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Ficar sentado o dia inteiro e treinar uma hora resolve?

Por Redação Boa Forma Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 14 out 2026, 22h00
Mulher de cabelo escuro preso, blusa branca com detalhes marrons e calça jeans, sentada em uma cadeira de escritório preta, olhando atentamente para um notebook prateado sobre uma mesa escura. Ao lado do notebook, um tablet exibe uma videochamada com várias pessoas. Há um frasco de álcool em gel e um avião em miniatura na mesa. Ao fundo, uma estante branca com livros e plantas, e uma parede com quadros
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Treino feito, missão cumprida? Para quem passa boa parte do dia sentado diante do computador, essa conta pode ser um pouco mais complexa. Ter uma rotina de exercícios é importante, mas isso não significa que as muitas horas de imobilidade entre um treino e outro devam ser simplesmente ignoradas.

O corpo foi feito para se movimentar também fora da academia. Levantar da cadeira, caminhar alguns minutos e movimentar pés e tornozelos parecem atitudes pequenas, mas ajudam a interromper longos períodos em que as pernas permanecem praticamente paradas.

Segundo o Dr. Carlo Bonasso Filho, cardiologista, a musculatura da panturrilha participa ativamente do retorno do sangue.

“Quando permanecemos muitas horas sentados e praticamente sem movimentar as pernas, a circulação venosa fica mais lenta porque reduzimos a ação da musculatura da panturrilha, que funciona como uma espécie de bomba auxiliar para o retorno do sangue. Isso não significa que toda pessoa que fizer uma viagem longa terá trombose. O risco depende da combinação entre tempo de imobilidade e fatores individuais de cada paciente”, explica.

A panturrilha trabalha também longe da academia

Panturrilha costuma entrar no treino por razões relacionadas a força, desempenho ou estética. Mas sua musculatura também exerce uma função importante na circulação.

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Quando caminhamos ou movimentamos os tornozelos, as contrações musculares ajudam o retorno venoso. O problema é que uma rotina moderna pode manter essa região praticamente inativa durante horas.

Isso acontece em viagens longas, mas também em um dia comum de trabalho. Uma pessoa pode treinar pela manhã e, depois, passar grande parte das oito ou dez horas seguintes diante do computador.

“A principal mensagem é entender que movimento é importante para a circulação e que o risco precisa ser individualizado. Para a maioria das pessoas, atitudes simples ajudam. Já quem possui fatores de risco deve conversar com o médico e receber orientação específica antes de situações de imobilidade prolongada”, afirma Carlo.

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É preciso fazer exercício toda vez que levantar?

Não. Interromper a imobilidade não significa transformar o escritório em academia nem realizar séries completas ao longo do expediente.

Movimentos simples já evitam que as pernas permaneçam totalmente paradas por muitas horas. Levantar quando possível, caminhar um pouco, mudar de posição e movimentar pés e tornozelos são algumas possibilidades.

“Não é necessário fazer exercícios complexos. Movimentar os tornozelos, contrair a panturrilha, mudar de posição e levantar periodicamente já ajuda a evitar que as pernas permaneçam totalmente imóveis durante horas. Em viagens longas, vale incorporar essas pequenas pausas à rotina do deslocamento”, orienta o cardiologista.

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A mesma lógica pode ser levada para o cotidiano. Buscar água, caminhar durante um intervalo ou simplesmente deixar a cadeira algumas vezes ao longo do expediente aumenta as oportunidades de movimento.

Uma hora de academia não deveria justificar o restante do dia parado

O ponto não é diminuir a importância do treino estruturado. Musculação, corrida, ciclismo, natação e outras modalidades cumprem funções que não são substituídas simplesmente por levantar da cadeira algumas vezes.

São comportamentos diferentes. Existe o momento dedicado ao exercício e existe a quantidade de movimento acumulada durante o restante do dia. Por isso, talvez seja mais interessante pensar em uma rotina ativa do que apenas em uma hora ativa.

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Quem treina também precisa reconhecer sinais de alerta

Dor e inchaço nas pernas podem ser facilmente atribuídos ao treino, principalmente depois de uma sessão intensa. Mas alguns sintomas merecem avaliação, sobretudo quando aparecem de maneira diferente do habitual.

Inchaço principalmente em uma das pernas, dor, aumento da temperatura local e mudança de coloração estão entre os sinais que não devem ser banalizados. Da mesma maneira, sintomas respiratórios ou cardiovasculares repentinos exigem atenção.

“Falta de ar súbita, dor no peito, aceleração dos batimentos, tontura ou mal-estar importante precisam de atendimento imediato. Uma das complicações da trombose venosa profunda é a embolia pulmonar, que acontece quando o coágulo se desloca até os pulmões. É uma condição potencialmente grave e, diante de sintomas compatíveis, não é indicado esperar para ver se eles desaparecem sozinhos”, alerta Carlo.

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Movimento não começa quando o treino começa

Para quem gosta de academia, corrida ou qualquer outra modalidade, existe uma tendência natural de contabilizar movimento apenas quando o relógio esportivo é acionado. Mas o corpo continua respondendo ao que acontece nas outras horas do dia.

O treino permanece importante. A diferença é entender que ele não precisa ser o único momento em que o corpo sai da cadeira.

Talvez uma rotina realmente ativa seja aquela em que o exercício tem hora para começar, mas o movimento não tem hora para terminar.

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