumir, especialmente na infância. “Entendemos que o cognitivo são habilidade motora, a memória, a atenção, a percepção, a linguagem, o raciocínio e etc. Dessa forma, a natação, principalmente para o bebê, ajuda a estimular a fala, os reflexos, o equilíbrio e o pensar. Pois usamos nas aulas atividades lúdicas, de raciocínio, de memorização, de tomadas de decisões”, explica.
Afinal, qual escolher?
Não existe uma modalidade universalmente melhor. Para quem quer aprender a nadar, desenvolver técnica e trabalhar o condicionamento enquanto se desloca pela água, a natação pode fazer mais sentido.
A hidroginástica, por outro lado, permite trabalhar força e condicionamento mantendo o corpo na vertical, costuma acontecer em aulas coletivas e pode ser uma alternativa para quem procura menor impacto ou não se sente confortável nadando longas distâncias.
Mais importante do que escolher pela quantidade de calorias gastas é considerar objetivo, preferência, limitações individuais e qual atividade tem mais chances de permanecer na rotina.





