Cabelo branco aos 30: as principais causas

Novas pesquisas indicam que o stress e a alimentação desequilibrada podem antecipar o surgimento dos fios brancos - e que, adotando bons hábitos, dá para desacelerar a ação do tempo sobre o cabelo. Será?

Foto: Chris Parente

Já parou para pensar que é cada vez mais comum encontrar mulheres que começam a ter cabelo branco antes dos 30 anos? Pode ser uma coincidência da genética, já que a predisposição a ficar grisalha bem antes da maturidade acontece quando essa característica é uma marca registrada da família. “O embranquecimento acontece com a morte do melanócito, uma célula que dá cor à pele e ao cabelo”, diz o dermatologista Adriano Almeida, diretor da Sociedade Brasileira do Cabelo, de São Paulo. 
 
Segundo ele, cada um de nós nasce com uma programação celular específica, que determina quando o processo de despigmentação vai ocorrer. Mas parece que, hoje, tem algo além da hereditariedade atuando nos bastidores. Pesquisas realizadas nos últimos anos sugerem que o stress, a poluição e a alimentação desregrada têm colaborado para apressar a chegada das mechas brancas. 
 

Bons hábitos como prevenção 

De acordo com um estudo da empresa multinacional e cosméticos John Frieda, na Inglaterra, 32% das entrevistadas declararam ter cabelo branco aos 30 anos – duas décadas atrás, apenas 20% das participantes dessa faixa etária responderam que os primeiros fios já tinham aparecido. Segundo os autores da pesquisa, o stress é uma das causas. “Por observação, percebemos que fatores traumáticos e estressantes, como a perda de pessoas queridas, doenças na família e separação, podem acelerar o processo”, fala Bellini. 
 
A constatação tem fundamento. As células que dão cor aos fios podem deixar de trabalhar corretamente e morrer quando sofrem ataques contínuos ao DNA, conforme descobriram cientistas de uma universidade no Japão depois de submeter ratos à radiação e a componentes químicos. Os danos levaram ao surgimento precoce de pelos brancos nos animais. 
 
O cortisol, hormônio relacionado ao estresse, é uma das substâncias que tornariam o ambiente tóxico para as células. Outra vilã é a oxidação, que acontece naturalmente no organismo quando ele transforma nutrientes em energia para sobreviver e, no meio do caminho, libera os radicais livres. Essas moléculas, em excesso, podem danificar as células. Poluição, radiação solar, cigarro e álcool colaboram para aumentar a produção de radicais livres. É por isso que muitos especialistas acreditam que, apesar de não ser determinante, o estilo de vida interfere na antecipação das mechas sem cor. 
 
“Não existe comprovação científica, mas sabe-se que carências nutricionais de ferro, zinco, cobre, ácido fólico e silício orgânico podem interferir no processo, já que esses nutrientes são muito importantes na manutenção da integridade dos fios”, acredita Bellini. O ferro está presente nas verduras verde-escuras e no feijão. O zinco pode ser encontrado no gérmen de trigo. O cobre e o ácido fólico, no grão-de-bico. Já o silício orgânico está nos grãos integrais e colabora para aumentar a produção de queratina, a proteína que constrói o cabelo. “Deficiências na ingestão de vitaminas do complexo B, de ômegas 3 e 6 e de selênio também podem ter relação”, diz o dermatologista Ricardo Romiti, responsável pelo Ambulatório de Estudos dos Cabelos, do Hospital das Clínicas, da Universidade de São Paulo. 
 

O fim dos brancos? 

Como os radicais livres são apontados como possíveis aceleradores da despigmentação do cabelo, a indústria dos cosméticos tem se dedicado a desenvolver produtos que protejam o DNA dos melanócitos e, com isso, garantam que eles funcionem direitinho por mais tempo. “Estudos internacionais procuram mecanismos que possam retardar ou mesmo reverter o surgimento de fios brancos, com destaque ao uso de células-tronco e de substâncias como o aminoácido L-metionina. No entanto, esses trabalhos são apenas experimentais sem aplicabilidade imediata”, conta Romiti. 
 
Recentemente, a empresa de cosméticos L’Oréal anunciou que está desenvolvendo um comprimido para prevenir a chegada dos fios brancos com a reposição de uma enzima que o organismo deixa de produzir com a idade e que seria fundamental para a pigmentação do cabelo. Mas, por enquanto, não existe solução milagrosa. Ao lado dos bons hábitos, que trazem a beleza de dentro para fora, tingir os fios – quase uma obrigação entre as brasileiras – continua sendo a solução definitiva. Escolher entre tonalizante, coloração permanente, hena e mechas pode ser uma tarefa complicada para quem deseja esconder os primeiros fios brancos. Qual será a técnica certa para você? É o que você vai descobrir a seguir. 
 

Lição básica para começar a pintar 

Já vale ir avisando: é um mito achar que as transformações a que submetemos o nosso cabelo contribuem para antecipar o aparecimento dos fios brancos. “Chapinha, babyliss, secador e tinturas podem danificar a fibra capilar, mas não promovem o embranquecimento”, fala o dermatologista Adriano Almeida, da Sociedade Brasileira do Cabelo. Para disfarçar os primeiros fios sem cor, dá para recorrer aos tonalizantes, menos agressivos, e passar às tinturas quando a quantidade deles aumentar. 
 
“De forma geral, a coloração permanente entra em cena quando mais de 50% dos fios são brancos. Mas algumas mulheres optam em primeira mão pela tinta, já que o tonalizante proporciona uma transparência ao fio, ou seja, não repõe a cor totalmente”, explica Andréa Cassolari, cabeleireira do salão Ricardo Cassolari, em São Paulo. Há ainda quem prefira apostar nos reflexos, que podem funcionar bem dependendo da quantidade e da localização dos fios brancos. “Claro que não garante 100% de cobertura, mas as mechas mais claras se misturam aos brancos, disfarçando-os”, diz Andréa. 
 
Se for pintar em casa, Andréa sugere começar pelo tonalizante, que tem menor duração e, portanto, menos risco caso você erre na escolha da cor. A hena é outra possibilidade, mas os especialistas dizem que a cobertura e a durabilidade são menores do que a do tonalizante. “Funciona como uma maquiagem”, acredita Andrea. Se estiver na dúvida em relação à técnica e até mesmo à cor certa para você, vale fazer uma consulta com o seu cabeleireiro ainda que vá tingir os fios em casa.
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